Banca & Finanças SIBS deixa cair compra da Redunicre com dúvidas da Concorrência

SIBS deixa cair compra da Redunicre com dúvidas da Concorrência

Numa altura em que a sua estrutura accionista está prestes a mudar, a SIBS abandonou a aquisição da Redunicre. A Autoridade da Concorrência estava preparada para chumbar a operação.
SIBS deixa cair compra da Redunicre com dúvidas da Concorrência
Correio da Manhã
Diogo Cavaleiro 14 de julho de 2017 às 15:30

A SIBS, que gere a rede Multibanco, abandonou a compra da Redunicre. A operação caiu dez meses depois de ser anunciada, período que foi marcado pelas dúvidas que a Autoridade da Concorrência foi tendo sobre o negócio. Havia já um projecto de decisão que se opunha à transacção. 

 

Foi em Setembro do ano passado que o grupo SIBS, liderado por Madalena Cascais Tomé, avançou para a compra do negócio de aceitação de pagamento com cartão da Unicre, a Redunicre. Agora, a operação caiu, segundo avançou o jornal Expresso e confirmou o Negócios.

 

Em Maio, o Negócios tinha já dado conta que a Autoridade da Concorrência poderia vir a chumbar a aquisição da Redunicre pela SIBS, devido a eventuais entraves à concorrência no negócio de aceitação de cartões de pagamento nas lojas comerciais. Foi em Dezembro que a entidade presidida por Margarida Matos Rosa decidiu avançar para a investigação aprofundada, o passo em que faz uma análise mais extensa dos negócios anunciados.

 

"Subsistem indícios de que a operação possa resultar em entraves significativos à concorrência efectiva no mercado, em particular no que diz respeito à actividade de prestação de serviços de aceitação de cartões de pagamento em TPA (Terminal de Pagamento Automático) disponível nas lojas", justificava a entidade.

Oposição já estava prevista

 

Na SIBS, havia ideia de que não estava a ser possível mostrar os méritos da operação à Concorrência. Aliás, havia já um projecto de decisão de oposição ao negócio. Assim, a gestora do Multibanco deixou cair a transacção antes de a ver bloqueada.

 

A SIBS sempre foi deixando a ideia de que poderia vir a continuar a tentar entrar no negócio de aceitação de cartões de crédito. Uma das opções poderia ser desenvolver uma actividade própria: além de processar as transacções com o Multibanco, a SIBS quer avançar para a aceitação de pagamentos com cartões. "Está neste contexto a avaliar alternativas para o desenvolvimento do seu negócio, para ser capaz de acompanhar os melhores padrões de eficiência, e continuar a destacar-se em inovação", diz o comunicado da SIBS. 

Para a gestora, "com esta integração, a SIBS visa obter uma vantagem fundamental para a cadeia de valor das soluções de pagamento oferecidas pela empresa, que todos os seus grandes concorrentes europeus já detêm, e assim ficar habilitada a concorrer no espaço europeu e global, numa atividade onde a escala é fundamental".

"A SIBS considerou a actuação e exigências da Autoridade desproporcionadas face à sua própria prática em processos anteriores, e à prática das Autoridades congéneres em operações semelhantes, tendo optado por retirar da Autoridade da Concorrência o seu processo de aquisição da Redunicre", indica o comunicado enviado pela empresa. 

 

(Notícia actualizada com mais informações às 15:53)




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mais votado Anónimo 15.07.2017

O que mais deve preocupar os portugueses junto do sector financeiro são os conflitos de interesse e as quebras do dever fiduciário. Conflitos de interesse como aqueles que se prendem com os resgates estatais e subsídios constantes à banca, aos banqueiros e, é bom nunca esquecê-lo, aos milhares de bancários e ex-bancários, agora aposentados, deste país. Isto constitui um onerosíssimo custo de oportunidade. As quebras de dever fiduciário prendem-se com situações de alterações de termos de contrato que prejudicam os clientes, comissões ocultas, aumento indiscriminado de comissões, burocracias anacrónicas, etc. Isto constitui um onerosíssimo custo de contexto.

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Anónimo 15.07.2017

O que mais deve preocupar os portugueses junto do sector financeiro são os conflitos de interesse e as quebras do dever fiduciário. Conflitos de interesse como aqueles que se prendem com os resgates estatais e subsídios constantes à banca, aos banqueiros e, é bom nunca esquecê-lo, aos milhares de bancários e ex-bancários, agora aposentados, deste país. Isto constitui um onerosíssimo custo de oportunidade. As quebras de dever fiduciário prendem-se com situações de alterações de termos de contrato que prejudicam os clientes, comissões ocultas, aumento indiscriminado de comissões, burocracias anacrónicas, etc. Isto constitui um onerosíssimo custo de contexto.

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