Banca & Finanças RBS falha testes de stress no Reino Unido e acções afundam mais de 4%

RBS falha testes de stress no Reino Unido e acções afundam mais de 4%

A instituição, perante as fragilidades de capital identificadas, já submeteu um novo plano de capitalização junto do Banco de Inglaterra. Noutros dois bancos foram detectadas situações de "inadequação de capital". As acções estão a afundar mais de 4%.
RBS falha testes de stress no Reino Unido e acções afundam mais de 4%
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 30 de novembro de 2016 às 07:21

O Royal Bank of Scotland, maioritariamente público, chumbou nos testes de stress levados a cabo pelo Banco de Inglaterra, mas já prometeu reforçar a sua solidez, cortando custos e vendendo activos.

A instituição foi, entre as analisadas nos mais exigentes testes de sempre, a única a não conseguir atingir os objectivos mínimos, revelam os resultados do exercício divulgados esta quarta-feira, 30 de Novembro. Um cenário que está a pressionar a negociação das acções, que estão a ceder 4,26% para 188,60 pence.

Contudo, aquando da identificação das fragilidades de capital, a instituição submeteu um novo plano de capitalização - segundo o The Guardian no valor de cerca de dois mil milhões de libras, ou cerca de 2.346 mil milhões de euros à cotação actual - que entretanto já obteve luz verde das autoridades.

"Tendo por base a avaliação de resiliência do próprio RBS, feita durante os testes de stress, o RBS já actualizou o seu plano de capitalização para incluir mais acções de reforço de capital e este plano foi aceite pela Autoridade de Regulação Prudencial [PRA na sigla em inglês]," afirmou esta entidade em comunicado citado pela Bloomberg.

Em comunicado, o RBS fez saber que entre as medidas previstas está a continuação do corte de custos, a redução nos activos ponderados pelo risco e a venda de carteiras de crédito pessoal e comercial.

"Estamos comprometidos em criar um banco mais forte, simples e seguro para os nossos clientes e accionistas. (...) Tomámos mais medidas importantes em 2016 para reforçar o nosso capital, mas reconhecemos que há mais a fazer para recuperar a resiliência do banco," afirmou o administrador financeiro do banco,Ewen Stevenson, citado pela Bloomberg.


A PRA continuará a acompanhar o processo de reforço da solidez do banco que é detido pelo Estado em 73%, desde que foi resgatado em 2008. 

No banco Barclays e no Standard Chartered também foram detectadas situações de "inadequação de capital", mas a Autoridade de Regulação Prudencial não exigiu a revisão dos planos de capitalização associados. O Barclays já tinha anunciado medidas para reforçar o seu capital, nota o The Guardian, enquanto o Standard Chartered não deverá fazer alterações adicionais, alegando que foi o aumento de capital que já levou a cabo este ano que lhe permitiu superar os exercícios do Banco de Inglaterra.

O HSBC, o Lloyds (liderado pelo português António Horta Osório), a filial britânica do Santander e o Nationwide Building Society também foram abrangidos pelo exercício da autoridade monetária e superaram-no com sucesso.

O cenário a que a PRA submeteu os bancos abrangidos pelos testes tinha por base cinco anos durante os quais coincidia uma recessão global (uma queda de 1,9% da economia), uma queda dos preços do imobiliário (31%) e nos das propriedades comerciais (de 42%), a economia britânica a cair 4,3% e o desemprego a aumentar 4,5 pontos percentuais. A isto acrescia ainda uma descida dos preços do petróleo para menos de metade do valor actual - rondando os 20 dólares.

O exercício, que levou em conta os balanços das instituições no final de 2015, obrigava a que, perante os testes, estas conseguissem preservar capital equivalente a 4,5% dos seus activos ponderados pelo risco a que acresce um requisito suplementar (denominado "Pilar 2A"), cuja ponderação varia de banco para banco.

A posição de capital do RBS apresentou um rácio de solvabilidade Common Equity Tier 1 (CET1) de 5,9% depois dos testes (abaixo dos 6,6% estabelecidos como limite mínimo pela autoridade monetária) e um rácio Tier 1 de 2,9%, abaixo do mínimo de 3% exigido.

(Notícia actualizada, pela segunda vez às 10:06 com actualização da cotação)




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