Comércio Sector da distribuição criou 9.700 empregos

Sector da distribuição criou 9.700 empregos

Segundo os dados da associação que representa o sector, 72% dos trabalhadores têm contratos efectivos. Mas os dados divulgados esta quinta-feira mostram que o número de contratos a prazo tem vindo a aumentar desde 2011.
Sector da distribuição criou 9.700 empregos
Sara Ribeiro 01 de junho de 2017 às 16:14

As empresas de retalho e distribuição criaram 9.700 postos de trabalho entre 2011 e 2015, ano em que o sector somava mais de 110 mil trabalhadores. Os dados foram divulgados pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição esta quinta-feira, 1 de Junho, no âmbito da apresentação do estudo As Nossas Pessoas – Um Retrato Social da Distribuição.

Para a directora-geral da associação, Ana Isabel Trigo Morais, estes números revelam que o sector, que representa 10% do PIB, "é resiliente", apesar da crise que levou à forte quebra do poder de compra das famílias durante o período em análise.

A responsável admitiu que houve um "ajustamentos das pessoas", devido ao ciclo económico negativo. "Foi um momento muito duro, mas o sector conseguiu criar emprego", reforçou.

A APED destacou ainda que de acordo com a análise efectuada às 129 empresas associadas à data, 72% dos trabalhadores tinham vínculo efectivo no ano de 2015, "e mais de metade se encontra a trabalhar na mesma empresa há pelo menos cinco anos".

No entanto, analisando os dados do estudo, conclui-se que o número de contratos a termo tem vindo a aumentar desde 2011. À data, os contratos a prazo representam 21,8% do total e os contratos efectivos 78,2%. Em 2015 o número de trabalhadores com contratos a termos aumentou para 27,6%, ao passo que os trabalhadores que faziam parte dos quadros das empresas desceram para 72,4%.

A sazonalidade, como os períodos do natal, Páscoa ou promoções são alguns dos motivos que explicam esta evolução. "Temos de adaptar a nossa mão-de-obra à sazonalidade do sector. O comércio hoje em dia é cada vez mais sazonal", explicou Ana Trigo Morais. Além disso, sublinhou que dada esta realidade da actividade das empresas " é preciso também que haja instrumentos que permitam reforçar as equipas quando há um pico de actividade".

Mulheres lideram sector

De acordo com o mesmo estudo, a percentagem de trabalhador em part-time do sector ronda os 10%, "a segunda taxa mais baixa da União Europeia".

Quanto ao género, as mulheres predominam, representando 66,7% do total de colaboradores das empresas associadas da APED, entre as quais a Jerónimo Martins, Auchan, Fnac, Sonae, Calzedonia, Ikea ou, por exemplo, o Grupo Dia.

"Cerca de metade do universo feminino tem mais de 35 anos, sendo a população masculina mais jovem, com 40% dos colaboradores acima desta idade", detalha o estudo.

Em termos de qualificação, 90% dos trabalhadores têm pelo menos o terceiro ciclo completo, sendo a qualificação que mais se regista a do ensino secundário (44%).

No entanto, a APED sublinha que " a percentagem de colaboradores com ensino superior universitário tem vindo a aumentar, atingindo um máximo de 10,3% em 2015".

Uma alteração que é justificada, no estudo, pela "alteração dos perfis de recrutamento no sector", bem como "pelas iniciativas dos associados de incentivo à instrução e/ou frequência universitária dos seus colaboradores"




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comentários mais recentes
Anónimo 01.06.2017

As esquerdas sindicais que vêem no factor trabalho um fim em si mesmo e no sindicato o clube que fanaticamente apoiam quais tiffosi inebriados pelo keynesianismo desmiolado e o marxismo anti-capital, como se houvesse alguma distinção entre os factores produtivos a não ser aquela que advém do valor que a sua combinação consegue gerar com base na mais economicamente racional alocação dos mesmos, têm que perceber que a crise económico-social de equidade e sustentabilidade que se vive é acima de tudo culpa sua porque é com base nas profundas distorções de mercado que fomentam que outras distorções de mercado obtêm as condições para surgir e proliferar.

Anónimo 01.06.2017

Porque dão tempo de antena a esta senhora e à APED? Vão falar com o retalho tradicional, perguntar quantas falências aconteceram porque Continentes, Pingo Doces e Cia tudo massacram à volta. É isto que queremos para o país? Lojas todas iguais que vendem fruta espanhola congelada?

Pinto 01.06.2017

Como se engana as pessoas contando a verdade... mas só parte. Sempre que se cria um emprego, mal pago, nos associados da APED, destrói-se mais do que um emprego ou até uma empresa no retalho tradicional. Claro que se só perguntar aos associados da APED, o emprego subiu. A APED é um lobby, nada mais.

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