Media TVI: Quando media são fortes, não há problema de pluralismo

TVI: Quando media são fortes, não há problema de pluralismo

A presidente executiva da Media Capital, dona da TVI, disse hoje que, "quando os media são fortes", não devem temer o impacto no pluralismo que a compra da empresa pela Altice poderá ter, preocupação manifestada pela Impresa.
TVI: Quando media são fortes, não há problema de pluralismo
Miguel Baltazar
Lusa 04 de outubro de 2017 às 17:24

"Acho que o que é realmente perigoso para o pluralismo é não haver pluralismo. Quando os 'media' são fortes, não há problema nenhum para o pluralismo", afirmou a administradora da Media Capital, Rosa Cullell, que falava na conferência "Para onde vai a TV que temos? 25 anos de TV privada e 60 anos de serviço público", no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL).

 

A responsável apontou que Portugal "tem uma empresa pública enorme" e duas "empresas privadas de televisão" e todas "vão estar em todas as plataformas, com ou sem esta operação".

 

"O regulador está cá para fazer o seu trabalho. Se não é suficientemente bom, temos de o substituir, mas não há que bloquear a operação", sustentou.

 

A Altice anunciou em 14 de Julho, dois anos depois de ter comprado a PT Portugal (Meo), que tinha chegado a acordo com a espanhola Prisa para a compra da Media Capital, dona da TVI, entre outros meios, numa operação avaliada em 440 milhões de euros.

 

Em 19 de Setembro, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) divulgou o seu parecer, considerando que a compra da Media Capital pela Altice não deverá ter lugar "nos termos em que foi proposta, pois "é susceptível de criar entraves significativos à concorrência efectiva" em vários mercados.

 

O parecer da Anacom não é vinculativo. Aguarda-se agora o parecer da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), esse sim vinculativo, que deverá ser conhecido até 10 de Outubro.

 

Falando sobre o negócio, Rosa Cullell salientou: "Eu sou muito pragmática e o que eu quero é o melhor para a minha empresa. Percebo que os concorrentes queiram o mesmo para as suas".

 

Assinalando que as receitas se mantêm, mas as despesas têm vindo a aumentar, ao mesmo tempo que a concorrência se torna mais forte, a presidente admitiu que "não há investidores a fazer filas".

 

Até porque, continuou, "os media neste país, como noutros, são fracos".

 

Em resposta ao administrador do grupo Impresa, Francisco Pedro Pinto Balsemão, que considerou que as empresas do sector devem apostar em "parcerias horizontais" com participações acionistas ou alianças estratégicas, Rosa Cullell afirmou: "E unidos somos piores, menos plurais".

 

Em contrapartida, acrescentou, são necessários "parceiros fortes" para "uma empresa forte".

 

"É mais esse o caminho do que criar monopólios", observou, aludindo à compra da Media Capital pela Altice.

 

Para Francisco Pedro Pinto Balsemão, "a operação [de compra] pode ter impacto a curto e médio prazo sobre o pluralismo", já que interfere na "independência financeira e económica".

 

Isto porque, empresas como a Altice "não têm cultura jornalística" e irão "pôr os interesses económicos à frente", indicou o responsável.

 

"Nós não estamos preocupados com a qualidade do que distribuímos, inclusive à Meo. Tenho a certeza que, pela qualidade do que distribuímos, não vamos ser preteridos", vincou.

 

Contudo, realçou que "esta empresa fica com capacidade para influenciar o jogo".

 

Presente na ocasião, o presidente da RTP, Gonçalo Reis, disse que os modelos económicos do sector têm vindo a tornar-se "mais frágeis".

 

"Trabalhamos muito mais para estar à tona", destacou, reconhecendo que "cada vez há mais concorrência e concorrentes que não eram levados a sério e que hoje são fortíssimos".

 

 




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