Banca & Finanças Seis bancos canadianos estão a ser acusados de conspirarem para manipular a taxa de juro

Seis bancos canadianos estão a ser acusados de conspirarem para manipular a taxa de juro

Um fundo de pensões do Colorado acusa seis dos grandes bancos canadianos e três instituições estrangeiras de terem conspirado para manipular a taxa de juro de referência do Canadá com o objectivo de aumentarem os lucros com a negociação de derivados.
Seis bancos canadianos estão a ser acusados de conspirarem para manipular a taxa de juro
Ana Laranjeiro 16 de janeiro de 2018 às 09:48

Seis bancos canadianos estão a ser acusados de terem conspirado para manipular a taxa de juro de referência do país. A acusação está a ser feita por um fundo de pensões com sede no estado norte-americano do Colorado, o Fire & Police Pension Association of Colorado.

E, de acordo com a notícia da Bloomberg, este fundo refere que os seis bancos e três outras entidades estrangeiras – o Toronto-Dominion Bank, o Royal Bank of Canada, o Bank of Nova Scotia, Bank of Montreal, Canadian Imperial Bank of Commerce, National Bank of Canada, o HSBC,o Bank of America e o Deutsche Bank - conspiraram para manipular a taxa directora com o objectivo de impulsionar "os lucros ilegítimos" obtidos com a negociação de derivados. Algo que terá ocorrido durante vários anos até 2014.

No processo que deu entrada num tribunal de Nova Iorque, o fundo de pensões refere que as instituições financeiras tentaram impulsionar os seus lucros com a negociação de derivados através da manipulação da Canadian Dealer Offered Rate (CDOR), a taxa de juro de referência, relata a agência de informação. No processo consta ainda que estas práticas duraram quase sete anos.

Este fundo – que tem sob gestão 4,66 mil milhões de dólares – diz que estes bancos "reduziram a quantidade de juros devidos", o que fez com que os investidores tivessem que pagar mais ou tivessem um retorno inferior ao valor gerado através da negociação de derivados com base no CDOR.

De acordo com o processo, citado pela Bloomberg, "os réus conspiraram para suprimir a CDOR ao fazerem submissões artificialmente mais baixas e que não reflectiam a verdadeira taxa à qual emprestavam dólares canadianos na América do Norte".

"A análise económica mostra que os réus fizeram de forma consistente submissões de CDOR bem abaixo das taxas do mercado monetário dos dólares canadianos, oferecendo inexplicavelmente empréstimos por menos do que lhes custou os fundos para emprestar", acrescentou.

Escândalos custaram milhões aos bancos

Não é a primeira vez que surgem notícias que refere que houve manipulações, por parte dos bancos, nos mercados financeiros. Vários correctores de bancos internacionais foram acusados de manipular a libor - taxa média interbancária no mercado monetário – alguns dos quais foram absolvidos em tribunal.

Em Novembro de 2014, três reguladores - nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Suíça - condenaram cinco bancos ao pagamento de uma coima de 3,3 mil milhões de dólares por manipulação no mercado cambial. UBS, Citigroup, JP Morgan, Royal Bank of Scotland e HSBC são os visados.

Em Maio de 2015, seis grandes bancos mundiais aceitam pagar coimas no valor de 5,6 mil milhões de dólares no âmbito do caso de manipulação do mercado de divisas. O acordo alcançado entre os bancos e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, assim como a Reserva Federal norte-americana entre outras agências, marcou assim o fim das investigações à manipulação do mercado cambial.

Em Dezembro de 2016, a Comissão Europeia anunciou a aplicação de multas num total de 485,5 milhões de euros a três bancos por manipulação da Euribor, a taxa de juro interbancária que serve de referência a grande parte dos contractos financeiros europeus. O JP Morgan suporta a multa maior (337,2 milhões de euros), seguido pelo Credit Agricole (114,7 milhões) e pelo HSBC (33,6 milhões).




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub