Banca & Finanças Sindicatos contra solução do papel comercial do GES

Sindicatos contra solução do papel comercial do GES

Há uma petição dirigida a António Costa a correr para que o Governo promova a exclusão dos trabalhadores do Novo Banco das eventuais acções judiciais que venham a ser intentadas.
Sindicatos contra solução do papel comercial do GES
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 29 de maio de 2017 às 13:41

Contra a solução encontrada pelo Governo e pelos supervisores para o papel comercial vendido pelo antigo GES, os sindicatos dos bancários têm tomado várias iniciativas: por um lado, o sindicato independente Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) avançou para uma petição; o Sindicato dos Bancários do Norte, que pertence à UGT, admite agir judicialmente.

 

Para os dois sindicatos, o grupo de trabalho que junta não só o Governo, o Banco de Portugal e a CMVM como também a associação de "lesados", AIEPC, e o BES "mau", faz uma proposta de solução em que os aderentes têm de abdicar das acções judiciais contra várias entidades, entre as quais o Banco de Portugal, a CMVM, o Novo Banco e os seus futuros accionistas, "menos contra os trabalhadores do Novo Banco". "É absurdo que seja ilibada a entidade patronal e se incentive a perseguição dos seus trabalhadores, que tiveram de cumprir ordens e instruções superiores (do então BES)", defende o SBN. 

 

"A exclusão do âmbito daquela renúncia a direitos e acções é uma discriminação repudiável e uma ofensa ao bom nome e dignidade dos Trabalhadores do Novo Banco", escreve o Sindicato dos Bancários do Norte, numa nota no site oficial. O SBN "admite ponderar o recurso às vias judiciais para impedir maiores danos aos actuais trabalhadores do Novo Banco e para reparar os danos morais que lhes estão a ser causados pelos movimentos dos autodesignados "lesados" e/ou pelas entidades que integram o ‘grupo de trabalho’".

 

Nesse sentido, foram já feitas comunicações escritas ao primeiro-ministro, à administração do Banco de Portugal, ao grupo de trabalho e ao governador do Banco de Portugal.

 

Em cima da mesa há, também, já uma petição, neste caso promovida pelo SNQTB, que já se tinha mostrado contra a opção do grupo de trabalho.

 

Dirigida a António Costa, a petição tem como objectivo, segundo explica o sindicato, "actuar no sentido de fazer prever no acordo que será garantido aos trabalhadores a mesma imunidade que é reconhecida" às restantes entidades.

 

"Esta petição é relevante para todos os trabalhadores bancários. Actualmente são os trabalhadores do Novo Banco. Se nada for feito, no futuro (imediato) todos empregados bancários poderão vir a sofrer situações semelhantes", argumenta o SNQTB nas perguntas e respostas que avança no site.

 

Parlamento dá próximo passo

 

Na sexta-feira passada, terminou o prazo para a recolha de intenções para os clientes do Novo Banco que subscreveram papel comercial da ESI e Rioforte. Era necessário que mais de metade dos investidores aceitasse a solução, que permite aos clientes recuperarem entre 50% a 75% do capital investido.

Na sexta-feira, a Lusa avançou que mais de 1.900 clientes, ou 97% do total, mostrou disposição para aderir ao mecanismo. Para o concretizar, é necessário que o Parlamento aprove o regime jurídico que regula os fundos de recuperação de crédito. Só depois será constituído o fundo e será concedida a garantia estatal, que permitirão os reembolsos. 

 




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comentários mais recentes
Invicta 29.05.2017

Continuação:
Os gestores de conta, não só vendiam como aliciavam com mentiras os possíveis compradores, sabendo de antemão, que as empresas do GES estavam em desespero de causa, quando colocaram estas maravilhas no mercado. Aos (público) compradores, era escondida a real situação financeira do GES.

Invicta 29.05.2017

Pois digo com conhecimento de causa: foram enganados por quem de perto os contactava, gestores de conta, na maioria dos casos, a troco de um bónus ou promoção que de cima lhes era acenado. Se tivessem carácter, tinham-se negado a vender estes produtos. Todos para a cadeia. Já lá deviam estar!

Conselheiro de Trump 29.05.2017

Duma coisa devemos estar de acordo:Nao foi o salgado capela que enganou os EMIGRANTES LESADOS,isso eu sei.

jralha59 29.05.2017

Pelos vistos a responsabilidade pelas perdas dos lesados terá sido dos contribuintes? No final o que se pretende é que quem beneficiou com os negócios ruinosos, seja em prémios seja em outras vantagens, e quem foi incompetente e não fiscalizou o que deveria ter fiscalizado, fiquem completamente ilibados de responsabilidades. Solução "à portuguesa". Quem paga no final, serão, como é costume, os contribuintes

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