Automóvel Segundo pré-acordo sobre novos horários contestado pelos trabalhadores da Autoeuropa

Segundo pré-acordo sobre novos horários contestado pelos trabalhadores da Autoeuropa

O pré-acordo sobre novos horários de trabalho da Autoeuropa foi contestado nos plenários da semana passada e não é certo que seja aprovado no referendo que está previsto quarta-feira, disseram à agência Lusa fontes conhecedoras do processo.
Segundo pré-acordo sobre novos horários contestado pelos trabalhadores da Autoeuropa
Bruno Simão
Negócios com Lusa 28 de novembro de 2017 às 00:58

Segundo as mesmas fontes, que pediram anonimato, muitos trabalhadores contestaram os termos do pré-acordo que foi assinado pela administração e por todos os elementos da Comissão de Trabalhadores, pelo que se mantém o conflito laboral.

 

Ao Negócios, um trabalhador da Autoeuropa afirmou que o referido pré-acordo foi chumbado em três plenários. "Quarta-feira será a votação, mas é quase certo que não irá passar. As pessoas querem que os fins-de-semana não sejam obrigatórios e que sejam pagos como trabalho extraordinário", sublinhou.

 

"Penso que a solução há muito tempo defendida de um turno fixo só ao fim-de-semana é a melhor", acrescentou a mesma fonte.

"O que se passa é o seguinte: a administração quer cinco dias de trabalho por semana, com um dia de descanso ao domingo e o outro num dia útil. Para isso, oferece um prémio de 175 euros mensais. Mas se neste momento eu fizer dois sábados por mês, ganho mais do que esses 175 euros suplementares. A administração quer que trabalhemos três sábados por mês, por menos dinheiro", explicou. "E não é só esta a questão. As pessoas querem poder estar com as famílias e amigos ao fim-de-semana, sem serem obrigadas a trabalhar aos sábados".

 

Segundo o mesmo funcionário, "foi proposto pelos trabalhadores à administração implementar um horário que já existe na VW Espanha e que consiste em trabalhar apenas aos fins-de-semana. Ou seja, quem aceitar fica com um horário de trabalho de 12 horas ao sábado e 12 horas ao domingo, ficando os restantes cinco dias em casa. Há voluntários para isso".

 

O pré-acordo assinado no passado dia 20 de Novembro estabelece os termos do trabalho ao sábado e da laboração contínua (três turnos diários), que deverá ter início depois das férias de Agosto de 2018, questões que estiveram na origem da primeira greve na empresa por razões laborais e que provocaram a demissão da anterior Comissão de Trabalhadores, após a rejeição de outro pré-acordo.

 

Sinal de que a situação na fábrica de automóveis de Autoeuropa está longe da pacificação que o pré-acordo as poderia fazer prever, o SITESUL, Sindicato dos Trabalhadores das Industrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul defendeu esta segunda-feira em comunicado distribuído aos trabalhadores "a retribuição de todo o trabalho extraordinário em conformidade com os valores actualmente praticados".

 

No documento, a que a agência Lusa teve acesso, o SITESUL defende também que "o futuro regime de horário de trabalho a implementar após as férias (de Agosto de 2018) seja de adesão voluntária" e que a "laboração contínua" seja discutida à margem do processo negocial sobre os horários que deverão vigorar de Fevereiro a Agosto de 2018 (fase transitória até ao arranque da laboração contínua).

 

A Autoeuropa estima produzir mais de 200.000 veículos Volkswagen T-Roc em 2018, quase triplicando a produção de 2016, o que levou a empresa a contratar cerca de 2.000 novos trabalhadores e a decidir a abertura de um sexto dia de produção aos sábados.

 

A agência Lusa tentou ouvir uma fonte oficial da empresa e a Comissão de Trabalhadores mas não foi possível.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

COME E CALA-TE será assim ? Quem está a dar ao fisico todos os dias e noites ( sabados e domingos) a trabalhar em série ? Quem comenta têm a noção do que diz ? Ou será a imbecilidade das pessoas que gostam dar palpites?O trabalhador é obrigado a trabalhar fora das horário estabelecido por lei?

Anónimo Há 1 semana

PPPPUUUUMMMMM!..... e depois cá está a SS para lhes pagar o subsídio de desemprego! o pior é que vem (ou não) a seguir... trabalhar pelo salário mínimo e ficam muito melhor....

Anónimo Há 2 semanas

Parece impossível que a Ford e a VW, quando decidiram investir na Autoeuropa não tenham avaliado o risco geopolítico das várias regiões portuguesas. Devem ter sido enganados pelos centralistas (políticos, grandes escritórios de advogados, etc).

de Há 2 semanas

Aqui está o reflexo nas empresas do que é a geringonça.. esta mer... vai acabar muito mal. O xul..dos sindicatos haviam de ficar com esta gente ao colo. São os maiores parasitas e corruptos que existem ..

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