Empresas "Think tank" Negócios/banco popular: Há qualificações, agora é captar centros

"Think tank" Negócios/banco popular: Há qualificações, agora é captar centros

O sector automóvel acredita que Portugal podia ter um papel mais relevante na indústria automóvel, nomeadamente ao nível dos centros de competências dos fabricantes e fornecedores.
"Think tank" Negócios/banco popular: Há qualificações, agora é captar centros
Nuno Martinho, do Politécnico de Leiria, fala em falta de mão-de-obra qualificada, mas que dá cartas lá fora.
Inês Lourenço
Alexandra Machado 10 de janeiro de 2017 às 11:54
Não é caso único dizer-se que esta área de negócio tem falta de quadros qualificados. E que o nível de qualificação é elevado e reconhecido. Também aqui o sector se queixa de falta de quadros. Apesar do esforço que algumas entidades de ensino superior têm feito. É o caso do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) que tem uma formação superior na área de engenharia automóvel desde 1997. Na altura detectou-se uma necessidade de formar de raiz engenheiros automóveis com várias componentes.

A empregabilidade do curso é, diz Nuno Martinho, coordenador da licenciatura de Leiria, "total". Garante mesmo que "não formamos estudantes suficientes para o número de pedidos que temos. Há um défice grande de pessoas formadas nesta área no país."

A ligação da academia à indústria é uma preocupação e o Politécnico de Leiria tem mesmo protocolo com associações da região para que haja relação entre as necessidades dos agentes industriais e o conhecimento produzido. "É um exemplo a ser seguido e tem trazido muitos frutos para ambos os actores", diz o professor de Leiria.

A criação de um "cluster" do sector automóvel, que está a ser desenvolvida, pode contribuir para reforçar essa ligação, acredita-se ao redor da mesa que juntou ensino, indústria, fornecedores e comércio automóvel. "A principal vantagem é claramente a de aproximação do conhecimento à indústria e o 'cluster' é um veículo para promover esta aproximação", salienta o mesmo responsável que, no entanto, lamenta que Portugal não esteja a conseguir trazer centros de competência, nomeadamente ao nível do projecto industrial para o país. Mesmo quando os construtores estão cá, o que fazem é montar carros, não fazem qualquer componente do projecto.

Nuno Martinho lamenta não haver o domínio de todo o processo. "Aí sim a mais-valia estaria cá." De outra maneira, o conhecimento que existe em Portugal acaba por sair para o exterior. "Os estudantes acabam a trabalhar na Europa."

Adolfo Silva, director da AFIA, junta-se ao coro de lamentos por não haver mais centros tecnológicos e de competência automóvel dos construtores em Portugal. E acaba por dizer que o país não se vende bem. Até ao nível de captação de investimento dos construtores. "Devíamos ter mais investimento estrangeiro e de qualidade. Estamos a fazer um mau trabalho de venda do país." Adolfo Silva acredita que "estamos a esquecer-nos de ir lá fora dizer que existimos e que temos excelentes condições". E agora que a indústria está numa mudança de paradigma, há que aproveitá-lo.

análise swot

O que afecta e impulsiona o automóvel? 

As vendas de automóveis aumentaram em 2016. Mas ainda estão longe dos anos áureos. Portugal tem, por outro lado, tradição na produção automóvel. Mas há desafios e oportunidades.

Forças
Qualificação profissional
Portugal tem boa qualificação nestas áreas ligadas ao automóvel, nomeadamente nas engenharias.
Tradição e peso na economia
A indústria automóvel está há muitos anos em Portugal e com peso.
Muitos fornecedores
Também há muitos fornecedores de componentes que ajudam a indústria.

Fraquezas
Relação duradoura, mas demorada
Fornecedores demoram muito tempo a estabelecer relação com fabricantes.
Mobilidade pode limitar vendas
Jovens privilegiam a mobilidade, pelo que preferem a partilha à detenção.
Longe dos fabricantes e concorrência
Portugal está longe de onde estão fabricantes. E há concorrência nova.

Ameaças
Concorrentes vendem-se melhor
Espanha é agressiva na captação de investimento. E há mais concorrentes.
Carga fiscal e custos de energia
O sector queixa-se dos impostos que recaem sobre o automóvel. E dos elevados preços da electricidade.
Legislação laboral
Não está adaptada ao sector.

Oportunidades
Qualificação profissional
Portugal devia tentar conquistar mais centros de competência.
Componentes relevantes
A indústria de componentes tem "know how" e capacidade de fornecimento.
Novos conceitos
Novas formas de mobilidade e desafios tecnológicos são oportunidades.
Parque automóvel envelhecido




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub