Aviação EUA fazem quadruplicar preços de jactos da Bombardier

EUA fazem quadruplicar preços de jactos da Bombardier

Pela segunda vez em pouco mais de uma semana, as autoridades dos EUA aplicaram uma segunda penalização à compra de aviões C-Series à empresa canadiana por alegado "dumping": agora, estão quatro vezes mais caros.
EUA fazem quadruplicar preços de jactos da Bombardier
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 06 de outubro de 2017 às 19:31
No espaço de uma semana é a segunda vez que o departamento do Comércio dos Estados Unidos aplica penalizações ao construtor canadiano de aviões por alegado dumping (venda abaixo do valor justo) no mercado dos EUA.

Depois de ter imposto um direito compensatório preliminar de 219,63% a 26 de Setembro a cada avião C-Series da companhia comprado no país, esta sexta-feira, 6 de Outubro, a administração Trump acrescentou uma nova taxa anti-dumping de 79,82%, fazendo ascender a penalização total a 299,45% para vendas no mercado norte-americano.

Ou seja, cada companhia aérea dos EUA que pretenda comprar um jacto C-Series (o maior da Bombardier) terá de pagar praticamente o quádruplo do valor que até aqui era praticado pelo fabricante. A nova penalização surge depois de se dar como provado que aparelhos deste género foram vendidos no passado à Delta Air Lines a preço abaixo do custo.

Tanto esta nova taxa como a anterior têm origem numa queixa apresentada pelo construtor norte-americano Boeing, que pedia um agravamento de 80% nos preços praticados nos C-Series, valor que o departamento do Comércio acabou por elevar até aos quase 300%. No caso da primeira penalização aplicada, Washington deu como provado que a empresa beneficiou de subsídios desleais por parte dos governos do Canadá e Quebeque.

Segundo a Bloomberg, ambas as decisões podem ser revertidas pela comissão de comércio internacional dos EUA (cuja palavra é esperada para o ano que vem), se se concluir que a Boeing não foi prejudicada pela Bombardier.

O primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau já tinha considerado a decisão da semana passada como desapontante e prometeu lutar pelos empregos criados no Canadá, ameaçando não comprar aviões militares à Boeing até que a decisão fosse revertida.

Também desiludida ficou a primeira-ministra britânica na altura. Theresa May - que chegou a falar ao telefone com Trump sobre o tema - realçou a importância da empresa na Irlanda do Norte, onde a Bombardier emprega 4.100 trabalhadores em Belfast, mil das quais na construção das asas do aparelho. Nos EUA, a produção do avião emprega 22.700 pessoas em mais de nove estados, segundo o The New York Times, beneficiando ainda mais de 800 fornecedores locais com encomendas superiores a 2.400 milhões de dólares no ano passado.

Os jactos em causa têm capacidade para transportar entre 100 e 135 passageiros (caso do CS100) e até 160 (caso do CS300), concorrente neste caso do Boeing 737-700. O seu desenvolvimento custou à empresa canadiana mais de 6.000 milhões de dólares e além da Delta Air Lines também a United Airlines comprou aparelhos desta família à empresa canadiana.



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comentários mais recentes
Anónimo 09.10.2017

O maior comissionista que o mundo conheceu... MAKEMYPOCKETGREATAGAIN !

Ventura Santos 08.10.2017

O 5640533 enganou-se, o Rio não é presidente, nem sequer do FCP !