Automóvel Renault pede revisão do sistema de portagens

Renault pede revisão do sistema de portagens

O novo responsável da Renault em Portugal, Fabrice Crevola, espera que possam chegar mudanças até ao próximo ano. Em causa está a altura do eixo frontal, que pode fazer alguns modelos passar para a classe 2.
Renault pede revisão do sistema de portagens
Bruno Simão
Wilson Ledo 07 de setembro de 2017 às 22:00

Não faz sentido. Todos concordamos com o facto de que devemos mudá-lo". É deste modo que o novo responsável da francesa Renault em Portugal, Fabrice Crevola, classifica o sistema de portagens no país.

Em causa está o limite de 1,10 metros no eixo frontal das viaturas que, quando ultrapassado, faz os carros passarem para a classe 2 de portagens, mais cara. Esta singularidade em território europeu levou a Renault a não comercializar em Portugal o Scenic curto ou o novo Dacia Duster, que será apresentado na próxima semana no Salão de Frankfurt. Mas o novo Dacia Duster sofrerá uma adaptação para o mercado português, à semelhança do Kadjar, cuja suspensão traseira foi alterada para ser integrado na classe 1. 

"Esperemos mesmo, e a Renault está a pressionar [através da associação do sector, a ACAP], que no futuro este sistema seja mudado", acrescenta o responsável, apontando o próximo ano como meta. A justificar esta mudança estão a evolução do design e do próprio mercado, mais orientado para SUV e "crossovers", e com reflexo numa maior visibilidade face aos peões.

Apesar de prever excepções, a situação já tinha sido contestada, em Maio de 2016, pelo CEO da alemã Opel. "Já não faz sentido", disse Karl-Thomas Neumann ao Negócios. Na altura, quando confrontado, o Governo não previa introduzir alterações ao sistema de portagens, mas já este ano admitiu trabalhar com  o sector para eventual mudança.

Fabrice Crevola, que regressa 22 anos depois a Portugal, onde iniciou o seu percurso no grupo Renault, não deixa, contudo, de se mostrar "entusiasmado" com a nova missão . Vindo da área de marketing para Itália e Grécia, traça como principal meta "permanecer um líder de mercado forte". Actualmente, o grupo conta com uma quota de mercado superior a 17%, se considerada a marca Dacia, e tem o modelo mais comprado pelos portugueses: o Renault Clio.

"O maior desafio é manter este nível de desempenho, trabalhando talvez mais a Dacia. O potencial da Dacia em Portugal é enorme", traça este francês de 46 anos ao Negócios.

Durante a apresentação num almoço com jornalistas esta quinta-feira, 7 de Setembro, Fabrice Crevola destacou o ramo dos carros eléctricos em Portugal, onde a marca ocupa quase metade do mercado. Até Agosto, vendeu 482 destes carros e espera que esse número possa aumentar até ao final do ano, tendo em conta a existência de acordos em negociação com empresas e autarquias. A cidade do Porto foi um dos exemplos dados. "Estamos a falar de futuro, de inovação. Portugal é parte disso", reconheceu.




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comentários mais recentes
peter 08.09.2017

As portagens levaram á desertificação e total abandono do interior de Portugal. Todas as semanas Ia de Lisboa a Belmonte e Guarda, mas passei a gastar mais de portagens que de combustíveis agora deixei de ir.

Tereza economista 08.09.2017

Este país caso não acabem as portagens será um deserto e será Lisboa e o Porto. As portagens devem ser apenas para controlar as entradas nas grandes cidades e o resto um imposto de circulação.

Anónimo 08.09.2017

Porque neste país de chulos, as leis não são feitas para fazer sentido mas para esmifrar o contribuinte com impostos. Onde puderem sacar, sacam. É o único país no mundo onde cobram classe 2 para jipes ou carros com altura frontal superior a 1,10cm.

Anónimo 07.09.2017

Dizem que foi feito para os monovolumes da Auto-Europa pelo então Ministro da Economia. É anacrónico e só os privados (Brisa) lucram

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