Banca & Finanças Santana Lopes: "Se for um risco indevido, não entramos" no Montepio

Santana Lopes: "Se for um risco indevido, não entramos" no Montepio

"A Santa Casa tem resultados como nunca teve e não vou dar cabo disso", disse Pedro Santana Lopes, alertando que não vai ser tomada nenhuma decisão de entrar no Montepio "sob stress temporal".
Santana Lopes: "Se for um risco indevido, não entramos" no Montepio
Bruno Simão/Negócios
Nuno Carregueiro 06 de junho de 2017 às 21:28

Pedro Santana Lopes deixou hoje vários alertas e recados sobre o processo de estudo de entrada da Santa Casa no capital da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG).

 

O provedor da instituição alertou que o processo está ainda numa fase inicial, que é preciso tempo para tomar uma decisão e que, neste processo, a Santa Casa não vai assumir riscos que não possa comportar.

 

"Não ponho a Santa Casa em risco. Isso está fora de questão", disse Santana Lopes em entrevista à SIC, acrescentando que se for considerado que o investimento no Montepio é "um risco indevido, não entramos, não tenha duvidas nenhumas sobre isso".

 

Reforçou que a missão da Santa Casa passa pelo investimento em acção social e saúde e que esse continuará a ser o foco da instituição. "Acha que queremos fazer alguma coisa que arruíne a Santa Casa?", questionou Santana Lopes, assinalando que "a Santa casa tem resultados como nunca teve e não vou dar cabo disso".

"Estamos a investir como nunca aconteceu na acção social" e "vamos continuar", disse o provedor da Santa Casa, enumerando vários novos projectos da instituição nesta área.

 

Admitindo que dificilmente a Santa Casa iria analisar o dossiê Montepio por iniciativa própria, Santana Lopes acrescentou que se houver um "projecto com cabeça, tronco e membros que o justifique, entraremos [no Montepio], se não, diremos não".

 

Contudo, "se houver um risco que seja considerado intolerável, excessivo e pesado, a Santa Casa não entra. Como também não entra se não entrarem outras entidades da economia social, como as misericórdias", avisou.

 

"Não há pressa"

 

Santana Lopes impôs ainda várias outras condições para que se materialize esse investimento, nomeadamente no tempo em que vai ser tomada a decisão e no preço a que poderá ser concretizada.

 

Não há "pressa na decisão", disse Santana Lopes, ilustrando que "nunca reuni com Tomás Correia", que é presidente da Associação Mutualista, e que só hoje discutiu o assunto com Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias. "Estamos no princípio" do processo e "sob stress temporal não decidimos", avisou, acrescentando que "se querem que isto tenha alguma hipótese de viabilidade, dêem-nos tempo para decidir", pois "não foi feita a auditoria e não temos ainda os relatórios dos auditores internos e externos". Antes, Santana Lopes tinha dito que uma decisão final seria tomada até final de Junho.

 

Sobre o preço a que poderá ser feita a operação, Santana Lopes avisou que não vai ser ao valor que o vendedor pretende e que o potencial investimento será "na medida das nossas disponibilidades" e "só entramos se tivermos o risco bem medido".

 

Reconhecendo que a Santa Casa tem "disponibilidades financeiras consideráveis" e que os depósitos pagam actualmente uma taxa de juro muito baixa, adiantou que a Santa Casa tem a obrigação de "estudar o processo", mas a principal passa por investir em "acção social e saúde".

 

A "Santa casa está a estudar um dossiê que as autoridades lhe solicitaram", mas "se a Santa Casa decidir que não entra, julgo que não será por isso que o governo" afastará a administração, disse Santana Lopes, avisando que se for imposta uma solução com a qual não concorde, sairá da instituição.

 

Afirmando que o Governo e as autoridades têm tido uma postura "correctíssima", Santana Lopes avisou que "no interesse nacional a Santa Sasa não pode ser prejudicada" e que "não quero ser banqueiro".

 

Admitindo que não sabe ainda se o investimento no Montepio será um bom negócio – isso serão os consultores contratados a concluir – Santana Lopes ironizou ainda, dizendo que "o banco é tão mau que há vários bancos privados interessados nele".


(notícia actualizada às 21:58 com mais informação)




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mais votado JCG Há 2 semanas

Um país de farsantes. Isto parece um circo. Ainda ontem na SIC a perguntadora de serviço (parece que se chama Clara de Sousa) abriu a saraivada de perguntas a SL começando se lhe tinham pedido para salvara o Montepio... pedirem a SL ou à Misericórdia para "salvar o Montepio"?!.. Se alguém ou o Governo e os diversos actores como o BdP querem "salvar o Montepio" o caminho não é injectar mais dinheiro, é, sim, injectar melhor gestão. E isso passa por correr com os oportunistas que lá abancaram e que estão agarrados que nem lapas, nomeadamente Tomás Correia e padre Melícias. Que palhaçada é essa de andarem a tratar de "salvar o Montepio" com o envolvimento directo e determinante de quem o afundou?

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Conversa para boi manso. Isto parece tudo uma corja mafiosa controlada por várias famílias, e, quem mais roubar melhor ficou. Para além do reles contribuinte já espoliaram a SS e preparam-se para mais uma golpada. Já sinto saudades duma ditadura que trate de limpar o sebo a esta inimputável cambada de parasitas e de oportunistas. Se isto é democracia então Salazar merecia ser considerado o pai da democracia tuga.

Anónimo Há 2 semanas

Algo de muito estranho está para acontecer com Montepio (UP), penso que o Sflopesbig e outro como ele, já sabem bem o final desta história, simplesmente estão à espera que a cotação das UP baixem ,e depois a Stcasa adquire as mesmas ao preço da chuva!...

JCG Há 2 semanas

Um país de farsantes. Isto parece um circo. Ainda ontem na SIC a perguntadora de serviço (parece que se chama Clara de Sousa) abriu a saraivada de perguntas a SL começando se lhe tinham pedido para salvara o Montepio... pedirem a SL ou à Misericórdia para "salvar o Montepio"?!.. Se alguém ou o Governo e os diversos actores como o BdP querem "salvar o Montepio" o caminho não é injectar mais dinheiro, é, sim, injectar melhor gestão. E isso passa por correr com os oportunistas que lá abancaram e que estão agarrados que nem lapas, nomeadamente Tomás Correia e padre Melícias. Que palhaçada é essa de andarem a tratar de "salvar o Montepio" com o envolvimento directo e determinante de quem o afundou?

Mr.Tuga Há 2 semanas

Ganda Flopes!

Gestão de "risco" e "rigor" é com ele..... Viu-se na CML ....
Não tarda e a SCM vai pedir ajuda aos TROKOS.....

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