Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da Benfica SAD
"Quando os clubes são mal geridos, isso reflecte-se ao nível desportivo"
22 Maio 2009, 14:30 por Paulo Moutinho | paulomoutinho@negocios.pt
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O Benfica volta a não conseguir marcar presença na Liga dos Campeões, um facto justificado com a terceira posição no campeonato nacional que vai pesar nas contas da SAD, e que obrigará os "encarnados" a vender jogadores. Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da SAD do Benfica, afirmou, em entrevista ao Negócios, que se não o fizessem, ficariam "numa situação muito deficitária".
O Benfica volta a não conseguir marcar presença na Liga dos Campeões, um facto justificado com a terceira posição no campeonato nacional que vai pesar nas contas da SAD, e que obrigará os "encarnados" a vender jogadores. Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da SAD do Benfica, afirmou, em entrevista ao Negócios, que se não o fizessem, ficariam "numa situação muito deficitária".

A gestão financeira dos clubes reflecte-se nos resultados desportivos? Os clubes mais bem geridos ganham campeonatos?

Não vou falar sobre o Sporting ou o Porto. Digo antes que na altura em que o Benfica foi pior gerido, foi quando degradou significativamente a sua capacidade desportiva. É uma maneira elegante de fugir à sua questão... (risos). Não tenho dúvidas nenhumas de que quando os clubes são mal geridos, isso acaba por se reflectir do ponto de vista desportivo. E recuperar a dinâmica desportiva não se faz de um momento para o outro.

Quanto custa ao Benfica não estar presente, este ano, na Liga dos Campeões?

Temos tido, todos os anos, e sempre que vamos à Liga dos Campeões, a receita da Liga dos Campeões mais as outras competições europeias (como a Taça UEFA), de cerca de 15 milhões de euros. Quando não vamos, as receitas destas competições situam-se na casa dos 5 milhões de euros. No próximo ano, o formato da Taça UEFA é mais próximo do da Liga dos Campeões, por isso admito que o impacto não seja esses 10 milhões de euros, seja menor. Mas, obviamente, terá sempre impacto.

E isso vai obrigar a vender jogadores?

O Benfica, no seu modelo de gestão, para conseguir ter as contas equilibradas tem que ter as competições europeias e tem que ter alguma componente de venda de jogadores. Quando não vamos à Liga dos Campeões, e se optássemos por não vender jogadores, ficaríamos numa situação muito deficitária.

Esta época, as receitas de quotas e bilheteira foram melhores ou piores do que as da época transacta?

Foram sensivelmente em linha. Em termos de bilhética, está afectada por não termos tido as competições europeias, e a bilhética das competições nacionais é sempre mais fraca porque a maior parte das pessoas não compra bilhete, têm é o seu lugar cativo.

A acção do Benfica é uma acção que reage mais aos resultados da jornada do que às próprias contas?

Sempre que temos apresentado resultados, sejam eles positivos ou negativos, sejam eles extraordinários ou não, a acção não reage. Mas também não diria que é uma acção que reage em função do fim-de-semana. Há derrotas e há vitórias e o que temos observado, quer nas acções do Benfica, quer do Porto e do Sporting, é que pode haver num dia, ou em dois dias, um pequeno fugaz, mas nem sempre isso acontece.

São negociados muito poucos títulos do Benfica na bolsa. Como se justifica esta fraca liquidez?

A fraca liquidez, e aquilo que tem sido a evolução do valor da acção reflecte uma coisa um pouco mais abrangente que é o facto de não ser possível os investidores terem uma posição de controlo relativamente à SAD. Aliado ao facto de todas as SAD, sem excepção, nunca terem distribuído dividendos, não tem sido possível, a quem investe nas SAD, retirar benefícios.

Como vê a evolução das acções do Benfica na bolsa nestes dois anos?

É um desempenho semelhante ao que das acções dos outros clubes portugueses. Também tiveram reduções, e até mais significativas que a do Benfica.

Mas como justifica esta evolução negativa?

O que justifica este desempenho é o facto do preço da acção não ser muito influenciado pelo desempenho, positivo ou negativo, da empresa. Nós tivemos, a determinada altura, resultados recorde e as acções não mexeram. É uma acção que, na minha perspectiva, segue critérios mais emocionais do que racionais, em relação aquilo que é a solidez, ou o valor da Benfica SAD.

A estreia ficou marcada pela OPA de Joe Berardo. Desde o fracasso, tem havido contactos? Falou-se na criação de um fundo para comprar jogadores. Há alguma coisa?

Nós nunca tivemos um contacto directo com o empresário. Portanto, as ideias que o senhor Joe Berardo teve em relação ao Benfica não as vou comentar. Se avançou com alguma delas, nós não temos conhecimento.

Continua a fazer sentido manter o Benfica cotado em bolsa?

Não gostava de me pronunciar sobre isso.

Como está a situação financeira do Benfica? Piorou neste segundo semestre (fiscal)?

Neste segundo semestre não tivemos nem competições europeias, nem jogos grandes no campeonato nacional. Sem esses dois indicadores, e apesar do conjunto de receitas adicionais que se mantêm estáveis, é natural que o segundo semestre, se mais nada mudar, apresente um agravamento nos capitais.

Como está a questão do pagamento do Estádio? Sempre ficará pago até 2010?

No "project finance" inicial, a maioria da dívida relacionada era liquida até finais de 2010, e depois havia um remanescente que continuava durante mais três anos. Essa situação mantém. A única questão é que o próprio "project" passou a integrar outro tipo de endividamento, essencialmente dívida que o Benfica SGPS não tem conseguido saldar perante a SAD. Fizemos uma cedência de créditos que a SAD tinha sobre o Benfica SGPS à Benfica Estádio. Nesse sentido, a dívida não está relacionada com a construção do estádio.

Quando é que o Benfica Estádio começa a gerar receita líquida?

Entretanto esse problema desaparece. É anulado com a incorporação. É um problema que passa para dentro da SAD, que assegurará o pagamento do Estádio, independentemente do resto do endividamento que a SAD tem.

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