Banca & Finanças Sonangol: Uma empresa que tem decisões a tomar no BCP

Sonangol: Uma empresa que tem decisões a tomar no BCP

Isabel dos Santos foi afastada da liderança da petrolífera angolana, empresa através da qual tinha poder no BCP e na Galp. Quando entrou para a Sonangol, a empresária abandonou os cargos em empresas de que era accionista, como a Nos.
Diogo Cavaleiro 15 de novembro de 2017 às 16:18

A Sonangol é a petrolífera angolana que tem, em Portugal, uma participação significativa em duas das maiores companhias nacionais. Uma parceria com os herdeiros de Américo Amorim é a principal accionista da Galp Energia. No Banco Comercial Português, é a segunda maior accionista. E, aqui, a Sonangol tem uma posição a tomar ainda em 2017. Já não será Isabel dos Santos a decidir, após a exoneração de que foi alvo por decisão do presidente angolano, João Lourenço. 

 

Quando João Lourenço substituiu José Eduardo dos Santos na presidência de Angola, em Agosto passado, um dos dossiês que herdou dizia respeito à participação da Sonangol no BCP. A empresa angolana detinha, em Junho, uma posição de 15,24% do banco sob o comando de Nuno Amado. Quando a Fosun assumiu o papel de principal accionista, no final do ano passado, a Sonangol pediu autorização para poder, também, superar a barreira dos 20%. O objectivo era não dar o poder do banco ao accionista chinês sem contrapartida. 

 

Só que a Fosun tem, neste momento, 25% da instituição financeira e a autorização do Banco Central Europeu para a expansão da posição da Sonangol, praticamente dez pontos percentuais abaixo, extingue-se até ao final do ano. A luz verde conseguida pela liderança de Isabel dos Santos já não será exercida sob a sua presidência. E ainda não se sabe se haverá reforço. 

 

Na conferência de resultados dos primeiros nove meses do ano, Nuno Amado, que lidera o BCP, foi questionado sobre o tema. "Sobre a Sonangol, não vou referir [nada]. É uma posição do accionista, não posso falar por ele", respondeu.

A Galp é outra participação da Sonangol em Portugal. A empresa estatal angolana detém, através da Esperanza Holding BV, 45% da Amorim Energia, em que os herdeiros de Américo Amorim controlam 55% do capital. A Amorim Energia é dona de 33,34%, mais de um terço, da Galp Energia. A companhia portuguesa tem vindo a expandir-se, na área de exploração e produção petrolífera, no Brasil, depois de anos em que a descida dos preços do petróleo danificou a economia angolana.

 

A Sonangol e os outros cargos

 

Isabel dos Santos foi nomeada para a Sonangol em Junho do ano passado, quando o seu pai, José Eduardo dos Santos, era presidente angolano. Em cima da mesa estava um processo de transformação da empresa, para se adequar à nova realidade dos preços da matéria-prima.

 

Quando integrou a presidência da Sonangol, a empresária quis abandonar os cargos na administração de outras empresas em que estava: a operadora Nos, o BIC Portugal (agora Eurobic) e a Efacec. Em todas essas empresas Isabel dos Santos era (e é) accionista, através de empresas suas, mas a justificação para a saída foi a necessidade de "evitar problemas de conflitos de interesse" e para "reforçar as garantias de transparência".

 

Saindo da Sonangol, o entrave de há ano e meio deixa de existir. No caso da Nos, Isabel dos Santos abandonou o cargo, mas frisou que em nada afectava o seu "compromisso" com a empresa. Na administração, continuou Mário Leite da Silva, aliado da empresária angolana, depois escolhido para presidir ao Banco de Fomento Angola (BFA), de que o BPI é accionista. Isabel dos Santos, através da Unitel, saiu do BPI na oferta lançada pelo CaixaBank após uma polémica em que também o Governo português se envolveu. 




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