Telecomunicações Situação dos CTT “não pode continuar a ser adiada, e muito menos ignorada”

Situação dos CTT “não pode continuar a ser adiada, e muito menos ignorada”

O Parlamento está a debater as propostas do PS, PEV, BE e PCP para reavaliar o actual serviço universal postal. Três das resoluções dizem respeito ao regresso dos correios à esfera pública.
Situação dos CTT “não pode continuar a ser adiada, e muito menos ignorada”
Miguel Baltazar/Negócios
Sara Ribeiro 15 de dezembro de 2017 às 11:39

A recuperação do controlo dos Correios pelo Estado está em debate esta sexta-feira, 15 de Dezembro, no Parlamento por iniciativa das resoluções apresentadas pelo PEV, BE e PCP. O PS também avançou com uma proposta para reavaliar o actual modelo das responsabilidades contratuais subjacentes entre os CTT e o Estado.

O deputado do Bloco de Esquerda, Heitor de Sousa, abriu a discussão defendendo que a "privatização total dos CTT terminada apelo anterior Governo foi uma decisão errada e que lesou gravemente o interesse publico. Por isso, entendemos que se justifica o regresso dos CTT à esfera do estado".

Um passo que considera ser necessário para "garantir o serviço universal postal não baseado em padrões mínimos, mas máximos como existia antes da privatização".

O deputado acrescentou ainda que "um dos principais espelhos da rápida evolução da degradação é o aspecto laboral" da empresa. "Desde 2012 houve encerramento de centenas de postos de correio, uma redução do número de giros, enormes filas de espera", exemplificou.

"A conclusão é directa: os CTT tentam driblar o controlo do contrato que assinaram [com o Estado], criticou. "Parece evidente que as multas deixaram de ter qualquer efeito correctivo. Por isso propõe -se que se crie um grupo para avaliar concessão em vigor. Se a Assembleia da República recomendasse ao Governo iniciar o controlo, no final de 2018 seria possível ter por base a garantia do serviço postal universal. Neste caso, aplica-se o provérbio: mais vale tarde que nunca".

José Luís Ferreira, do PEV, começou com apontar que "quando o anterior governo privatizou os CTT, ninguém percebeu porquê. Porque além de prestarem um excelente serviço, ainda contribuíam com receitas para o Estado. Agora os resultados estão à vista de todos".

"Hoje sé não vê quem não quer. Porque a crescente deterioração fruto desta privatização é notória", sublinhou. E explicou: "Centenas de estações foram encerradas, há despedimento dos trabalhadores, aumento dos vínculos precários, os tempos de espera para atendimento aumentaram substancialmente, falta de pagamento para prestações sociais, existem localidades do país onde o carteiro apenas passa uma vez por semana. Tudo isto sem ter em conta as necessidades das populações", elencou, acrescentando que desde que os CTT foram privatizas, em 2014, os preços do correio "já subiram quase 50%".

"É este quadro que nos leva à triste contestação que a privatização se apresente lesiva para a população e para os trabalhadores", referiu o deputado do PEV, apontado que só será possível haver uma melhoria do serviço dos CTT "quando voltarem a integrar esfera do estado".

O deputado do PCP, Bruno Dias, defendeu que "os grupos económicos que hoje controlam os CTT estão claramente, cada vez mais, a viver a cima das nossas possibilidades. A gestão privada está a descapitalizar a empresa. Desde a privatização, a tarifa do correio aumentou 47%", relembrou, dando ainda como exemplo o encerramento de " 554 estações" e o facto de "hoje o correio demorar mais tempo a chegar ao destino do que demorava há 30 anos".

O PCP considera, por isso, que não pode "concordar que o caminho nesta matéria seja retirar aos CTT o serviço publico postal. O problema central é a privatização dos correios e é isso que exige coragem por parte do Governo".

Este problema "não pode continuar a ser adiado e muito menos ignorado. Os serviços dos CTT têm de voltar a estar ao serviço do país".

