Telecomunicações Trabalhadores da PT convocam greve para 21 de Julho

Trabalhadores da PT convocam greve para 21 de Julho

Os sindicatos defendem que os trabalhadores da PT estão a ser vítimas do “maior ataque já visto” aos direitos. Está convocada uma greve para o dia 21 de Julho.
Trabalhadores da PT convocam greve para 21 de Julho
Pedro Elias/Negócios
Negócios com Lusa 05 de julho de 2017 às 16:40

Os sindicatos de trabalhadores da PT convocaram uma greve para o dia 21 de Julho, para responder ao "maior ataque já visto aos seus direitos e respectivos postos de trabalho", revelam em comunicado, citado pelo Público e Dinheiro Vivo.

 

A greve surge depois de a empresa ter transferido contratos de trabalhadores para outras empresas como a Visabeira, a Tnord e a Sudtel.

 

O Público adianta que esta será a primeira greve dos trabalhadores da PT nos últimos 10 anos.

 

O dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTAVV) Manuel Gonçalves, acredita que "vai ser uma grande greve", uma vez que "as pessoas estão muito revoltadas", de acordo com declarações ao Público.

"Todos os trabalhadores da PT Portugal, ontem uns, amanhã outros, estão confrontados com o maior ataque já visto aos seus direitos e respetivos postos de trabalho", refere um comunicado conjunto da Comissão de Trabalhadores (CT) e dos sindicatos que representam os trabalhadores da operadora de telecomunicações detida pelo grupo Altice, citado pela Lusa.

Em 30 de junho, a PT Portugal anunciou internamente que iria transferir 118 trabalhadores para empresas do grupo Altice e Visabeira, esta última parceira histórica da operadora de telecomunicações, cujo processo estará concluído no final deste mês.

No início do mês passado, a operadora tinha anunciado a transferência de 37 trabalhadores da área informática da PT Portugal para a Winprovit.

"Perante esta catástrofe que se avizinha, o alarme disparou e é preciso evitar a destruição daquela que foi uma das maiores empresas do país", referem, adiantando que numa reunião entre os órgãos representativos dos trabalhadores (ORT), em 04 de julho, "foi decidido realizar uma greve geral no dia 21 de julho, acompanhada de um vasto conjunto de ações preparatórias até ao dia da greve".

No dia 21 de julho "foi decidido convidar as centrais sindicais (CGTP e UGT) a participar e intervir sindicalmente".

Neste dia está prevista a concentração dos trabalhadores da PT Portugal à porta dos principais edifícios da operadora, entre os quais o localizado Picoas, em Lisboa.

Além disso, está prevista uma concentração de ativistas em frente à porta do Ministério do Trabalho, no seguimento das propostas apresentadas pelos sindicatos, em 07 de julho, cerca das 14:30.

Em 10 de julho terá lugar um plenário de trabalhadores PT/MEO no Porto, no dia 12 de julho haverá outro em Lisboa e em 17 de julho haverá um plenário em Faro.

Estão ainda previstas concentrações de aativistas sindicais em frente ao Ministério do Trabalho e Picoas, em Lisboa, nos dias 10, 12, 14, 18, 19 e 20, entre as 10:00 e 12:00 e as 12:30 e as 13:30.

Foi ainda decidido avançar com as providências cautelares em vários tribunais e exposições sobre a atual situação junto de vários governantes, desde o Presidente da República, passando pelo presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, ministro do Trabalho, entre outros.

Na terça-feira à noite, o presidente executivo da PT Portugal, Paulo Neves, disse que a operadora está "num processo de agilização da estrutura" e o foco é no "'core'" (negócio central).

"Há um conjunto de serviços que consideramos essenciais", mas que outras empresas do grupo Altice podem fazer, explicou.



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mais votado Anónimo Há 2 semanas

Em 2006 e no sector das telecomunicações, já se faziam despedimentos nas economias e sociedades mais avançadas, as que não perdem soberania, não vão à falência, não pedem resgates, não têm emigração forçada à saída da escola, não têm pobres full-time a ordenado mínimo, etc.: "France Telecom’s hair shirt may not be as uncomfortable as it appears. The French telecoms operator seems to have set itself a superhuman task in ditching 17,000 jobs. It is also to cut E2bn from its other running costs. But in spreading the cuts over three years, it looks to have given itself a handy margin for error. Take the job cuts. At below 6,000 a year, they are less ambitious than Deutsche Telekom is attempting. What’s more, they represent half the number that FT managed in 2004, the last year for which full figures are available. In 2002, FT cut three times as many. And it still has stacks of dead wood to chop out" https://www.breakingviews.com/considered-view/france-telecoms-17000-job-cuts-look-modest/

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Anónimo Há 2 semanas

A PT tinha um monopólio, importava tecnologia sob a forma de hardware e software, e o dinheiro rolava neste cantinho à beira mar plantado. Depois tentou expandir-se para o único sítio onde tinha competência para penetrar sem ser votada à mais absoluta irrelevância - o Terceiro Mundo, e nem aí foi bem sucedida. Mais nada. É mais ou menos como a EDP, se bem que esta última, para além de operar num sector caracterizado por uma conjuntura assente em forte subsidio-dependência estrutural, está a aprender com os estrangeiros do Primeiro Mundo e com os erros da própria história de insucesso da PT. Pode ser que no final se saia bem melhor se aprender também a erradicar o excedentarismo e sobrepagamento de carreira de forma conveniente e atempada.

Anónimo Há 2 semanas

Para entender a crise de equidade e sustentabilidade que tem afectado as economias desenvolvidas e posto territórios como os de Portugal e Grécia nas más bocas do mundo, é fundamental perceber que para uns serem excedentários ou pagos acima do preço de mercado, outros têm que pagar mais caro quando consomem bens e serviços, pagar mais taxa de imposto quando são tributados, obter menor retorno sobre o investimento quando investem, poupar menos quando aforram, ser pior remunerados, abaixo do seu preço de mercado, quando oferecem trabalho com real procura...

Anónimo Há 2 semanas

Ninguém está à espera que os excedentários se demitam. Terá sempre que ser alguém a activar esse processo. Portugal precisa desse alguém. As economias e sociedades mais avançadas já o têm há muito.

Anónimo Há 2 semanas

Amigo Negócios, diga lá se a Austrália é ou não é Primeiríssimo Mundo. Porque é que se vive tão melhor por lá? Porque o excedentarismo tem muito pouca margem de progressão. O oposto de Portugal e da Grécia. "Telstra Corporation Ltd , Australia's largest telecoms company, will lay off 1,400 workers in a fresh round of job cuts, eager to rein in costs ahead of a new government-owned broadband network and as competition squeezes mobile margins." www.businesstimes.com.sg/technology/telstra-to-shed-1400-in-latest-round-of-job-cuts-as-competition-bites

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