Banca & Finanças Transformação do antigo BES Angola concluída e com resultados positivos em 2015

Transformação do antigo BES Angola concluída e com resultados positivos em 2015

O Banco Económico, que surgiu após a intervenção estatal angolana no Banco Espírito Santo Angola (BESA), fechou 2015 com um resultado líquido positivo de 57 milhões de euros, à taxa de câmbio actual, estando o processo de transformação concluído.
Transformação do antigo BES Angola concluída e com resultados positivos em 2015
Reuters
Lusa 20 de janeiro de 2017 às 00:24

"Concluímos com a aprovação do relatório e contas [em assembleia-geral a 15 de Dezembro de 2016], com a nossa imagem no mercado, com os nossos clientes e com o nosso pessoal e estamos focados já no futuro", afirmou, em entrevista à Lusa, o presidente da comissão executiva do Banco Económico, Sanjay Bhasin.

 

O administrador falava a propósito da apresentação do primeiro relatório e contas do banco, que foi formalmente criado em assembleia-geral de acionistas do banco - sucessor do antigo BESA - a 29 de Outubro de 2014.

 

"Estamos agora numa situação em que os clientes estão connosco, a base de clientes está a crescer e os depósitos aumentaram nos últimos dois anos. Estamos muito satisfeitos, tendo em conta a situação que tínhamos no passado", disse Sanjay Bhasin, nomeado para aquelas funções também no final de 2014.

 

Segundo o relatório e contas, o Banco Económico registou um resultado líquido de 9.972 milhões de kwanzas (57 milhões de euros à taxa de câmbio actual; a moeda nacional desvalorizou entretanto mais de 30%) no exercício de 2015 e um produto bancário que chegou aos 21.603 milhões de kwanzas (121,6 milhões de euros).

 

O resultado financeiro foi de 3.210 mil milhões de kwanzas (18 milhões de euros) em 2015, neste caso "em virtude do aumento das taxas de juro passivas", nomeadamente as taxas de juro praticadas pelo banco central.

 

Os dados relativos ao exercício de 2016 serão conhecidos em Março, com a administração a admitir que, embora positivos, sejam "inferiores" aos de 2015, fundamentalmente pelo aumento das dificuldades económicas do país e pela conjuntura ao nível das taxas de juro.

 

Após a intervenção do Banco Nacional de Angola (BNA), entre Agosto e Outubro de 2014, a composição acionista do novo banco então criado - e que envolveu a diluição das participações no antigo BESA para garantir o obrigatório aumento de capital e fazer face às perdas -, o grupo da petrolífera Sonangol passou a ser o principal accionista, através da Sonangol EP (16%), Sonangol Vida (16%) e Sonangol Holding (7,40%).

 

A Lektron Capital, alegadamente ligada a investidores chineses - proveniência que o Sanjay Bhasin preferiu não revelar, apesar de questionado pela Lusa -, entrou no capital social do banco com uma participação accionista de 30,98%, enquanto a Geni Novas Tecnologias assumiu uma posição de 19,90% e o Novo Banco ficou apenas com 9,72%, dos anteriores mais de 55% do BES português.

 

Entre 2014 e 2015, período que marcou a transformação do antigo BESA em Banco Económico, a instituição afirma ter captado "cerca de 15.000 novos clientes", superando assim a fasquia dos 100.000.

 

Além disso, os depósitos das empresas registaram um crescimento de 42% e os depósitos do segmento de particulares subiram 22%. Globalmente, os depósitos ascendiam no final de 2015 a 509.442 milhões de kwanzas (2,8 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

 

A carteira de crédito cifrou-se, neste período, nos 108.344 milhões de kwanzas (610 milhões de euros), segundo o relatório e contas.

 

Entre outros indicadores, o banco apresentou um rácio de crédito vencido que aumentou no exercício de 2015 em sete pontos percentuais, para 30% no final do ano, "justificado pelo abrandamento da atividade económica e seu reflexo ao nível das empresas e das famílias", enquanto o rácio de solvabilidade baixou, face a 2014, para 17,81%.

 

O banco fechou o ano de 2015 com um total de 1.061 trabalhadores e, apesar do foco na contenção de custos com pontuais reestruturações na localização de agências, a administração afasta um cenário de despedimentos. "Não há nenhum objectivo de redução do pessoal para ajustar os custos", afirmou Sanjay Bhasin.




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