Banca & Finanças Rússia resgata maior banco privado do país

Rússia resgata maior banco privado do país

Os depositantes e detentores de dívida do Bank Otkritie FC não vão ser penalizados e o banco "continuará a funcionar normalmente, a cumprir as suas obrigações e a fazer novos negócios".
Rússia resgata maior banco privado do país
Nuno Carregueiro 29 de agosto de 2017 às 16:25

O banco central da Rússia anunciou esta terça-feira, 29 de Agosto, que vai assumir o controlo do Bank Otkritie FC, o oitavo maior do país e até há pouco tempo o de maior dimensão entre os privados.

 

A operação não recorrerá a um "bail-in" - ou seja, não forçará perdas aos credores e aos depositantes do banco.

 

Em comunicado, o banco central afirma que vai passar a ser o maior accionista do Otkritie, injectando fundos públicos na instituição, que "continuará a funcionar normalmente, a cumprir as suas obrigações e a fazer novos negócios".

 

O resgate do Otkritie surge depois de este banco ter sofrido, a partir de Junho deste ano, uma elevada fuga de depósitos, o que o levou mesmo a perder o estatuto de maior banco privado russo no mês passado para o Alfa-Bank JSC. De acordo com o Financial Times, o banco perdeu 611 mil milhões de rublos (12,4 mil milhões de euros) em depósitos em dois meses, o que corresponde a cerca de 20% do seu balanço. 

 

Segundo a Bloomberg, este é o maior resgate de um banco privado russo desde que o Bank of Moscow foi intervencionado em 2011. 

 

Esta é também a primeira queda de um dos 10 bancos que foram considerados ter risco sistémico, desde que a actual governadora do banco central russo iniciou em 2014 um processo de reforço da banca russa através da retirada da licença a várias instituições subcapitalizadas.

Oligarcas entre os accionistas

 

Entre os accionistas do Otkritie está o fundador da petrolífera Lukoil, Vadim Belyaev, o banco estatal VTB, e os oligarcas Alexander Nesis e Alexander Mamut. De acordo com o banco central, os accionistas e a gestão desta instituição aceitaram cooperar com os reguladores, "assegurando a continuidade do banco e os seus serviços sem interrupção".

Balaev, que era o maior accionista, assumiu recentemente o cargo de CEO do Otkritie perante as dificuldades do banco, o que não foi suficiente para acalmar os clientes e investidores. O anterior CEO do Otkritie foi um dos que decidiu retirar o dinheiro do banco nos últimos meses.

 

Apesar de não ter optado por forçar perdas aos depositantes e detentores de dívida, a Rússia introduziu em Maio um novo regime de "bail-in", que permite ao banco central assumir o controlo de bancos em dificuldades através de um fundo criado para o efeito, obrigando os investidores a participarem nos custos de recapitalização.


Dado que o resgate do Otkritie não vai ser efectuado através de um "bail-in", as obrigações subordinadas do banco estão em forte alta, com a "yield" dos títulos com maturidade em Abril de 2018 a descer 27 pontos percentuais para 23,41%. As acções valorizam 3%, no primeiro dia de ganhos em seis sessões.

 

Responsáveis do sector financeiro russo, citados pelo Financial Times, calculam que o Otkritie tem um buraco nas contas que é equivalente ao do Bank of Moscow em 2011, necessitando de uma recapitalização de 14 mil milhões de dólares.

"Aparentemente o Otkritie vai ser salvo a qualquer preço", afirmou Vladimir Miklashevsky, economista do Danske Bank. "Especialmente antes das eleições presidenciais", acrescentou à Bloomberg.




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