Empresas Shari Arison, a israelo-americana que vai gerir o fornecimento de água de milhares de portugueses

Shari Arison, a israelo-americana que vai gerir o fornecimento de água de milhares de portugueses

Fique a conhecer melhor Shari Arison, a empresária israelo-americana e filantropa com uma participação no Carnival Corporation - o grupo que detinha o cruzeiro Costa Concordia – cuja empresa vai passar a gerir o fornecimento de água de 600 mil residentes em Portugal.
Shari Arison, a israelo-americana que vai gerir o fornecimento de água de milhares de portugueses
Ahikam Seri/Bloomberg
Inês F. Alves 13 de fevereiro de 2016 às 15:00

A empresária israelo-americana Shari Arison é fundadora do Grupo Miya, a quem a construtora Mota-Engil vendeu a sua posição de 50,06% da Indaqua por 60 milhões de euros. A Indaqua é uma empresa de gestão de fornecimento de água com concessões em Fafe, Santo Tirso/Trofa, Feira, Matosinhos, Vila do Conde e S. João da Madeira, servindo 600 mil habitantes.

Feitas as apresentações, quem é Shari Arison? Com 58 anos, a empresária é filha de Ted Arison, fundador do grupo Carnival Cruise Lines, uma das maiores empresas de cruzeiros do mundo e que fez as manchetes de muitos jornais pelos piores motivos em 2012, altura em que um dos seus barcos – o Costa Concordia - encalhou ao largo da ilha toscana de Giglio, num desastre que vitimou 32 pessoas.

É do grupo Carnival que provém grande parte da sua riqueza. Shari Arison mantém uma participação na empresa do pai, falecido em 1999, tendo trabalhado por duas vezes no conselho executivo da mesma.

Actualmente, a empresária lidera o Arison Group, composto pelo Arison Investimentos e pela Fundação Familiar de Ted Arison. O primeiro braço do grupo é de investimento, detendo empresas em várias áreas, entre elas a Miya, cujo objectivo é optimizar o fornecimento de água nos sistemas urbanos, o banco israelita Hapoalim, a empresa Shikun & Binui que actua na área do imobiliário e a Salt of the Earth, ou sal da terra, que como o nome indica se dedica à produção da matéria-prima.

Já a Fundação Ted Arison tem vários projectos na área da educação, da promoção do bem-estar, da saúde e da investigação.

Shari Arison é conhecida no mundo dos negócios por tentar aliar os seus valores espirituais aos investimentos que faz. Em entrevista à Forbes em 2012, a empresária dizia acreditar que as empresas têm um papel importante para mudar o mundo para melhor, e que era possível aliar valores que promovem o bem-estar aos negócios.

A executiva deu como exemplo empresa Miya, criada em 2008, e que "coloca em prática todos os valores" defendidos pela empresária.


"Um dos meus valores é a abundância. É olhar para o mundo como abundante em vez de nos focarmos na escassez. Se nos focarmos no que temos em vez daquilo que não temos, crescemos. Em muitas cidades do mundo a água potável é desperdiçada. Em qualquer lugar, entre 30% e 70% da água está a ser desaproveitada. Então o que fazemos é poupar água estudando o sistema, investindo em tecnologia e em novas ideias para sermos mais eficientes. É isso que fazemos Miya", explicou.


Divorciada, mãe de quatro filhos e a residir em Israel, o que não falta a Shari Arison são distinções em rankings internacionais.

Foi considerada uma das cinquenta mulheres mais influentes do mundo em 2008; ocupou a 2.ª posição no ranking da Forbes dos milionários mais "verdes" em 2010; esteve no 57.º lugar (em 2011) e no 64.º lugar (em 2012) na listagem da Forbes das mulheres mais poderosas do mundo; foi considerada a segunda executiva mais influente de Israel também pela Forbes em 2013, e, por fim, uma das mulheres mais poderosa de Israel em 2013 (3.º lugar), em 2014 (5.º lugar) e 2015 (6.º lugar).

Depois dos filhos e de plantar uma árvore - em sentido figurado -, só faltava a Shari Arison escrever um livro… ou três. O primeiro foi publicado em 2009 ("Nascer – quando o espiritual e o material de juntam", em tradução livre), o segundo em 2013 ("Active a sua bondade: transformar o mundo fazendo o bom", em tradução livre) e o mais recente no ano passado ("O modelo da bondade: active a sua bondade no seu negócio", em tradução livre).

Filha de pais divorciados, Shari Arison nasceu em Nova Iorque em 1957. Quando os seus pais se separaram, em 1966, Shari mudou-se para Israel com a mãe, Mina Arison Sapir. Aos 17 anos, inscreveu-se nas forças armadas israelitas e, mais tarde, acabou por voltar aos EUA para estudar na Universidade de Dade em Miami, não tendo chegado a graduar-se, escreve o Internacional Business Times.


Actualmente, a Forbes calcula o valor líquido ("net worth") da empresária em 3,9 mil milhões de dólares (cerca de 3,4 mil milhões de euros).

Shari Arison, nesta foto tirada em 2010, com Shimon Peres e Yitzhak Tshuva, do Delek Group. A empresária é  filha de Ted Arison, fundador do grupo Carnival Cruise Lines, uma das maiores empresas de cruzeiros do mundo
Shari Arison, nesta foto tirada em 2010, com Shimon Peres e Yitzhak Tshuva, do Delek Group. A empresária é filha de Ted Arison, fundador do grupo Carnival Cruise Lines, uma das maiores empresas de cruzeiros do mundo
Bloomberg



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mais votado Ciifrão 13.02.2016

A Mota Engil ganhou a concessão sabe-se lá porque favores, era suposto gerisse a empresa de acordo com determinados princípios do caderno de encargos, agora no aperto das contas vende. Para este desfecho mais valia não se terem metido no negócio.

comentários mais recentes
Anónimo 14.02.2016

Isto é uma óptima notícia para a economia e sociedade portuguesas mas uma péssima notícia para a muito popular e enraízada cultura de excedentarismo lusitana. Sentimentos aos futuros despedidos da empresa de águas. Inscrevam-se já no centro de emprego, na Randstad, na Adecco e na Egor.

Anónimo 14.02.2016

Não obteve diploma final de curso superior? Está condenada ao ostracismo em Portugal e a ser tratada por doutora por toda a gente que não a conhece de lado algum. E ainda vai ter de perder demasiado tempo a explicar que não tem diploma de doutoramento a muito português. Espero que nunca vá a Poortugal. Não perde nada e os portugueses poupam-se a mais algumas vergonhas lamentáveis.

RJ 14.02.2016

antigos fizeram sacrificios, suor para esses bandidos,viverem a custa da fragilidade legislativa e da ignorancia do orgão legislador e executivo... até quando temos de controlar a nossa irá e nossa revolta contra essa mafia, essa irmandande

RJ 14.02.2016

Os antigos fizeram sacrificios, suor para esses bandidos,viverem a custa da fragilidade legislativa e da ignorancia do orgão legislador e executivo... até quando temos de controlar a nossa irá e nossa revolta contra essa mafia, essa irmandande

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