Banca & Finanças Regulador vê "incentivos" à venda irregular de produtos financeiros

Regulador vê "incentivos" à venda irregular de produtos financeiros

Estragar a reputação é um dos riscos que a banca pode enfrentar. A regulação existente e a queda dos juros criam um ambiente que pode favorecer problemas na comercialização de produtos financeiros. Como os problemas do passado.
Regulador vê "incentivos" à venda irregular de produtos financeiros
Diogo Cavaleiro 23 de novembro de 2016 às 13:05

Conceder crédito em altura de juros baixos não gera dinheiro. Essa pode ser uma razão para os bancos procurarem vender produtos financeiros mais arriscados mesmo a clientes que não tenham conhecimentos para os adquirir. O contexto já fez parte do passado mas o Banco de Portugal alerta que pode acontecer no futuro.

 

"Num contexto de rendibilidade reduzida e de escassez de oportunidades para gerar rendimentos, poderão existir incentivos para que a venda de produtos financeiros não observe estritamente estes requisitos", assinala o regulador do sector bancário no relatório de estabilidade financeira.

 

Os últimos anos foram exemplos de vários casos em que diversos clientes bancários se assumiram como lesados pela subscrição de produtos que defendem não lhes ser destinado: o papel comercial do GES no BES, as obrigações subordinadas da Rentipar no Banif, os produtos complexos com dívida da PT são exemplos.  

 

No documento, divulgado esta quarta-feira 23 de Novembro, é assinalado pelo regulador da banca que esses incentivos podem existir mesmo apesar de também haver "exigentes requisitos de prestação de informação, com o objectivo de assegurar a adequação dos produtos ao perfil de risco dos clientes".

 

Na sua análise à estabilidade financeira, um outro problema tem que ver com a regulação existir que obriga a mais capital. "O cumprimento de novos requisitos regulatórios, que prevêem a necessidade de emissão de instrumentos financeiros, pode também constituir um incentivo para a sua colocação junto de investidores não institucionais, em particular pelas entidades com maior dificuldade em aceder a financiamento de mercado (onde se incluem as portuguesas)", adianta a instituição liderada por Carlos Costa.

 

O "desajustamento" da oferta de produtos bancários ao tipo de clientes corresponde a um risco reputacional que "acarreta custos significativos para as instituições financeiras, com impacto na sua rendibilidade e liquidez, ou mesmo na sua solvência".




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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

"exigentes requisitos de prestação de informação,...adequação dos produtos ao perfil de risco dos clientes"- Espero que os juízes deste país façam JUSTIÇA e devolvam as poupanças dos clientes CONSERVADORES a quem o NOVO BANCO vendeu papel comercial Rio Forte do BES.

Anónimo Há 3 semanas

"Estragar a reputação é um dos riscos que a banca pode enfrentar."

Aahahah a reputação da banca e a de v. exª. já está abaixo de cão, o que será impossível recuperar, mas v. exª e outros bem se governaram.

Contrarian Há 3 semanas

Lá estamos nós no país dos lamechas e mariquinhas.Sabe qual é o perfil de risco dos clientes?todos querem ganhar dinheiro.E quem ficar em Dp´s ou divida publica (com inflação esperada de 1,5%no próximo ano) já está a garantir a perda do poder de compra do seu capital.o resto são lérias.

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