Aviação Quem precisa de uma pista de aterragem? Companhia quer pousar no mar e em campos

Quem precisa de uma pista de aterragem? Companhia quer pousar no mar e em campos

O próximo slogan de uma das companhias aéreas de mais rápido crescimento do mundo poderá ser: “Não há pista? Não há problema!”.
Quem precisa de uma pista de aterragem? Companhia quer pousar no mar e em campos
Pedro Elias/Negócios
Bloomberg 04 de novembro de 2017 às 19:00

A SpiceJet, companhia aérea de baixo custo da Índia, que viu o valor das suas acções multiplicar-se por 10 em três anos, quer abrir também o terceiro maior mercado de aviação do mundo. Isso significa atender mil milhões de indianos que nunca voaram antes porque não podem pagar ou porque não vivem perto de um aeroporto.

A empresa aérea negoceia com a japonesa Setouchi Holdings a compra de cerca de 100 aviões anfíbios Kodiak capazes de pousar em qualquer lugar, inclusive na água, no cascalho ou num campo aberto. O negócio, avaliado em cerca de 400 milhões de dólares, ajudaria a SpiceJet a capitalizar o ambicioso plano do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para conectar esse vasto país por via aérea sem precisar de esperar pela bilionária actualização de uma infra-estrutura da era colonial.

"Os aeroportos são escassos na Índia", disse o presidente do conselho da SpiceJet, Ajay Singh. "Boa parte do crescimento da Índia está a ocorrer em pequenos mercados, mas esses pequenos mercados têm pouca ou nenhuma conectividade. Por isso estamos à procura de uma solução para levar voos a lugares onde não há aeroportos."

As negociações continuam e a Setouchi, que tem sede em Hiroshima, planeia realizar uma aterragem demonstrativa na água em Novembro, revelou Go Okazaki, director administrativo e executivo da divisão de negócios internacionais. Ele não conseguiu estimar quando o negócio será concluído.

As empresas aéreas da Índia atenderam 100 milhões de passageiros domésticos no ano passado, o que transforma o país no terceiro maior mercado do mundo, atrás de China e EUA. Para lidar com o crescimento, a Índia precisará de pelo menos 2.100 novos aviões no valor de 290 mil milhões e dólares nos próximos 20 anos, estima a Boeing.


Modi apresentou um plano em 2015 para levar a aviação às regiões mais remotas da sétima maior massa terrestre do mundo. O programa do governo subsidia passagens aéreas e oferece aterragem e estacionamento gratuitos para companhias aéreas. Modi prevê que a venda de passagens domésticas vai quintuplicar na próxima década, para 500 milhões de unidades.


Cerca de 97% da população da Índia, de 1,3 mil milhões de habitantes, nunca entrou num avião, segundo a SpiceJet. Mas encontrar lugares para receber e deixar esses passageiros é um problema.


Actualmente, apenas cerca de 75 das 450 companhias áreas designadas pelo governo indiano como aeroporto ou pista de aterragem operam voos comerciais. Isso aumenta a pressão sobre os principais aeroportos do país, em Nova Déli, Mumbai e Bangalore, onde não há quase nenhum slot de aterragem disponível.


A infra-estrutura da maioria dos aeroportos parados - pistas, torres de controle, terminais e galpões de manutenção - está inutilizável após décadas de negligência.


É aí que entra a estratégia anfíbia da SpiceJet. A aeronave Kodiak, que acomoda entre 10 a 14 passageiros, pode descolar ou aterrar numa faixa de água ou terra de 300 metros e tem autonomia de 1.000 quilómetros. Esta é aproximadamente a distância entre Mumbai e Bangalore.

O contrato de venda poderá estar concluído em apenas três meses, informou a SpiceJet. Os aviões, fabricados pela Quest Aircraft, com sede em Sandpoint, Idaho, EUA, podem permitir que a SpiceJet pouse em 300 dos aeroportos actualmente não utilizados da Índia, disse Okazaki.


"A lógica básica para isso é que na Índia precisamos de conectividade no último trecho", disse Singh. "O avião anfíbio abre muitas companhias áreas, cria muita flexibilidade."




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar