Automóvel Trabalhadores da Autoeuropa dizem que "diálogo e paz social" estão em causa

Trabalhadores da Autoeuropa dizem que "diálogo e paz social" estão em causa

Os trabalhadores das empresas do parque industrial da Volkswagen Autoeuropa consideraram hoje que o "diálogo e a paz social" que têm defendido "está a ser colocada em causa", agravando as suas condições de trabalho.
Trabalhadores da Autoeuropa dizem que "diálogo e paz social" estão em causa
Bruno Simão/Negócios
Lusa 19 de dezembro de 2017 às 22:44

Em comunicado, a coordenadora das Comissões de Trabalhadores do Parque Industrial da VW Autoeuropa (AE), em Palmela, Setúbal, esclarece que "a tomada de decisão unilateral da administração da Volkswagen Autoeuropa é reveladora de que não foi feito atempadamente o 'trabalho de casa'".

 

A comissão coordenadora defende que "o assunto devia ter sido tratado desde o ano 2015 e numa manobra à 'boa maneira Portuguesa' deixou arrastar a resolução do problema até ao limite e sem envolver os trabalhadores como parte integrante da solução".

 

A coordenadora das Comissões de Trabalhadores do parque industrial refere que "a falta de trabalho conjunto" entre as organizações dos trabalhadores para "debater estes assuntos é também uma consequência e uma fragilidade para todos os trabalhadores e que serve o interesse das diferentes administrações das diversas empresas".

 

No comunicado lê-se também que esta situação não traz aos trabalhadores apenas preocupações para o presente.

 

Para o futuro, "bem sabemos que os actuais monovolumes estão em tendência decrescente nos seus volumes de produção", pelo que "urge saber" qual será a estratégia da Volkswagen, a médio prazo para a AE e para todas as 19 empresas que dependem da produção da Volkswagen Autoeuropa.

 

A coordenadora das Comissões de Trabalhadores do Parque Industrial da Volkswagen Autoeuropa entende que um dos grandes problemas para que existam todas estas dificuldades dos trabalhadores é também "a falta de coragem" do Governo em alterar as condições do Código de Trabalho.

 

A fábrica da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, distrito de Setúbal, vai interromper a produção de 26 a 29 de Dezembro "devido a quebra no fornecimento de peças", segundo a empresa.

 

A interrupção da produção ocorre num período conturbado da empresa, devido à rejeição pelos trabalhadores de dois pré-acordos sobre os novos horários de laboração contínua que tinham sido negociados previamente entre a administração e a Comissão de Trabalhadores.

 

Face à ausência de um acordo, a administração da Autoeuropa avançou na semana passada, unilateralmente, com um novo horário de laboração contínua que deverá entrar em vigor do final de Janeiro de 2018, mas trabalhadores e sindicatos já fizeram saber que não concordam com o modelo que lhes foi imposto.

 

Apesar do diferendo, a administração da Autoeuropa já anunciou que está disponível para negociar um novo modelo de horários de laboração contínua, para vigorar, inclusive, a partir do segundo semestre de 2018.

 

Os trabalhadores da Autoeuropa têm marcadas várias reuniões plenárias para quarta-feira, com o objectivo de discutirem um novo caderno reivindicativo e a actual situação da empresa e para exigirem uma nova negociação sobre os horários de trabalho.




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mais votado 5640533 19.12.2017

Esses trabalhadores vão ver o que é bom quando acabar a produção do T-Roc. Até pode ser que seja antes. Só até Volkswagen definir aa medidas de resposta.

comentários mais recentes
5640533 19.12.2017

Esses trabalhadores vão ver o que é bom quando acabar a produção do T-Roc. Até pode ser que seja antes. Só até Volkswagen definir aa medidas de resposta.

O PCP, depois, faz de vítima 19.12.2017

O clima pesado, tenso e de incerteza no futuro ( eu diria DE CERTEZA, pq não tenho qq dúvida de que, após o T-ROC, a Autoeuropa fechará ), este clima, dizia, foi criado, tão só, pelo sectarismo irredutível de reivindicações irrealistas e provocadoras do PCP, através dos seus peões de brega.

Cautela, não se deixem instrumentalizar ... 19.12.2017

Diz o povo q "não é com vinagre que se apanham moscas".
Também o sindicato afecto à CGTP, na Autoeuropa, e o PCP e o próprio mandatado pelo PCP, Arménio Carlos, usam, hipocritamente, a expressão "vontade dos trabalhadores", mas, no fundo, o seu móbil é bem outro : o domínio sindical da Autoeuropa

RECORDAM-SE DO FECHO DA OPEL, NA AZAMBUJA ? 19.12.2017

Só mais uma dica, caros trabalhadores.
A luta que o PCP ( através da CGTP ) está a introduzir, na Autoeuropa é política - ouviram ? -, eu repito, é política, mascarada de laboral, a fim de controlar sindicalmente a pérola que é a Autoeuropa. Ponto.
RECORDAM-SE DO FECHO DA OPEL, NA AZAMBUJA ?

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