PS defende criação de grupo de trabalho "formal"

Por sua vez, o deputado do PS João Paulo Correia começou por criticar o anterior Executivo, recuando até Outubro de 2013 – quando o processo de privatização dos CTT foi iniciado -. Nessa data "o anterior governo garantiu ao Parlamento que independentemente de quem for os accionistas a actividade do serviço universal postal nunca estará em causa. A realidade veio desmentir o governo", realçou.

Para exemplificar a degradação do serviço, o PS também destacou o aumento em 47% das tarifas do correio, o encerramento de balcões, bem como o facto de em "muitas localidades a distribuição do correio ter passado a ser feita uma vez por semana". E aproveitou para relembrar as queixas sobre o aumento do tempo de atendimento aos balcões dos CTT, "com prejuízo para os idosos que precisam de recorrer aos correios para o pagamento das suas reformas". Uma situação que gerou várias queixas e que chegou mesmo a ser debatida no Parlamento.

Por tudo isto, o PS acha que "seria necessário criar um grupo formal para avaliar serviço que tem sido prestado pelos CTT". "Tendo em conta o serviço que tem sido prestado pela empresa, é preciso avaliar responsabilidades entre as partes e avaliar novos modelos. Estamos perante um problema que se reflecte em todas as regiões e afecta pessoas e empresas. Tem que ser resolvido o mais breve possível".

Já Luís Leite Ramos do PSD respondeu à intervenção de João Paulo Correia acusando o partido socialista de não ter "memória " e "um pingo de vergonha".

" A falta de memória não é novidade no partido socialista. O memorando de entendimento do Engenheiro Sócrates dizia que o governo ia acelerar o programa de privatizações", entre as quais a dos CTT. "Só a falta de vergonha é que pode fazer com que o Sr. Deputado venha aqui acusar o PSD".

O PSD referiu ainda que a actual concessão dos CTT está "enquadrada num conjunto de objectivos" que são controlados pelo regulador, a Anacom. "Agora vem reclamar sobre uma coisa que é da sua competência. O que tem feito [o Governo] nestes últimos anos? Vergonha devia ter vossas excelências por não assumirem as suas responsabilidades. E não passarem o tempo a atirar as culpas para os outros", criticou.

Helder Amaral, do CDS PP, criticou o facto de o PCP, o BE e o PEV, "não se preocuparem com os utentes nem com a qualidade do serviço postal". Isto "ficou patente nas propostas porque se assim fosse não estaríamos a discutir a natureza da empresa, se é pública ou privada. Se assim fosse, estaríamos aqui a discutir os padrões de qualidade".


(Notícia actualizada às 11:45)




A sua opinião9
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
mais votado Anónimo 15.12.2017

Situação? Qual situação? Estes mamões que se preocupem é com o serviço de mherda prestado pelas empresas publicas de transportes por exemplo, com o Metro à cabeça. O serviço prestado é simplesmente NOJENTO!!!! Tomara eu que o serviço de transportes fosse concessionado a privados! Mas para estes mamões não é preocupante porque não andam de transportes publicos!!!!! PALHAÇOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

comentários mais recentes
Helio 15.12.2017

Para mim é como dizem, enfiar os facholas da direita na arena e limpa-los a todos

Mr.Tuga 15.12.2017

Para esta corja xuxaria geringonceira esquerdalha DESPESISTA o ideal seria NACIONALIZAR, para termos mais GREVES....

Anónimo 15.12.2017

O comentador do "tá calado ó animal" deve ser descendente do Estaline, Castro, Maduro e semelhantes, mais um comuna/fascista anti democrata. Devia ser pendurado pelos colhões e regado com gasolina, o animal.

ZE 15.12.2017

Os malucos do PC , BE e outros falam em nacionalizações como no tempo da outra senhora......... estes sim o Passos tinha razão, emigrem para cuba que os portugueses pagam-vos o vencimento vitalício e invistam lá. Estes gajos só entendem de erva medicinal,!!! fdssss vai lá tu e depois não chores.

ver mais comentários
Saber mais e Alertas
pub