Tecnologias Quando a Microsoft veste a pele de start-up

Quando a Microsoft veste a pele de start-up

A Microsoft foi uma start-up há 41 anos. Agora ajuda outras empresas a tornarem-se casos de sucesso e vai estar na Web Summit.
Quando a Microsoft veste a pele de start-up
REUTERS
André Veríssimo 13 de Outubro de 2016 às 18:30

"A cultura na Microsoft é que tudo começa em Redmond", onde fica a sede e o campus de 200 hectares do gigante do software na zona de Seattle. Não foi o que aconteceu com a Microsoft Ventures, que gere os programas de aceleração de start-ups da empresa, conta Hanan Lavy, que foi um dos responsáveis pela criação da iniciativa em Israel.

 

Numa reunião esta semana com start-ups portuguesas em missão aos EUA no âmbito do programa de aceleração Startup Braga/FLAD, Hanan Lavy confessa que o projecto avançou em 2012 sem grande entusiasmo na sede da empresa. Mas com o sucesso que veio a ter, acabou por se impor. Depois de Israel vieram as aceleradoras na China e Índia. Seguiu-se a Europa, com Berlim, Londres e Paris. A última foi Seattle, onde decorreu o encontro com a "comitiva" lusa.

 

Quatro anos e meio depois, a Microsoft Ventures já recebeu 452 empresas nos seus programas de aceleração, das quais 81% conseguiu financiamento subsequente num valor médio de 4,8 milhões de dólares. As start-ups que já passaram pelo programa conseguiram até à data levantar 1.800 milhões em fundos. Em 32 casos as start-ups foram adquiridas por outras empresas, uma delas pela própria Microsoft. Três foram para a bolsa.

 

Números que desafiam a estatística. Bernice Paris, directora da Microsoft Ventures, cita dados do Financial Times: 75% das start-ups sobrevive ao fim de um ano, 64% chega ao segundo ano e só 56% está "viva" no fim do terceiro. Muitas vão-se abaixo após o primeiro levantamento de capital. "O que fazemos é ajudá-la a atravessar o abismo".

 

Como? O programa, que dura três meses e meio, oferece consultoria às start-ups em várias áreas - o chamado "mentoring" - e ajuda-as a escalar o negócio facilitando o acesso ao mercado, tirando partido da rede de clientes da Microsoft. "Trabalhamos com grandes clientes interessados em inovação e apresentamos-lhes as start-ups", explica Bernice. As empresas que entram para o programa beneficiam ainda de apoio técnico e acesso gratuito às soluções "cloud" do gigante do software.

 

Microsoft Ventures em Lisboa para a Web Summit A Microsoft Ventures vai estar presente na Web Summit, a feira de tecnologia que decorre em Lisboa entre 7 e 10 de Novembro, à caça de start-ups que possam integrar os seus programas de aceleração. Bernice Paris vai estar na capital portuguesa com alguns membros da sua equipa. Esta é uma das formas que a empresa de Redmond tem de "angariar" start-ups. Outra forma é através da rede de contactos com investidores de capital de risco. Os nomes podem ainda vir referenciados por grandes empresas com quem a Microsoft trabalha. A Microsoft Portugal organizou o Journey to the Web Summit, um programa para ajudar as start-ups europeias a tirar partido do evento.

O tipo de start-ups com quem a Microsoft Ventures trabalha mudou. Começou com empresas ainda num estado muito inicial. Agora pega nelas numa fase mais avançada, as "que já demonstraram a validade do conceito, fizeram o levantamento de capital semente e têm um produto no mercado", explica Hanan Lavy, que dirige a Microsoft Acellerator de Seattle.

 

"Estamos interessados em empresas que possam ser potenciais parceiros e empresas de ponta na inovação", refere Bernice Paris. "Big data", software como serviço (SaaS), infraestrutura de nuvem, "machine learning", ferramentas de produtividade e segurança são áreas privilegiadas. A Microsoft Ventures têm ainda um fundo de capital de risco que investe em empresas americanas e israelitas.

 

Ao início só eram aceites no programa as start-ups que trabalhassem com produtos da Microsoft. Depois a condição caiu, um passo "que foi disruptivo" para a empresa, conta Hanan Levy. Agora aceitam-se empresas que trabalhem nas plataformas da Amazon, Google ou outras. Sinal dos tempos, em que o software aberto é o que mais ordena.

A empresa portuguesa que a Microsoft acelerou A relação de Daniela Braga com Microsoft vem dos tempos de investigadora na área de síntese da fala. A empresa de Redmond foi buscá-la para os projectos de tecnologia de voz. "Estive seis anos de academia e a Microsoft salvou-me", contou a empreendedora portuguesa que esteve à conversa com as start-ups portuguesas do programa de aceleração da Startup Braga/FLAD em missão nos EUA. Após alguns anos decidiu lançar-se por iniciativa própria. Foi assim que nasceu no final de 2015 a Defined Crowd, uma plataforma de linguagem natural, que de forma simplista é a tecnologia que permite pôr máquinas a falar e a interagir com os utilizadores. Alguns meses depois foi aceite no programa de aceleração da Microsoft em Seattle, que terminou em Junho. A Defined Crowd já conseguiu 1,1 milhões em financiamento. Entre os financiadores está a Portugal Ventures, a Sony e a Amazon. Além destas duas empresas, a Defined Crowd conta ainda com a Google como cliente.

 
*em Seattle, a convite da FLAD




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