Banca & Finanças Só créditos acima de 5 milhões vão para a plataforma de gestão de malparado

Só créditos acima de 5 milhões vão para a plataforma de gestão de malparado

BCP, CGD e Novo Banco assinaram um memorando de entendimento para a criação de um veículo que vai gerir os créditos malparados dos bancos. No futuro, outras instituições poderão juntar-se à plataforma que será liderada por José Correia.
Só créditos acima de 5 milhões vão para a plataforma de gestão de malparado
Inês Lourenço
Diogo Cavaleiro 28 de setembro de 2017 às 16:49

Só empréstimos acima de 5 milhões de euros por devedor deverão integrar a plataforma de gestão do crédito malparado nacional. BCP, CGD e Novo Banco assinaram o memorando de entendimento para a sua constituição esta quinta-feira, 28 de Setembro.

 

"Numa fase inicial, a plataforma irá gerir créditos cujo valor nominal agregado sobre cada devedor elegível seja, por regra, não inferior a €5.000.000 (cinco milhões de euros)", diz o comunicado do banco presidido por Nuno Amado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, que acrescenta ainda que "os activos geridos pela plataforma permanecerão no balanço dos bancos".

 

José Manuel Correia, director-geral da Paulo Duarte e antigo consultor da Deloitte, é quem irá liderar o processo de instalação desta plataforma, que irá assumir a forma de um agrupamento complementar de empresas. Será depois também quem ficará na liderança executiva da solução encontrada para o crédito malparado, o problema indicado como estando a impedir a recuperação efectiva do sector bancário nacional. Os restantes elementos dos órgãos sociais "serão compostos por representantes das entidades financeiras envolvidas e por membros independentes, a nomear".

 

Apesar do acordo inicial ser apenas entre as instituições sob o comando de Nuno Amado, Paulo Macedo e António Ramalho, a plataforma "permitirá que outras instituições de crédito ou sociedades financeiras, credoras de devedores comuns aos demais membros, possam, no futuro, associar-se-lhe voluntariamente".

 

Neste veículo, os bancos esperam conseguir reestruturar os créditos comuns, de forma a viabilizar as empresas em causa. "Facilitar e promover o acesso de empresas reestruturadas, ou em processo de reestruturação, a fontes públicas ou privadas, nacionais e internacionais, a novo capital ou financiamento que impulsione a empresa restruturada" é um dos objectivos inscritos para o agrupamento complementar.

 

A plataforma tem como objectivo – e caso seja necessário – "promover junto do Governo e do Banco de Portugal, alterações ao enquadramento legislativo, judicial e fiscal, como forma a tornar mais célere e eficientes os processos de reestruturação empresarial". Aliás, Nuno Amado sempre defendeu que os processos de recuperação necessitavam de alteração, porque limitavam a limpeza dos balanços dos bancos.

 

De resto, no fundo, a ideia da plataforma é que havendo interacções com um só banco – e não com os vários a que está exposto –, os processos de negociação fiquem mais facilitados.

 

Embora o comunicado não indique datas, ainda esta quinta-feira, o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, afirmou à Reuters que esta solução – que não irá integrar garantia estatal – estará em cima da mesa até ao final do ano. O Governo acredita que conseguir-se-á atrair investidores nacionais e estrangeiros com as soluções que vierem a ser desenhadas que permitam viabilizar as empresas devedoras.



(Notícia actualizada às 17:05 com mais informações)

 




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comentários mais recentes
Anónimo 28.09.2017

Criar mais um veículo para gerir a porcaria que fizeram,concederam elevados empréstimos sem acautelarem o que vinha depois,análise de risco e garantias não eram exigidas.
A maioria deste crédito é caso de justiça,mas nada resolvem,continuam a tapar-se uns aos outros,é um país do faz de conta.

General Ciresp 28.09.2017

Porque se vai chamar a creditos acima de 5.000.000 de euros"gestao de mal parado"e nao se chama "gestao socratica"so ele e que concedia creditos acima deste valor.

J. SILVA 28.09.2017

À 6 anos no banco e com os aumentos de capital em catadupa, não se entende que o BCP tenha tanto malparado ainda não provisionado. O porco Amado está sempre a falar da herança do passado, mas esta situação em grande parte deve-se já à sua gestão. O BPI e o Santander não têm problemas desta dimensão

Antonio santos 28.09.2017

aqui está uma má solução de um grave problema. Em vez de se olhar de frente para este problema como fez em Espanha, Arranja-se um lugarinho ao primo ou amigo do primo Amado Que por ter gerido Empresas de camionagem em torres vedoras passa a visionário e estratéga para resolucao do malparado no país

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