Banca & Finanças Recurso da banca espanhola à liquidez do BCE dispara com crise na Catalunha

Recurso da banca espanhola à liquidez do BCE dispara com crise na Catalunha

O recurso a liquidez de curto prazo aumentou para máximos de mais de um ano, num mês em que se agravou a situação de instabilidade vivida na região espanhola.
Recurso da banca espanhola à liquidez do BCE dispara com crise na Catalunha
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 14 de novembro de 2017 às 11:36
O recurso dos bancos espanhóis a liquidez de curto prazo junto do Banco Central Europeu (BCE) disparou no mês de Outubro, um período que coincidiu com o agudizar da crise independentista da Catalunha (protagonizada pelo presidente autonómico, Carles Puigdemont, na foto) e com a saída das sedes de várias instituições financeiras daquele território.

No mês que passou, as instituições financeiras recorreram, de acordo com o Banco de Espanha, a operações principais de financiamento junto de Frankfurt que ascenderam a 4.271 milhões de euros, um valor que compara com apenas 33 milhões de euros obtidos pela mesma via um mês antes.

Aquele montante foi o mais elevado, para esta rubrica, desde Maio do ano passado, quando os bancos espanhóis tinham pedido cedência de liquidez de curto prazo no valor de 4.514 milhões de euros. Esse mês foi o que antecedeu as eleições de 26 de Junho no país vizinho, as segundas marcadas no espaço de um ano, e numa altura em que se mantinha o impasse sobre a formação de um novo governo.

Nos meses seguintes ao acto eleitoral, esta rubrica manteve-se com valores elevados, só baixando dos 1.000 milhões de euros em Setembro do ano passado.

Em causa nesta rubrica estão operações de injecção de liquidez regulares e com periodicidade e vencimento semanais, levadas a cabo pelos bancos centrais nacionais de acordo com leilões-padrão e que são a "principal fonte de financiamento do sistema de crédito dentro do Eurosistema," segundo definido pelo Banco de Espanha.

Ainda no mesmo mês de Outubro, as operações de financiamento a longo prazo reduziram-se em cerca de mil milhões de euros (para 170,75 mil milhões de euros), referem os mesmos dados divulgados esta terça-feira, 14 de Novembro. Nestas operações, segundo o banco central espanhol, o objectivo é proporcionar financiamento adicional num prazo mais alargado às contrapartes, com uma periodicidade mensal e vencimento a três meses.

O disparo no recurso à liquidez de curto prazo coincidiu com o mês em que se realizou – a 1 de Outubro – o referendo independentista na região espanhola, considerado ilegal por Madrid e que viria a desembocar numa declaração unilateral de independência também não reconhecida pelo governo de Mariano Rajoy nem pela generalidade da comunidade internacional.

O período de instabilidade na região levou a que centenas de empresas retirassem a sua sede da Catalunha, entre os quais bancos. Entidades como o Sabadell ou o CaixaBank deixaram de estar sediadas na região pelo receio de que a manutenção das suas sedes num território independente não reconhecido impedisse a sua presença no Eurosistema e o seu consequente financiamento junto do Banco Central Europeu.



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