Empresas Um terço do financiamento das empresas já é capital próprio

Um terço do financiamento das empresas já é capital próprio

As empresas portuguesas melhoraram os seus indicadores financeiros em 2016, reduzindo a dependência do endividamento e aumentando a rentabilidade. Pela primeira vez desde 2012 o capital próprio tem um peso superior aos empréstimos.
Um terço do financiamento das empresas já é capital próprio
Bloomberg
Nuno Carregueiro 20 de novembro de 2017 às 15:28

O Banco de Portugal publicou esta segunda-feira, 20 de Novembro, dados actualizados com os indicadores financeiros das empresas privadas portuguesas, que confirmam a melhoria da saúde financeira do sector empresarial.

 

Estes novos dados do banco central representam uma revisão aos números desde 2006, sendo que "passam agora a excluir as sedes sociais, à semelhança do que acontecia com o sector das SGPS".

 

Mudam os números, mas a tendência é a mesma para a qual já apontavam os dados anteriormente publicados. Ou seja, as empresas portuguesas melhoraram os seus indicadores financeiros em 2016, reduzindo a dependência do endividamento e aumentando a rentabilidade.

 

Segundo o banco central, o capital próprio das empresas não financeiras privadas, em 2016, representava já 33% do activo, o que representa uma melhoria de 1,1 pontos percentuais contra 2015 e 3,4 pontos percentuais face a 2012.

 

A melhoria deste indicador (conhecido por autonomia financeira), foi conseguido sobretudo à custa da redução do endividamento bancário.  O peso dos empréstimos no total do activo reduziu-se 1,2 pontos percentuais, para 31,8% em 2016.

 

2016 fica assim marcado pela inversão de posições na rubrica com maior peso no financiamento das empresas privadas portuguesas. Até 2015 os empréstimos representavam sempre a maior parcela, mas agora é o capital próprio que tem o maior peso. Comparando com 2012, o peso dos empréstimos no activo baixou 4,4 pontos percentuais.

 

Quanto às restantes rubricas (mercado de valores mobiliários, fornecedores e outros) não se verificou oscilações de relevo ao longo dos últimos anos.

 

Reflexo da redução do endividamento, a alavancagem financeira das empresas portuguesas melhorou em 2016 para 52,6%, contra 54,2% em 2015 e 57,9% em 2002.

 

E a maior capitalização das empresas também ditou uma melhoria na rendibilidade dos capitais próprios, que atingiu 7,9% m 2016, mais 0,8 pontos percentuais do que em 2015.

   

O custo da dívida, que mede a relação entre os juros suportados e os financiamentos obtidos baixou 3 décimas, para 3,4%, o que traduz não só a menor alavancagem mas também a descida dos custos de financiamento numa altura em que o BCE mantém os juros em mínimos históricos.

 

"A redução do endividamento e do custo da dívida e o aumento da rendibilidade resultaram numa melhoria generalizada dos rácios de financiamento", diz o Banco de Portugal, destacando o rácio de cobertura de juros suportados, que passou de 5,2 para 6,1. Ou seja, o EBITDA gerado pelas empresas permite pagar mais de seis vezes os custos com juros.

 

Em termos de indicadores de risco, em 2016, verificou-se uma redução das percentagens de empresas com EBITDA negativo (baixou para 31,8%), sendo que a percentagem de empresas que tem mais custos com juros do que EBITDA gerado também desceu para 13,4%. Já a percentagem de empresas com prejuízos (resultados líquidos negativos) baixou 1,9 pontos para 37,8%. A percentagem de empresas com capital próprio negativo cai menos de um ponto para 27,9%.