Energia REN receia ser "afectada pela investigação em curso" aos CMEC da EDP

REN receia ser "afectada pela investigação em curso" aos CMEC da EDP

Dois dos gestores da empresa foram constituídos arguidos neste processo, mas a REN relembra que "não é arguida " nem está "acusada de qualquer prática criminosa". No entanto, teme impactos na sua reputação.
REN receia ser "afectada pela investigação em curso" aos CMEC da EDP
André Cabrita-Mendes 17 de novembro de 2017 às 16:50

A REN – Redes Energéticas Nacionais receia sofrer um impacto pela investigação aos contratos CMEC (Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual) da EDP.

 

"A REN pode ser afectada pela investigação em curso sobre alegados crimes de corrupção e participação económica em negócio durante a liberalização do mercado da electricidade em Portugal", avisa a empresa liderada por Rodrigo Costa no prospecto de aumento de capital da REN, divulgado na quinta-feira.

"A REN não pode prever o desfecho da investigação ou de quaisquer diligências associadas. Qualquer desenvolvimento negativo destas diligências por referência aos colaboradores da REN ou à REN pode prejudicar a reputação da REN junto do público e dos seus "stakeholders" e pode afectar adversa e significativamente a sua actividade, situação financeira e resultados operacionais", alerta a companhia.

 

A transportadora de electricidade e de gás natural relembra que no dia 2 de Junho a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária e o Ministério Público conduziram buscas na sede da REN em Lisboa no contexto da investigação a alegados crimes de corrupção e participação económica em negócio durante a privatização da EDP e a liberalização do mercado da electricidade português.

 

"Em detalhe, o Ministério Público alega que certos administradores actuais e quadros da EDP, um administrador da REN e um alto quadro da REN e ex-membros do Governo Português poderão ter estado envolvidos num esquema para beneficiar ilegalmente a EDP, empresa anteriormente detida pelo Estado Português e que, por sua vez, detinha o monopólio do mercado eléctrico, a propósito da cessação antecipada de determinados contratos de aquisição de energia durante o período 2004-2007", pode ler-se no documento.

A empresa clarifica a sua posição neste processo: "
A REN não é arguida no processo em causa e de momento não é acusada de qualquer prática criminosa".

E diz que não existem "razões claras" para que gestores da REN estejam sob a alçada da investigação: o administrador executivo João Faria Conceição, que foi assessor de Manuel Pinho no Governo de José Sócrates, e o responsável de regulação da empresa Pedro Furtado.

"As razões que levaram as autoridades a constituir um administrador da REN e um alto quadro da REN como arguidos não são claras, mas a REN encontra-se a trabalhar no sentido de contribuir para se apurarem todos os factos relevantes", declara a REN.

 
Para terminar, a REN diz que já se ofereceu "para colaborar com as autoridades e manifestou-se disponível para disponibilizar informação adicional".


Além dos dois responsáveis da REN, já foram constituídos outros setes arguidos neste processo: Manuel Pinho (ex-ministro da Economia de José Sócrates), António Mexia (presidente da EDP), João Manso Neto (administrador da EDP), Rui Cartaxo (adjunto de Manuel Pinho no Governo de José Sócrates e ex-presidente da REN), Pedro Resende e Jorge Machado (antigos vogais do conselho de administração da EDP), e Miguel Barreto (ex-director da Direcção-Geral de Energia DGEG).




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