Banca & Finanças Sérgio Monteiro assinou "swaps" mas garante que nunca foi responsável pela sua aprovação

Sérgio Monteiro assinou "swaps" mas garante que nunca foi responsável pela sua aprovação

O secretário de Estado dos Transportes assinou contratos "swap" mas só depois de aprovados por quem de direito, garantiu o próprio em reacção a uma notícia do Jornal de Notícias desta segunda-feira.
Sérgio Monteiro assinou "swaps" mas garante que nunca foi responsável pela sua aprovação
Pedro Elias/Negócios
Diogo Cavaleiro 12 de janeiro de 2015 às 16:27

Sérgio Monteiro foi um dos responsáveis, na Caixa Geral de Depósitos, por elaborar contratos de gestão do risco financeiro, nomeadamente os ligados ao projecto TGV. Sérgio Monteiro é o secretário de Estado dos Transportes, que tutela empresas públicas que poderiam ter sofrido perdas na sequência da assinatura de tais produtos. Uma dessas empresas é a Parpública, que recebeu de sociedades do Estado "swaps" com perdas potenciais.

 

A informação não é nova mas fez esta segunda-feira, 12 de Janeiro, capa do Jornal de Notícias, na sequência da avaliação que o Tribunal de Contas fez ao TGV em Portugal. Notícia que obrigou o governante a prestar esclarecimentos públicos. Sérgio Monteiro, em comunicado enviado às redacções, indica que nunca aprovou "swaps". Apenas os assinou.

 

"Todas as intervenções que Sérgio Silva Monteiro teve na assinatura de quaisquer contratos – estes ou outros – foram sempre efectuadas após a devida aprovação das operações de financiamento e derivados nos órgãos próprios do Grupo CGD, de acordo com as regras internas de 'compliance'. Sublinha-se que o Senhor Secretário de Estado das Infra-estruturas Transportes e Comunicações, então director do Grupo CGD, não integrava estes órgãos", aponta a nota vinda do gabinete do Ministério da Economia. Monteiro já tinha sido acusado de ter estado do lado da elaboração das parcerias público-privadas (PPP) e, depois, no lado do Estado, quando as renegociou.

 

Os contratos de gestão do risco financeiro foram bastante polémicos em 2012 e 2013, quando se tornou público que as empresas públicas poderiam vir a sofrer um buraco global superior a 3 mil milhões de euros se a banca optasse por cancelar os "swaps" que havia vendido – como resposta do sector financeiro à delicada situação financeira das empresas. Estes produtos são, normalmente, adquiridos para proteger determinado financiamento da variação de taxas de juro. Em Portugal, muitos acabaram por ser uma forma de as empresas melhorarem resultados no curto prazo à custa de encargos futuros. O tema deu origem a uma comissão parlamentar de inquérito.

 

TGV só com um ponto positivo, segundo Monteiro

 

Sérgio Monteiro, secretário de Estado com a tutela dos Transportes mas que não foi ouvido na referida comissão de inquérito à celebração destes contratos de protecção face ao risco financeiro, assinou o contrato de financiamento do consórcio Elos, vencedor do projecto TGV – Monteiro era, aí, um dos responsáveis da CGD.

 

Com o cancelamento do projecto, o financiamento iria cair. Mas o Estado optou por integrá-lo na Parpública, sociedade estatal que gere participações em empresas públicas. Esta transferência, que Sérgio Monteiro afirma ter sido coordenada pela ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, permitiu evitar que as perdas associadas aos "swaps" daquele financiamento continuassem a ser potenciais e não se transformassem em reais.

 

"Caso diferente aconteceria se o pacote financeiro não fosse aproveitado: a perda potencial transformava-se imediatamente em perda real e o seu custo recaía imediatamente sobre os contribuintes", indica o comunicado. É por esse motivo que Sérgio Monteiro defende que a "única componente positiva do anterior projecto do TGV" era o financiamento a muito longo prazo, aproveitado pela Parpública quando era impossível financiar-se nos mercados.

 

Só que esse financiamento tem associado "swaps" com perdas potenciais associadas de 152,9 milhões de euros. Monteiro garante que, levado até ao final, "não há qualquer perda para a empresa ou para o Estado".




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mais votado casmurro 12.01.2015


estao todos metidos
assinam contratos de swap, que sao maus para o pais.
o mesmo acontece com a actual ministra das finanças
pagam sempre os memos.
esta gente ,deveria,pagar ,pelo qu fazem

comentários mais recentes
Anónimo 13.01.2015

Demissão!!!

Zé Povinho 13.01.2015

Não condeno o ladrão, condeno o que se deixa roubar!

Anónimo 13.01.2015

Os srs jornalistas tb deveriam indagar o financiamneto `a carris que o sr SET tb tutela

Anónimo 13.01.2015

Tambem negociou o swap do financiamento de Eur 150 milhoes `a carris quando estava no banco efisa que foi responsavel pela montagem e o depfa bank pela operacao.

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