Banca & Finanças Ricardo Salgado diz que "tudo valeu" para o condenar

Ricardo Salgado diz que "tudo valeu" para o condenar

O ex-presidente do BES afirma, no pedido de impugnação da decisão do Banco de Portugal que esta semana começou a ser julgado em Santarém, que "tudo valeu" para o condenar e que foram ignorados elementos "que impunham uma absolvição".
Ricardo Salgado diz que "tudo valeu" para o condenar
Lusa 09 de março de 2017 às 15:31

O Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS), em Santarém, está a julgar, desde segunda-feira, o pedido de impugnação da contra-ordenação de quatro milhões de euros aplicada pelo Banco de Portugal (BdP) ao ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, bem como o recurso interposto por Amílcar Pires, condenado ao pagamento de 600.000 euros e inibição do exercício de cargos financeiros durante três anos.

 

Ricardo Salgado foi condenado pelo BdP, em Agosto de 2016, ao pagamento de quatro milhões de euros, e ainda a inibição do exercício de cargos e funções em instituições financeiras por 10 anos, por, nomeadamente, ter permitido que fossem comercializados títulos de dívida da Espírito Santo Internacional (ESI) junto de clientes do BES apesar de conhecer a situação líquida negativa da ESI.

 

Além de Ricardo Salgado, que optou por não prestar declarações nesta fase inicial do julgamento, o TCRS está igualmente a analisar o pedido de impugnação apresentado por Amílcar Pires, tendo José Maria Ricciardi, ao qual foi aplicada uma coima de 60.000 euros suspensa em três quartos por cinco anos, desistido do recurso.

 

No pedido de impugnação, consultado pela Lusa, Ricardo Salgado lamenta que o BdP tenha feito tudo para o condenar, a começar pelo anúncio das medidas de resolução ao BES em conferência de imprensa, apenas três dias depois da deliberação de instauração do processo de contra-ordenação, numa "condenação antecipada e anunciada em plena praça pública".

 

Refere ainda, entre outros, a não gravação das inquirições antes da acusação (criticada pela Relação de Lisboa), o impedimento de produção de prova requerida por certos recorrentes, a "delação premiada" (inquirição de arguidos como testemunhas), ter permitido perguntas a uns mandatários e impedido a outros e a absolvição de arguidos apesar de dar como provado que sabiam que estavam a aprovar e a assinar contas falsas da ESI.

 

"Tudo valeu", lê-se no pedido de impugnação apresentado junto do TCRS contra "um julgamento em causa própria, mas também em casa própria", em que foram aproveitados elementos sem credibilidade e ignorados elementos credíveis "que impunham uma absolvição".

 

Salgado invoca entrevistas dadas pelo governador do BdP com detalhes da decisão final a serem divulgados "quando os arguidos ainda estavam a abrir o envelope da notificação que continha" essa decisão.

 

"Esta chocante falta de imparcialidade não pode continuar a ser ignorada e tem de ter as necessárias consequências jurídicas, nomeadamente a nível constitucional. Também suscita questões de inconstitucionalidade o modelo que permite ao BdP acumular poderes de supervisão, entidade de resolução e de acção sancionatória", acrescenta.

 

Para o antigo banqueiro, o que se fez na fase administrativa foi "mera formalidade para executar uma decisão já tomada" ainda antes de qualquer diligência de instrução.

"Foi uma farsa", afirma, assegurando que vive de consciência tranquila com os factos, as provas e o direito e na convicção de que este julgamento será "sereno" e "objectivo".

 

Segundo o processo consultado pela Lusa, Salgado foi acusado da prática de actos dolosos de gestão ruinosa praticados em detrimento de depositantes, investidores e credores, mas também por situações como a comunicação ao BdP de um aumento do valor do activo da ESI em mil milhões de euros "que sabia não existir, deste modo ocultando a falência técnica e insustentabilidade da ESI e o impacto que teria nas diversas entidades financeiras do GES [Grupo Espírito Santo] e condicionando a avaliação da suficiência e adequação das medidas adoptadas pelo BdP".

 

O julgamento, que tem sessões marcadas de segunda a quinta-feira das próximas semanas, está em fase de inquirição de testemunhas, depois de ouvido o depoimento de Amílcar Pires.

 


A sua opinião12
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Ventura Santos 10.03.2017

Nos anos 90, o tio Cavaco deu-lhes um banco remodelado e muito maior do que a espelunca que tinham em 1974 e em troca deram-nos um buraco. Um conselho gratuito, continua a pagar bem aos guarda-costas judeus que te protegem, senão um dia destes são eles mesmos que são contratados para tapar o buraco.

Fernando Tavares 10.03.2017

Ladrao,ladrao,ladrao,ladrao,ladrao,ladrao.

Nao devia ter direito a vida,é uma figura muito baixa,sem escrupulos,sem principios,roubou o dinheiro aos que trabalham,coisa que ele nunca fez,pois so aprendeu a roubar.

alcpf 09.03.2017

Num país com justiça séria, tu eras trucidado...

Salgado é uma ratazana malvada! 09.03.2017

No próximo domingo R. Salgado vai à sua capela deitar o ferroto de fora e mamar a hóstia! Faz vénias ao sr. Abade e cumprimenta alguns quando na missa "dizem a paz esteja convosco"! Saudemos uns aos outros! Se fosse nos EUA estaria no banho a apanhar sabão, guinchava q nem uma ratazana de esgoto!

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub