Telecomunicações Trabalhadores da PT pedem ao Governo que impeça cortes e transferências

Trabalhadores da PT pedem ao Governo que impeça cortes e transferências

Cerca de 300 trabalhadores da PT Portugal concentraram-se hoje em frente às instalações desta empresa no Porto para apelar ao Governo para que impeça a administração de levar a cabo transferências e rescisões de contratos de trabalho.
Trabalhadores da PT pedem ao Governo que impeça cortes e transferências
Pedro Elias/Negócios
Lusa 10 de julho de 2017 às 14:55

"A luta continua na empresa e na rua" - foi uma das frases mais entoadas pelos trabalhadores que empunhavam placas e faixas com mensagens como "O Governo tem de agir! Defender esta empresa é estratégia nacional" ou "Não à destruição da PT e postos de trabalho. O Governo tem de intervir já!".

 

Em causa está o facto de, em 30 de Junho, a PT Portugal ter anunciado internamente que iria transferir 118 trabalhadores para empresas do grupo Altice e Visabeira, esta última parceira histórica da operadora de telecomunicações, cujo processo estará concluído no final deste mês. Antes, no início do mês passado, a operadora tinha anunciado a transferência de 37 trabalhadores da área informática da PT Portugal para a Winprovit.

 

Depois destas notícias, em 5 de Julho, os sindicatos afectos à PT Portugal anunciaram também a convocação de uma greve geral para dia 21 contra a transferência de trabalhadores para outras empresas do grupo Altice e parceiros.

 

Em declarações à agência Lusa, o representante da Comissão de Trabalhadores (CT), Francisco Gonçalves, disse estimar que existam neste momento cerca de 100 trabalhadores a cumprir funções temporárias e 200 sem funções, enquanto 155 estão "em transição" para outras empresas.

 

"E os restantes estão com o coração nas mãos", resumiu Francisco Gonçalves, pedindo à administração para que "pense no que está a fazer".

 

"E se a administração não repensar, terá de ser o Governo a fazer alguma coisa. É importante valorizar a PT e os trabalhadores da PT. São os melhores trabalhadores das telecomunicações em Portugal, são dos melhores trabalhadores de telecomunicações que há no mundo todo. Medidas erradas de gestão não podem pôr em causa o futuro desta empresa e a qualidade desta empresa", referiu o representante da CT.

 

Francisco Gonçalves apontou que o universo PT ronda os 9.000 trabalhadores no activo e 3.500 não no activo (pré-reformas e suspensões).

 

A concentração de hoje no Porto seguiu-se a mais de três horas de plenário, no qual participaram representantes da CT e de oito sindicatos ligados ao sector.

 

De acordo com o responsável pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV) participaram no plenário - que teve como objectivo "o esclarecimento e mobilização" - cerca de 500 trabalhadores.

 

"Este é o início da luta dos trabalhadores da PT, uma luta que vai ser muito difícil. A greve de dia 21 será da responsabilidade da administração da Altice. As relações e condições laborais dos trabalhadores da PT alteraram-se completamente quando a Altice assumiu funções na PT por causa de uma lógica de corte nas despesas, remunerações e subsídios, retirada de funções a trabalhadores, prática de pressão e rescisões de trabalho", disse Hernâni Marinho, do SINTTAV.

 

O responsável sindical afirmou que "os postos de trabalho estão a ser postos em causa através de uma figura jurídica encontrada no Contrato de Trabalho que implica a transição automática para empresas externas".

 

"E ao fim de um ano os trabalhadores perdem o seu acordo colectivo de trabalho e, por consequência, todos os direitos adquiridos, ficando à mercê de despedimentos. Os trabalhadores consideram, e bem, que isto se trata de uma manobra fraudulenta. Pedimos a intervenção do Governo", sublinhou Hernâni Marinho.

 

Depois desta concentração - que registou a presença de comitivas ligadas ao PCP e Bloco de Esquerda, nomeadamente da líder bloquista Catarina Martins e dos candidatos à câmara do Porto Ilda Figueiredo (CDU) e João Teixeira Lopes (BE) -, repetir-se-á uma acção semelhante nas quarta-feira, em Lisboa, e serão enviadas cartas ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e aos partidos políticos com assento na Assembleia da República.

 




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mais votado Anónimo 10.07.2017

Caro Jornal de Negócios, é um facto que a Altice em Poortugal, tal como outras organizações portuguesas, está de mãos e pernas atadas devido ao governo socialista, à constituição do PREC de 1976 e à legislação laboral. E isso tem feito e continuará a fazer toda a diferença pela negativa. "As empresas de telecomunicações, tal como outras companhias dos sectores tecnológicos, estão a reestruturar-se, eliminando postos de trabalho a favor da automação, e reposicionando-se em novos projectos" Fonte: “Telecommunications providers, like other tech companies, are undergoing restructuring, losing jobs to automation, and pivoting to new projects,” (Relatório da Challenger, Gray & Christmas de Março de 2017) https://www.challengergray.com/press/press-releases/2017-march-job-cut-report-cuts-rise-17-percent-telecom-retail

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Anónimo 11.07.2017

É uma empresa que tem sido levada ao colo pelo Estado desde que foi fundada. Está repleta de ineficiências e excedentarismo. A gestão é medíocre ou apática e os colaboradores capturaram a organização. Podia dar 3 vezes mais lucro com metade dos colaboradores actuais. Podia inovar e expandir-se na criação de valor em inúmeras outras áreas de negócio tornado-se ainda maior e transformando-se num verdadeiro potentado que puxasse pela economia portuguesa no seu todo. Não é nada disso. Faz lembrar o monstro de corrupção, obscuridade, promiscuidade estatal e desperdício em que se tornaram algumas das maiores empresas brasileiras. E todos sabem em que é que isso deu no Brasil...

AAAA 11.07.2017

PEÇAM O DINHEIRO PARA ISSO AO BAVA, AO GRANADEIRO, AO HORTA E COSTA, AO VASCONCELOS, AO SÓCRATES, AO MURTEIRA NABO E OUTROS QUE TAIS. ELES ENCHERAM-SE À GRANDE E NADA LHES ACONTECE NA REPÚBLICA DAS BANANAS.

Anónimo 10.07.2017

(cont.) quando não for possível reduzir mais na PT a mesma será vendida como aconteceu anteriormente, no final não é a empresa que suporta o custo mas o estado em reformas antecipadas e subsídios de desemprego, não esquecer que o poder destes grupos financeiros é assentem em divida e especulação.

Anónimo 10.07.2017

Devem pensar que isto é a República das bananas. Otarios.

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