Energia Taxa do carvão vai custar 7 milhões à EDP e Endesa

Taxa do carvão vai custar 7 milhões à EDP e Endesa

O Governo declarou guerra ao carvão e criou uma taxa que pode custar até 7,2 milhões de euros em 2018 às centrais da Endesa e da EDP. A Endesa avisa que esta taxa vai encarecer a produção das centrais nacionais, provocando um aumento das importações de energia.
Taxa do carvão vai custar 7 milhões à EDP e Endesa
Luís Guerreiro
André Cabrita-Mendes 18 de outubro de 2017 às 22:00

A taxa do carvão vai custar entre 6,8 milhões e 7,2 milhões de euros em 2018 às duas únicas centrais térmicas em Portugal.

 

A previsão é do Ministério do Ambiente, a tutela que criou a taxa anticarvão que vai penalizar a produção das centrais de Sines, da EDP, e do Pego, detida pela Tejo Energia, um consórcio formado pela Endesa (44%) e pela Trustenergy (56%).

 

Esta taxa "visa dar um primeiro passo na eliminação das isenções que promovem a utilização de combustíveis fósseis, o que habitualmente se designa por 'subsídios ambientalmente perversos'", explicou ao Negócios fonte oficial do Ministério do Ambiente.

 

A produção de electricidade a partir de carvão, um combustível "com elevada intensidade carbónica", estava até agora isento de Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP). "No âmbito do Acordo de Paris, Portugal está obrigado a dar cumprimento às obrigações internacionais com o objectivo de se proceder 'à profunda descarbonização da economia portuguesa', tal como previsto no programa do Governo", destaca o ministério de João Pedro Matos Fernandes.

 

O Governo sublinha que Portugal está "em linha de cumprimento" das metas de redução de gases com efeito de estufa. Mas dá o exemplo de 2015, em que as emissões do sector de energia aumentaram 26% face a 2014, pois o consumo de carvão aumentou 22%.

"Com a manutenção dos baixos preços do carvão e de carbono no mercado, aliado a um conjunto de incentivos fiscais ao carvão, não é dado o sinal de preço necessário para permitir a descarbonização da produção de electricidade, mantendo-se o carvão mais competitivo do que o gás natural", vantagem que o Governo quer agora anular.

 

Metade do valor arrecadado com a taxa anticarvão vai servir para reduzir o défice tarifário ou para abater às contas anuais dos preços da luz no mercado regulado. Já a outra metade vai ter como destino o Fundo Ambiental para financiar medidas para a "descarbonização da economia".

 

O Governo declarou guerra ao carvão, mas esta batalha ameaça provocar um disparo nas compras de electricidade por parte de Portugal a Espanha, prevê a Endesa.

 

"Esta é mais uma taxa a penalizar as centrais térmicas em Portugal, onde houve investidores a porem o seu dinheiro, que estão em concorrência aberta com as centrais térmicas espanholas", afirmou ao Negócios o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva.

 

O gestor sublinha que as centrais térmicas também são penalizadas com outros encargos como a tarifa social, pela qual a Endesa vai pagar cinco milhões de euros  este ano.  Estes custos "têm  como consequência a diminuição da actividade das centrais térmicas em Portugal. O país vai passar a ser importador de energia eléctrica", avisa.

 

"Tudo somado, encargos, penalizações, taxas e impostos sobre as centrais térmicas em Portugal em regime de mercado tiram por completo a competitividade destas centrais relativamente às centrais espanholas", sintetiza Nuno Ribeiro da Silva.

 

Uma taxa semelhante a esta já está a ser aplicada às centrais a carvão na Holanda.

Estes custos vão diminuir a actividade das centrais térmicas. Portugal vai passar a ser importador de energia eléctrica. Nuno Ribeiro da Silva, Presidente da Endesa Portugal

 

EDP tem a maior central a carvão em Portugal 

A maior central a carvão no país é a da EDP em Sines, com uma potência instalada de 1.256 megawatts (MW). Esta central térmica, que começou a operar em 1985, produziu mais 23,5% de electricidade este ano até Setembro face a período homólogo de 2016 (num total de 7,175 gigawatts/hora). A unidade de Sines produziu um total de 8.082 gigawatts/hora em 2016, menos 16% face a 2015. Esta central tem um contrato CMEC, com remuneração garantida, que termina este ano. A EDP não respondeu às perguntas do Negócios sobre a taxa do carvão.

 

Central do Pego aumentou produção em 25% este ano  

A central do Pego é detida pela Tejo Energia, um consórcio formado pela Endesa (44%) e pela Trustenergy (56%), constituída pelos franceses da Engie e pelos japoneses da Marubeni. A central do Pego, com uma potência de 628 megawatts, produziu mais 25,6% de electricidade nos primeiros nove meses deste ano face a igual período de 2016 (3,037 gigawatts/hora). A subida da produção das centrais a carvão deve-se à situação de seca do país, pois as barragens produziram menos 59%, com as centrais a carvão e a gás natural a compensarem essa quebra.




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Manuel Há 2 dias

Pior que isso... Portugal vai comprar energia eléctrica a Espanha. Adivinhem quem a vai fornecer e como vai ser produzida...

Anónimo Há 2 dias

As empresas vão refletir esse custo nos preços da energia e adivinhem quem vai pagar.
Não há grande alternativa ao carvão e este imposto é apenas para obter receita.
Só os "ecologistas da treta" é que acham que podemos prescindir da produção térmica.

Só???? Há 2 dias

Devia ser 30 M, só o que 2 ou 3 "administradores"ganham sem concorrência é um escândalo. 7M É pouco

Anónimo Há 2 dias

Vai subir na conta do final ... é sempre assim. quem paga é o ultimo da cadeia.
mais um imposto com capuz...

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