Start-ups Start-up quer substituir escritórios por hologramas 3D

Start-up quer substituir escritórios por hologramas 3D

A Meta está a testar a tecnologia de realidade aumentada nos seus próprios funcionários.
Start-up quer substituir escritórios por hologramas 3D
Bloomberg 23 de julho de 2017 às 11:00

Recentemente, Stephanie Rosenburg chegou ao trabalho e descobriu que o monitor do seu computador tinha desaparecido. Olhou à volta no escritório e viu que as pessoas da sua equipa usavam "headsets" com visores transparentes e agarravam objectos invisíveis com as mãos. Rosenburg tinha acabado de voltar de férias, por isso levou alguns segundos para processar o que estava a acontecer antes de perceber. "Ah", pensou. "Chegou a minha vez."

 

Rosenburg gere o sector de marketing da Meta, uma startup de São Francisco que fabrica "headsets" de realidade aumentada que sobrepõem imagens holográficas ao mundo real. Os usuários podem manipular modelos 3D com as mãos ou procurar páginas na internet, enviar e-mails e escrever códigos em telas virtuais flutuantes.

  

O chefe Rosenburg, o fundador e CEO da Meta, Meron Gribetz, está determinado em acabar com o que chama de "tirania do escritório moderno", substituindo monitores, teclados e até mesmo cubículos por realidade aumentada. Para chegar lá, tem usado os seus próprios funcionários - incluindo Rosenburg - como cobaias para ajudar a Meta a descobrir o que funciona e o que não.

 

Quando revelou o plano, no ano passado, na conferência TED em Vancouver, Gribetz não tinha ilusões em relação ao desafio. "Eu estava extremamente nervoso", lembra. "Estou a enfrentar 50 anos de ferramentas de informática."

  

Gribetz, de 31 anos, fundou a Meta em 2012 após estudar neurociência e ciência da computação na Universidade de Columbia. Fabricou o primeiro protótipo da Meta com uma faca aquecida no forno e uma pistola de cola quente. No ano passado, a Meta captou 50 milhões de dólares (43,4 milhões de euros) de investidores como a Lenovo e a Tencent. Hoje, os seus aparelhos são usados por profissionais e empresas - desde arquitectos até designers e fabricantes de automóveis. A Meta projecta que até o fim do ano mais de 10.000 pessoas vão usar o "headset" de 949 dólares.

  

O objectivo da Meta é transformar a sua tecnologia de realidade aumentada (RA) numa extensão harmoniosa do mundo real, permitindo que as pessoas interajam com os hologramas da mesma maneira que interagem com objectos reais. Em vez de clicar, arrastar e pressionar botões, a tecnologia permite que os utilizadores controlem o conteúdo 3D com as mãos. Gribetz acredita que o hardware de RA terá rapidamente uma utilização generalizada, por isso está focado em aperfeiçoar o software, inspirando-se na experiência de utilizador intuitiva da Apple.

 

Na visão de Gribetz, os funcionários de escritório reunir-se-ão em torno de hologramas para trabalhar em equipa praticamente em qualquer tipo de tarefa. Isto significa que não haveria mais computadores, cubículos e mesas ou cadeiras tais como as que conhecemos hoje. O próprio escritório de Gribetz dá uma ideia da possível aparência de um futuro ambiente de trabalho. Tem como mesa uma fina placa de madeira da sua altura, que é apenas suficientemente larga para que o "headset" possa ser apoiado sobre a mesma. Gribetz planeia redesenhar o resto do escritório da Meta de forma semelhante.

 

Alto e com uma postura impecável, Gribetz descreve solenemente a sua visão como "computação cognitivamente saudável", que ajuda os utilizadores a eliminar "o intervalo entre a imaginação e a criação". O responsável acredita que a RA acabará por colocar uma "camada-meta" de informações em torno de todo o mundo real. Toque num bocado de comida e veja imediatamente o seu conteúdo nutricional, segure uma flor e veja o seu ADN, aperte a mão de alguém numa conferência e veja surgir uma espécie de página virtual do LinkedIn.

 

Há quem ache tudo isto assustador, mas Gribetz acredita que a realidade aumentada aproximará as pessoas do mundo real.

 

"Isto não acontecerá da noite para o dia", diz. "Mas certamente, se avançarmos cerca de uma década, ou menos ainda, as pessoas terão tiras de vidro que serão muito parecidas com os óculos que eu estou a usar e que poderão fazer tudo o que um computador, um tablet ou um telefone poderão fazer e muito mais."




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