Banca & Finanças Salários do Montepio congelados por dois anos

Salários do Montepio congelados por dois anos

O acordo de empresa da caixa económica negociado com o SNQTB impede despedimentos colectivos no próximo ano. Será constituída uma comissão para rever a retirada dos subsídios de isenções de horário no Montepio.
Salários do Montepio congelados por dois anos
Pedro Elias
Diogo Cavaleiro 28 de dezembro de 2016 às 14:03

Os salários do Montepio vão ficar congelados por dois anos, segundo o Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários (SNQTB). Este é um dos pontos fechados na negociação do Acordo de Empresa da caixa económica com o sindicato.

 

A primeira intenção da instituição presidida por José Félix Morgado (na foto) era a de impor cortes salariais aos funcionários do Montepio, posição rejeitada pelos sindicatos. A proposta seguinte foi o congelamento salarial por três anos, período que ficou reduzido para dois na conclusão do processo, segundo indica o presidente do SNQTB, Paulo Marcos, num vídeo disponibilizado no site oficial.

 

Para compensar o congelamento salarial, caso haja resultados positivos do Montepio em 2018 e 2019, poderá haver a distribuição extraordinária de resultados pelos trabalhadores até ao montante de 5% "dos resultados positivos obtidos no ano da distribuição". Nos últimos anos, a caixa económica tem reportado prejuízos mas o orçamento para 2017 prevê o regresso aos lucros, segundo o plano a debater em assembleia-geral esta quarta-feira.

 

Além de os funcionários terem os salários sem alteração em 2016 e em 2017, o Montepio não poderá recorrer ao despedimento colectivo até ao final do próximo ano. Apesar disso, a caixa económica pediu ao Ministério do Trabalho a classificação como empresa em reestruturação, processo que permite reduzir pessoal, por exemplo através de rescisões, garantindo a quem aceita o acesso ao subsídio de desemprego.

 

"Durante o período transitório [até 31/12/2017], [ficou decidida a] realização de um estudo de planeamento remuneratório com vista a propugnar pela equidade salarial, vertida numa tabela salarial base para todas as instituições subscritoras", indica ainda o comunicado da Febisa, a federação dos sindicatos independentes da banca, em que está o SNQTB e o Sindicato Independente da Banca, e que dá o processo negocial com o Montepio para o texto do Acordo de Empresa como fechado.

 

O Montepio não respondeu às questões do Negócios sobre o tema.

 

Retirada de isenções de horários de trabalho com comissão especial

 

O Acordo de Empresa está a ser negociado já que a caixa económica se recusou a assinar o Acordo Colectivo de Trabalho que uniu o sector bancário às instituições financeiras portuguesas este Verão. 

 

Neste contexto, além do Acordo de Empresa, um aspecto que foi alvo de conversações entre a equipa do Montepio e os sindicatos foi a retirada dos subsídios de isenção do horário de trabalho, alvo de um protocolo paralelo. Este processo implicou a diminuição de remuneração a 500 funcionários da caixa.

 

"Finalmente, e porque sabemos que muitos dos nossos associados foram lesados por um incompreensível processo de retirada de isenções de horário, foi negociada a constituição de uma comissão paritária para análise jurídica das situações de retirada das IHT, cujo protocolo será assinado simultaneamente com o ACT MG e iniciará funções em Janeiro de 2017", indica ainda a nota.

 

Caso a comissão paritária não atinja "resultados satisfatórios", "a FESIBA está disposta a recorrer para tribunal, existindo provas testemunhais e/ou outras das condições acordadas aquando da admissão".

 

Transformação em sociedade anónima com efeitos em 2018

 

Ao mesmo tempo que negociou com os sindicatos o Acordo de Empresa, o Montepio preparou uma alteração jurídica para satisfazer uma exigência do Banco de Portugal. A transformação da caixa em sociedade anónima vai fazer com o que seu capital passe a ser composto por acções, um passo que permite que, no futuro, parte do capital seja disperso por outros investidores – uma intenção que tanto a caixa como a sua proprietária única, a Associação Mutualista, rejeitam.

 

Esta transição para sociedade anónima vai fazer com que, até Março de 2018, o fundo de participação da caixa, cujas unidades estão admitidas à negociação e cotadas no índice PSI-20, possa ser amortizado ou convertido em capital (com as unidades a passarem a acções). A decisão de transformação em sociedade anónima já foi tomada em assembleia-geral da caixa económica mas a sessão que o decidiu foi suspensa até 6 de Janeiro de 2017.

 

Plano de acção prevê desconsolidação de subsidiárias

 


Antes dessa reunião, há uma outra assembleia esta quarta-feira, 28 de Dezembro, em que o ponto único é a deliberação sobre o programa de acção e orçamento da caixa económica para 2017.

 

O aumento do contributo das comissões para os resultados e a redução dos custos com fornecedores e serviços externos fazem parte das intenções inscritas no documento. Outro aspecto é a "alocação justa dos custos e benefícios entre a caixa económica e a associação mutualista", liderada por António Tomás Correia (antigo líder da caixa, na foto acima), ainda que não seja explicado o motivo. No ano passado, o esforço para a capitalização da caixa foi o grande responsável pelos prejuízos da mutualista. 

 

A caixa económica bancária pretende igualmente alienar carteiras não performantes (como crédito malparado) e desconsolidar subsidiárias que possam pesar nos rácios da instituição. As unidades africanas vão, segundo revelou o banco em Agosto, passar para uma "holding" com outros bancos como o Rabobank. 

O documento, divulgado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), também prevê o "reforço do sistema de controlo interno" com medidas implementadas este ano com efeitos em 2017. O Público noticiou esta quarta-feira que o Montepio, na anterior administração de Tomás Correia, foi alvo de acusações do Banco de Portugal precisamente por falhas na prevenção do branqueamento de capitais.


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mais votado joaoaviador 28.12.2016

Já repararam como, num repente, deixaram de falar no Silva dos negócios no estrangeiro? Isto afinal está mesmo tudo ligado. Vergonha é que continua a não haver nenhuma!

comentários mais recentes
Quais salários? 29.12.2016

Os da administração?

pertinaz 29.12.2016

MAIS UM BANCO PARA CONGELAR

PAGA ZÉ

OS AMIGOS DA ESCUMALHA DA ESQUERDALHA CANALHA NÃO PODEM FICAR A PERDER.....

Anónimo 28.12.2016

Vão ver quem é que decide as remunerações dos dirigentes do banco/ Caixa Montepio. Também lá há a famosa comissão de remunerações dos elementos dos órgãos sociais - administração e outros - que é chefiada por um antigo colega e superior do Morgado, vindo também da Inapa, mais 2 indivíduos, todos eles fazendo parte também dos órgaõs sociais, ou sejam os tipos decidem entre eles quanto é que querem ganhar/ sacar, decidem em causa própria, enquanto os salários dos trabalhadores não são atualizados desde 2009.
E não há quem, sendo principescamente pago para o fazer como é o caso do BdP, ponho termo a esta pouca-vergonha.

Anónimo 28.12.2016

Consultem as contas do Montepio e vejam quanto estes ladrões ganham por mês. O presidente + 30.000€ por mês e o resto dos cretinos da administração, sim que no Montepio são ao todo 7, ganham 21.000€ e depois os trabalhadores que trabalham nesta casa há + 20 anos levam para casa 1.000€.

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