Comércio Toys R’ Us vai sobreviver porque a Mattel e Hasbro não a podem deixar morrer

Toys R’ Us vai sobreviver porque a Mattel e Hasbro não a podem deixar morrer

Crianças, fiquem tranquilas: a Toys "R" Us não vai acabar. Pelo menos se as fabricantes da Barbie e dos Transformers conseguirem o que pretendem.
Toys R’ Us vai sobreviver porque a Mattel e Hasbro não a podem deixar morrer
Reuters
Bloomberg 20 de setembro de 2017 às 16:55

A rede de brinquedos entrou com um pedido de recuperação judicial na noite de segunda-feira, mais uma numa série de retalhistas especializadas que foram derrubadas pela Wal-Mart Stores, pela Amazon.com e pelo resto do ataque do comércio electrónico. A Toys "R" Us está mergulhada em dívidas que superam os 5 mil milhões de dólares, o que exigia mais 400 milhões de dólares por ano para honrá-las.

 

No entanto, a empresa, que opera cerca de 1.600 lojas no mundo, provavelmente vai sobreviver, porque fabricantes como a Mattel, a Hasbro e a MGA Entertainment, de capital fechado, precisam da última rede de brinquedos que resta. Esses fornecedores estão ávidos por qualquer vantagem remanescente que tenham contra o poder da Amazon e da Wal-Mart, a maldição de todas as empresas concentradas numa única categoria de bens de consumo.

 

"Oh, meu Deus, eles são muito importantes, e as pessoas não entendem", disse Isaac Larian, fundador e CEO da MGA, sobre a rede de brinquedos. "Este é o único lugar onde as crianças podem ir e simplesmente comprar brinquedos. Não existe empresa de brinquedos sem a Toys ’R’ Us."

 

Por sua vez, a companhia informou que não planeia fechar lojas e que as operações continuarão normalmente nas suas lojas homónimas, assim como na Babies "R" Us e nos seus sites. Na verdade, muitos dos seus acordos com detentores de dívidas proíbem a empresa de fechar lojas, o que restringe a sua capacidade de diminuir. As suas 255 lojas fora dos EUA e do Canadá não fazem parte do pedido insolvência apresentado.

 

Apoio

 

Em muitos aspectos, os fornecedores têm apoiado a Toys "R" Us há anos, de acordo com o analista Charlie O’Shea, da Moody’s; eles dão à rede produtos exclusivos durante as férias e fundos para promoções, a fim de ajudá-la a competir com os comerciantes gerais. As fabricantes oferecem esse apoio porque querem ter onde vender brinquedos sem desconto durante todo o ano. Grandes marcas também estão a financiar uma reforma das lojas Toys "R" Us, adicionando mais áreas de destaque para as principais marcas, como as bonecas American Girl, da Mattel.

 

No ramo dos electrónicos, a Best Buy tem o mesmo título de última rede restante, depois de a Circuit City e a HHGregg terem desaparecido. No ramo dos livros, a Borders sucumbiu, enquanto a Barnes & Noble resiste. Da mesma forma, a KB Toys pereceu, e a Toys "R" Us provavelmente irá pelo mesmo caminho.

 

Durante o processo de declaração de falência, uma empresa continua a operar para ter a possibilidade de elaborar um plano para reembolsar pelo menos parte da sua dívida. A rede de brinquedos recebeu um compromisso por mais de 3 mil milhões de dólares de credores novos e existentes para aliviar o fardo da dívida e financiar operações durante a falência.

 

A Toys "R" Us entrou com o pedido agora porque 40% dos seus fornecedores deixaram de enviar-lhe encomendas, a menos que recebessem dinheiro na entrega. O CEO Dave Brandon disse que a empresa precisa montar um inventário a tempo para a época de Natal, que representa 40% da receita anual.

 

Isso significa que o apoio dos fornecedores para o plano de reorganização é fundamental para sair da falência, de acordo com Noel Hebert, analista da Bloomberg Intelligence.

 

(Texto original: Toys ‘R’ Us Will Live Because Mattel and Hasbro Can’t Let It Die)




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