Automóvel Trabalhadores da Autoeuropa destacados em Osnabrück fazem paragem de uma hora

Trabalhadores da Autoeuropa destacados em Osnabrück fazem paragem de uma hora

Mais de 200 trabalhadores da Autoeuropa destacados na fábrica de Osnabrück pararam esta segunda-feira uma hora para discutir o facto de terem recebido menos dinheiro este mês devido ao "acerto de contas" relativo ao adiantamento feito na sequência do destacamento.
Trabalhadores da Autoeuropa destacados em Osnabrück fazem paragem de uma hora
Bruno Simão
Lusa 28 de Novembro de 2016 às 13:21

Em declarações à Lusa, vários trabalhadores da Volkswagen Autoeuropa que estão na fábrica de Osnabrück, na Alemanha, explicaram a situação, mas pediram para não serem identificados.

 

Inicialmente, contaram, estava previsto que a Autoeuropa atribuísse um benefício financeiro aos que seriam destacados para Osnabrück. Contudo, a fábrica da Alemanha decidiu fazer um contrato de destacamento internacional, segundo o qual trabalhadores em causa ficariam em pé de igualdade ('equal pay') com os colegas alemães, recebendo então um salário superior e idêntico ao dos seus congéneres.

 

Isto levou a Autoeuropa a alterar a situação que era de um benefício financeiro para um adiantamento, que segundo os trabalhadores deveria ser devolvido mensalmente e não de uma vez só, no mês do pagamento do subsídio de Natal. Além disso, acrescentam que estava ainda combinado que a regularização do adiantamento seria negociada "caso a caso".

 

"A questão não é pagar ou não o adiantamento. É terem-nos cortado ilegalmente o subsídio de Natal na íntegra, é mexerem no nosso ordenado sem o poderem fazer e sem nos avisarem de nada", contaram os trabalhadores.

 

A Lusa contactou hoje por várias vezes a Volkswagen Autoeuropa, mas sem sucesso até ao momento. No entanto, no sábado, e no seguimento de uma notícia avançada pela Lusa, a unidade de Palmela já tinha afirmado que "o subsídio de Natal foi processado normalmente e, em alguns casos, procedeu-se à regularização do adiantamento disponibilizado no início do destacamento".

 

Garantiu ainda que "todo o processo foi gerido de acordo com os princípios de mobilidade internacional e co-gestão, que implicam uma colaboração directa entre a Volkswagen Autoeuropa, a Volkswagen Osnabrück e os representantes dos trabalhadores de ambas as empresas" e que neste processo actuou "sempre no sentido de respeitar as condições financeiras dos seus colaboradores".

 

Contudo, o caso culminou hoje numa paragem de uma hora, das 08:00 às 09:00 (das 07:00 às 08:00 em Lisboa), por mais de 200 trabalhadores portugueses destacados, aos quais se juntaram também colegas alemães e até chefias, segundo contaram hoje os trabalhadores.

 

Este período foi usado para discutir a questão com a direcção da unidade e com representantes dos trabalhadores naquela fábrica alemã, onde a linha esteve parada uma hora, representando cerca de menos 20 carros produzidos.

 

"Foi uma reunião em que os recursos humanos e a administração da fábrica, assim como a Comissão de Trabalhadores [na Alemanha] se mostraram completamente desagradados com o que está a acontecer e com o facto de a Autoeuropa dizer que o corte do salário neste preciso mês resulta de uma acordo com os trabalhadores", disseram.

 

Agora cabe à direcção da fábrica de Osnabrück questionar a situação junto da casa-mãe em Wolfsburgo e da Autoeuropa, como ficou combinado na reunião de hoje.

 

Em paralelo, os trabalhadores dizem já ter um abaixo-assinado preparado para entregar à casa-mãe.

 

Os trabalhadores relatam ainda que há cerca de um mês, dois elementos dos recursos humanos da Autoeuropa, entre eles o director desse departamento, se deslocaram a Osnabrück, onde terão chegado a acordo com os representantes dos colaboradores sobre dois pontos: a Autoeuropa contactaria cada colaborador nos 10 a 15 dias seguintes, "o que nunca aconteceu", e que seriam perdoados cerca de 800 euros do total da dívida.

 

Na passada quarta-feira e depois de tentativas, sem sucesso, de contacto com a unidade de Palmela no último mês, os trabalhadores voltaram a ter notícias pelas 16:00 num 'email' da Autoeuropa que dava conta de que o subsídio de Natal seria pago e que o valor descontado dependeria "de um plano de pagamentos de acordo com o grupo de partida para Osnabrück".

 

No mesmo dia e poucas horas depois, os trabalhadores viriam a ser surpreendidos com o acerto de contas no recibo de vencimento.




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comentários mais recentes
Sadino Há 4 dias

O setor de recursos humanos da Autoeuropa (Palmela) tem que ser responsabilizada pela falta de cumprimento do que combinou com os trabalhadores em Osnabrück.
Nunca esteve em causa a devolução da verba avançada por destacamento mas sim a maneira e o tempo em que a mesma foi efetuada.

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