Banca & Finanças Quem é o novo homem que vai supervisionar a banca portuguesa?

Quem é o novo homem que vai supervisionar a banca portuguesa?

Quando o BES caiu, Luís Costa Ferreira era o responsável pela supervisão do Banco de Portugal. Saiu pouco depois para a PwC, de onde regressa mais de dois anos depois.
Quem é o novo homem que vai supervisionar a banca portuguesa?
Diogo Cavaleiro 01 de fevereiro de 2017 às 14:38

Era perto das 15:40 de 19 de Março de 2015 quando Ricardo Salgado lançou a insinuação na comissão de inquérito ao BES: a auditora PwC fora contratada em 2013 pelo Banco de Portugal para fazer o ETRICC 2, exercício de inspecção aos principais devedores dos bancos portugueses que acabou por levantar o véu sobre a situação do Banco Espírito Santo e da dependência que o Grupo Espírito Santo lhe tinha, e foi para aquela mesma empresa que, depois da resolução do BES, transitaram dois directores de supervisão do Banco de Portugal.

 

Luís Costa Ferreira e o seu adjunto, Pedro Machado, eram os dois visados pelo histórico líder do BES. Costa Ferreira era o director do departamento de supervisão prudencial do regulador da banca. A saída de ambos aconteceu em Novembro de 2014, altura em que a autoridade liderada por Carlos Costa estava sob fogo devido à resolução aplicada ao BES a 3 de Agosto daquele ano.

 

Costa Ferreira dirigia aquele departamento, cuja função é assegurar que as instituições financeiras têm solidez suficiente para resistir a choques, desde Julho de 2013 mas já estava ligado ao Banco de Portugal há mais tempo: desde 1994. A saída em Novembro de 2014 para a PwC foi criticada: a empresa foi a escolhida para auditar o Novo Banco, criado meses antes, mas que herdou os activos e passivos considerados saudáveis do BES, banco que havia sido supervisionado directamente pelo Banco de Portugal. Na altura, o PS quis chamar os dois directores do regulador à comissão de inquérito, mas as audições nunca aconteceram.

 

O regulador sofreu mudanças após a queda do BES. Antes da saída dos dois directores do departamento de supervisão prudencial (há também a supervisão comportamental, que se centra na relação dos bancos com os consumidores), o próprio administrador responsável pela área mudou: deixou de ser Pedro Duarte Neves, com quem Costa Ferreira trabalhara, e passou a ser António Varela, que tinha entrado no regulador vindo do Banif.

 

Agora, já com Varela fora do Banco de Portugal após divergências com o governador, a administradora responsável pela supervisão prudencial é Elisa Ferreira. E é com ela que Luís Costa Ferreira vai trabalhar com o regresso ao regulador. O "partner" vai abandonar a PwC, auditora do Novo Banco e do Santander Totta, e regressar ao lugar de origem.

 

Costa Ferreira vai substituir Carlos Albuquerque, que foi para o seu cargo em 2014. Albuquerque está de saída, com a Caixa Geral de Depósitos a ser o destino após um período de nojo. De acordo com a página do LinkedIn, rede social profissional, Luís Costa Ferreira entrou para o Banco de Portugal em 1994 já para o departamento de supervisão bancária, tendo feito a sua vida profissional no regulador, ainda que com uma passagem de três anos pelo Governo de António Guterres. 

 

Enquanto dirigiu o departamento de supervisão prudencial, entre Julho de 2013 e Novembro de 2014, o regulador ditou a realização do exercício de avaliação dos impactos dos grandes grupos económicos nos bancos nacionais, com o objectivo de perceber a exposição aos grandes grupos económicos portugueses. Era a época da troika e a intenção era estabilizar o sistema financeiro. Foi na sequência dos exercícios bancários que se descobriu a falsificação das contas da Espírito Santo International. Foi na sua direcção que o BES foi alvo de resolução mas esta é uma área que, no Banco de Portugal, está separada da supervisão. 

 

A nova entrada em funções de Luís Costa Ferreira acontece a 15 de Fevereiro de 2017.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Perdeu-se a vergonha?

Filipe Há 2 semanas

Não se viu nada no Bdp, não se viu nada nas empresas de auditoria, mas sai este belo tacho?

Anónimo Há 2 semanas

Sou o único a achar isto surreal?

Maria Há 2 semanas

Os contratos do Banco de Portugal, sem concursos, são fantásticos, tal como os ajustes diretos. Não prestam contas a ninguém. São um outro Estado!

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