Indústria Reserva potencial de lítio em risco de inundação por barragem da Iberdrola

Reserva potencial de lítio em risco de inundação por barragem da Iberdrola

A área onde vai ser construído o sistema electroprodutor da empresa espanhola sobrepõe-se a zonas com elevado potencial para a extracção de lítio. Especialistas defendem estudo da área em simultâneo com a construção do empreendimento.
Reserva potencial de lítio em risco de inundação por barragem da Iberdrola
Negócios 11 de junho de 2017 às 09:58

Uma zona das Covas do Barroso (Trás-os-Montes), onde poderá estar localizado um dos maiores recursos geológicos de lítio do país - matéria-prima para a produção de baterias para a electrificação automóvel -, deverá vir a ser inundada com a construção da barragem do Tâmega, uma obra da eléctrica Iberdrola.

De acordo com o Público, que avança a notícia, este é um dos aspectos negativos identificados no estudo do Grupo de Trabalho do Lítio encomendado pelo Governo e para estudar as potencialidades do país na extracção deste mineral.

O campo em causa, Barroso-Alvão, conta com as maiores reservas de petalite e espodumena do país, com pelo menos meio milhão de toneladas em que a concentração média de óxido de lítio é muito superior a 1% e 14 milhões de toneladas de minério com 1% de concentração.

A obra da Iberdrola foi entretanto alvo de reclamação de Alexandre Lima, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, junto da Agência Portuguesa do Ambiente, que analisa a Declaração de Impacto Ambiental da barragem.

O especialista alega que a inundação daquela área (que se sobrepõe às concessões mineiras existentes na zona) pode degradar os filões de lítio e comprometer a conservação das futuras albufeiras e a qualidade da água. Quer continuar a estudar a área mas não acredita que a obra da barragem possa ser interrompida, refere a mesma publicação.

Uma das soluções para conciliar barragem e extracção de lítio poderá ser aproveitando as rochas extraídas na prospecção daquele mineral para a construção da própria barragem, permitindo o avanço simultâneo dos dois empreendimentos.

No último ano, aquela zona do país tem merecido o interesse de várias multinacionais de prospecção mineira. A Dakota, que avalia em Montalegre a possibilidade de produzir localmente derivados de lítio, já confirmou a adequabilidade dos recursos encontrados para a produção de baterias.

Em finais de Maio a mineira Savannah, sediada em Londres, anunciou a compra de uma posição maioritária de 75% na Slipstream Investments, a empresa que detém os direitos de exploração de quartzo, feldspato e lítio na Mina do Barroso, concelho de Boticas, Trás-os-Montes.   

No ano passado o Estado recebeu mais de 30 pedidos para prospecção e pesquisa de lítio que ainda não tiveram resposta, tendo o grupo de trabalho apontado esta profusão de entidades candidatas a explorar como uma das ameaças ao potencial do país na extracção de lítio, defendendo a criação de escala para que o projecto seja economicamente viável.


A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
pertinaz Há 1 semana

JÁ SE PERCEBEU QUE NOS ÚLTIMOS MESES A ESCUMALHA DE JORNALEIROS RECEBEU ESTA NOTÍCIA POR ENCOMENDA...!!!

Anónimo Há 2 semanas

E uma pena mesmo como o País tem sido vendido .! Todas as nossas grandes empresas que eram a nossa garantia e sustentabilidade a não ser de momento o actual Presidente só tivemos corruptos feirantes .Acho infelizmente que na linha do futuro se assim continuar nós povo teremos de parar o país por com

GLINTT Há 2 semanas

A nossa tecnológica GLINTT vai ser a próxima a duplicar, as campeãs de prejuízos já subiram 100% e a GLINTT que dá lucro e já foi alvo de OPA subiu 30%. Pode ser alvo de outra OPA da Farminveste para a tirar da Bolsa. Mas deviam agora pagar 1€ cada acção. Já valeu 5€ em 2004.

Anónimo Há 2 semanas

A necessidade de Lítio para o futuro dos automóveis elétricos é evidente e já preocupa fabricantes de automóveis como Volkswagen. Quem tiver Lìtio para extrair vai ter grandes lucros pois o preço do mineral já explodiu a mais de 100% de alta desde 2015.

ver mais comentários
pub
Saber mais e Alertas
pub
pub
pub