Tecnologias Toshiba alerta para ameaças à continuação da sua actividade

Toshiba alerta para ameaças à continuação da sua actividade

O auditor recusou-se a assinar as contas do gigante tecnológico japonês por discordâncias quanto à repercussão nas contas das perdas com a unidade nuclear norte-americana. Licenças para operar no Japão também podem condicionar futuro da companhia.
Toshiba alerta para ameaças à continuação da sua actividade
Paulo Zacarias Gomes 11 de abril de 2017 às 13:00

A japonesa Toshiba alertou, nas contas relativas aos primeiros nove meses do seu ano fiscal, para a existência de factores que ameaçam a continuação da sua actividade, depois de ter fechado o período de Abril a Dezembro de 2016 com prejuízos de 532,5 mil milhões de ienes (4,53 mil milhões de euros à cotação actual) e com a unidade nuclear norte-americana a continuar a ser um factor de preocupação.


Nas contas trimestrais divulgadas esta terça-feira, 11 de Abril - que não foram aprovadas pela auditora PwC -, a empresa cita as despesas adicionais que pode ter com a construção de centrais nucleares pela Westinghouse Electric Company nos EUA e com a renovação da licença especial de construção no Japão (que depende da saúde das suas contas), para avisar que a sua liquidez pode sair "significativamente" prejudicada.

"Pelas razões acima descritas, há acontecimentos materiais e condições que levantam dúvidas substanciais sobre a capacidade da companhia prosseguir a sua actividade," refere a nota.

De acordo com a Reuters, que cita fontes não identificadas, a PwC põe em causa não apenas os resultados mais recentes da Toshiba, como as contas da Westinghouse até Março de 2016. 

Segundo o Financial Times, a impedir a aprovação das contas pelo auditor estarão discordâncias com a Toshiba sobre se a imparidade de 6.300 milhões de dólares relativa ao negócio nuclear norte-americano deveria ter sido reconhecida mais cedo, algo que a empresa refuta com pareceres jurídicos e argumentando que o reflexo nas contas foi feito de forma adequada. 


A ausência de visto do auditor aumenta, segundo a Reuters, a pressão por parte da empresa que gere a bolsa de Tóquio, que está a analisar a existência de condições para que a companhia continue a ser cotada naquele índice. No limite, a empresa pode ver-se forçada a abandonar a cotação na praça nipónica.

O alerta da Toshiba segue-se à perda de valor para os accionistas verificada no final do ano passado – o capital atribuível aos accionistas é negativo em 225,6 mil milhões de ienes (1,92 mil milhões de euros) nos primeiros nove meses do ano fiscal - depois de prejuízos registadas nas contas de 2015, além dos cortes de rating posteriores e que tiveram efeito negativo nas condições subjacentes aos 283,5 mil milhões de ienes (2,41 mil milhões de euros) de empréstimos sindicados da Toshiba.

No final de Março, e na sequência de um plano de reestruturação da Westinghouse Electric Company (WEC), esta unidade pediu protecção contra credores nos Estados Unidos. Além do esforço para desconsolidar esta unidade do negócio da empresa japonesa, a Toshiba está ainda à procura de comprador para a totalidade ou uma maioria do capital da sua unidade de negócio de memórias para computadores. O valor resultante desta transacção será usado para assegurar o reembolso atempado dos empréstimos existentes e repor os níveis de capital da empresa.


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mais votado Anónimo 11.04.2017

Se fosse uma empresa pública portuguesa calava-se bem caladinha e sacava mais uns impostos e uma parcela de dívida pública enquanto contratava mais uns milhares de excedentários e promovia os que já lá estavam há mais tempo.

comentários mais recentes
nuno 11.04.2017

Estão a colher o que plantaram.
A vender material sem qualquer qualidade, e a fugir às responsabilidades nas garantias obrigatórias.
Depois queixam-se que os antigos clientes fugiram.
Temos pena.

Anónimo 11.04.2017

Se fosse uma empresa pública portuguesa calava-se bem caladinha e sacava mais uns impostos e uma parcela de dívida pública enquanto contratava mais uns milhares de excedentários e promovia os que já lá estavam há mais tempo.

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