Banca & Finanças Relator da CGD: Não houve pressões políticas nos créditos concedidos

Relator da CGD: Não houve pressões políticas nos créditos concedidos

"Em nenhuma audição houve qualquer declaração da pressão da tutela para aprovação de determinados créditos". Palavras de Carlos Pereira, deputado do PS que escreveu o relatório preliminar do inquérito à Caixa.
Relator da CGD: Não houve pressões políticas nos créditos concedidos
Bruno Elias
Diogo Cavaleiro 04 de julho de 2017 às 11:04

O deputado do Partido Socialista, Carlos Pereira, responsável pelo relatório preliminar do inquérito à Caixa Geral de Depósitos, considera que ficou demonstrado que não houve quaisquer pressões dos vários Governos para a concessão de financiamentos por parte do banco público.

 

"Em nenhuma audição houve qualquer declaração da pressão da tutela para aprovação de determinados créditos", declarou o deputado relator na conferência de imprensa agendada para apresentar o relatório preliminar.

 

Segundo Carlos Pereira, "não é possível demonstrar, pelas audições efectuadas, que as necessidades de capitalização tenham sido decorrentes de crédito concedido por pressões da tutela". O Negócios já tinha dado conta de que o relatório preliminar iria conter esta conclusão.

 

"As explicações que foram dadas são decorrentes de erros de análise, nas avaliações dos créditos, ou erros de projecções", continuou Carlos Pereira, na conferência de imprensa. A comissão de inquérito debruçou-se sobre os últimos 17 anos da CGD.  

 

Carlos Pereira concluiu, também, que a capitalização de 2012, feita pelo Governo PSD/CDS e que envolveu a injecção de 1,65 mil milhões de euros, foi feita pelos "mínimos". Já sobre as razões para essa necessidade de reforço de capital, o deputado do PS diz que as causas "são praticamente consensuais entre os intervenientes e resumem-se na crise económica, e no aprofundamento das exigências regulatórias, obrigando o banco a mais capital".

 

Carlos Pereira defende que o facto de o aumento de capital ter sido concretizado pelos "mínimos" conduziu à necessidade do reforço negociado em 2016 e efectuado no ano seguinte a par da política do Banco Central Europeu, que esmagou a margem com as taxas de juro mínimas.

 

Nas críticas ao Governo PSD/CDS, o relator socialista relembrou ainda o facto de o Tribunal de Contas ter "detectado" uma "falta de controlo" do Ministério das Finanças à CGD.

 

O "ziguezaguear" da internacionalização, com orientações estratégicas distintas, é um aspecto que prejudicou a CGD, e é a vertente em que Carlos Pereira apontou responsabilidades políticas. 

 

Além das conclusões, Carlos Pereira deixou recomendações, nomeadamente para a manutenção da Caixa na esfera pública.


A comissão de inquérito teve início a 5 de Julho de 2016, tendo ouvido 19 personalidades. 




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