Automóvel Renault rejeita entrar na guerra de números entre Mercedes e Volkswagen

Renault rejeita entrar na guerra de números entre Mercedes e Volkswagen

A marca francesa diz que a "polémica" sobre os carros registados no último dia de 2017 "não faz sentido". A Renault apelou ao Governo para aumentar os incentivos para o carro eléctrico.
André Cabrita-Mendes 17 de janeiro de 2018 às 21:20
A Renault rejeitou entrar na guerra de números de vendas entre a Mercedes e a Volkswagen, depois de a Mercedes ter acusado algumas marcas em Portugal de registarem carros no último dia de 2017 com o objectivo de subirem nos rankings de vendas.

"Todos os meses muitas marcas fazem muitas matrículas no último dia, é uma prática comum do nosso negócio. É um fenómeno global do mercado" tanto em Portugal como na Europa, começou por dizer ao Negócios o administrador-delegado da Renault Portugal, Fabrice Crevola, esta quarta-feira, 17 de Janeiro.

O responsável da Renault sublinhou que "foi assim, é assim, e será assim no sector automóvel", adiantando que a Renault não tem necessidade de registar automóveis à última hora para subir no ranking das vendas.

"Esta polémica não faz sentido", defendeu o líder da Renault em Portugal, marca que lidera as vendas no mercado nacional há 20 anos. E deu um exemplo: "Muitas vezes são carros para clientes. Uma marca pode perfeitamente fazer uma matrícula a 29 de Janeiro de um carro que vai ser entregue ao cliente a 10 de Fevereiro", explicou Fabrice Crevola.

Por outro lado, "há marcas que fazem muito isso. Como têm problemas para encontrar clientes, então tem de fazer mais descontos com carros já matriculados, que não são carros novos", adianta o responsável.

Noutros casos, os automóveis que são matriculados sem um cliente são vendidos com um desconto, sendo conhecidos no mercado como veículos "quilómetro zero".

O líder da Renault em Portugal também apelou ao Governo para aumentar os incentivos ao carro eléctrico, um cheque de 2.250 euros limitado às primeiras mil unidades, depois das vendas em 2017 terem superado as 1.800 unidades.

"Não é suficiente ter um incentivo para os carros eléctricos limitado às mil primeiras vendas. Se o Governo tiver vontade de desenvolver os carros eléctricos, então tem de aumentar este valor", apontou Fabrice Crevola. A Renault vendeu 860 carros eléctricos em 2017, entre os modelos Zoe e a Kangoo Z.E.

Guerra de números entre Mercedes e Volkswagen

A Mercedes apontou recentemente que várias marcas em Portugal registaram matrículas no último dia do ano para subirem nos rankings das vendas. A marca alemã disse que é das marcas com menor registo de matrículas no último dia de 2017 (cerca de 10 matrículas) em Portugal, enquanto marcas como a Volkswagen registaram centenas de matrículas.

"A lógica é a de tentar ganhar posições. No caso da Volkswagen para não ficar numa posição abaixo acabou por meter mais matrículas. Não acredito que haja 400 clientes no último dia a comprar", disse o director de marketing da Mercedes, Jorge Aguiar, a 8 de Janeiro. "Se tivéssemos o objectivo de ficar em terceiro, metíamos mais 100 carros e ficávamos nessa posição", adiantou Jorge Aguiar.

Em reacção, a Volkswagen Portugal disse achar "estranho pensar-se que o resultado de um ano inteiro de vendas dependa do resultado do último dia do ano", comentou fonte oficial ao Negócios, esclarecendo que registou 313 matrículas no último dia do ano.

A Mercedes fechou 2017 na quarta posição de vendas, com menos 200 unidades vendidas que a Volkswagen. A Mercedes registou, ainda assim, em 2017 o melhor ano de sempre em Portugal, atingindo um recorde de vendas no país pelo quarto ano consecutivo: 16.273 automóveis ligeiros vendidos, mais 6,3%.



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