Banca & Finanças Unicredit negoceia venda da Pioneer por três mil milhões

Unicredit negoceia venda da Pioneer por três mil milhões

O maior banco italiano quer reduzir as preocupações em torno da sua solidez. Para isso está a negociar a venda da Pioneer por três mil milhões de euros, avança o Financial Times.
Unicredit negoceia venda da Pioneer por três mil milhões
Bloomberg
Sara Antunes 04 de Dezembro de 2016 às 18:44

O Unicredit está a negociar a venda da gestora de activos Pioneer. As negociações estão a ser feitas com a francesa Amundi e os valores em cima da mesa superam os três mil milhões de euros, avança o Financial Times, que cita fontes próximas do processo.

 

Esta venda tem como objectivo o aumento de capital, numa altura em que a banca italiana está sob os holofotes devido, essencialmente, às fragilidades do Monte dei Paschi. A operação tenta assim afastar o maior banco italiano de um foco de stress.

 

O negócio surge em antecipação ao novo plano estratégico que deverá ser apresentado pelo presidente executivo do banco, Jean-Pierre Mustier , no próximo dia 13 de Dezembro.

 

O FT adianta que o plano em causa deverá passar por um aumento de capital total no valor de 13 mil milhões de euros e a venda de activos. Um deles será a gestora de activos Pioneer, o outro a unidade polaca Pekao.

 

O Unicredit tenciona ainda fazer uma divisão do portefólio de crédito malparado, avaliado em 50 mil milhões de euros, e vender uma parcela a um ou a vários investidores. O mesmo jornal diz que a Fortress, a Cerberus e a Pimco estão entre os potenciais compradores, adiantaram fontes ligadas às negociações.

 

A banca italiana está sob forte pressão, depois dos testes de stress, cujos resultados foram conhecidos no Verão, terem revelado fragilidades. O alvo é o Monte dei Paschi, o único que chumbou no exame. Mas o Unicredit conta com um rácio de solvabilidade CET1 de 10,8%, um valor que cumpre os requisitos exigidos pelo Banco Central Europeu, mas que se encontra no final na tabela quando comparado com os congéneres europeus.

 

Além disso, o Monte dei Paschi poderá encontrar muitas dificuldades em cumprir com as exigências que lhe foram feitas depois dos testes de stress. E isso poderá contaminar toda a banca, em especial a italiana.

 

Um cenário que poderá ainda agravar-se dependendo do resultado do referendo que está a realizar-se este domingo. Se o resultado for "não", a reacção dos mercados poderá ser de apreensão, já que as leituras que estão a ser feitas são de que, no pior cenário, um "não" poderá levar a uma saída de Itália da Zona Euro. E neste contexto de incerteza, emitir dívida no mercado ou angariar investidores será uma tarefa mais complicada.

 

Ainda na sexta-feira, foi noticiado que Itália está a negociar com a Comissão Europeia os termos de um resgate ao Monte dei Paschi.

 

O plano de resgate já terá sido apresentado e, caso seja necessário, poderá ser accionado na próxima semana, avançou Corriere della Sera, citado pela Reuters.

 

O banco italiano, o único que chumbou nos testes de stress cujos resultados foram conhecidos este Verão, tem de se recapitalizar em cinco mil milhões de euros para cumprir os rácios exigidos pelo Banco Central Europeu.

 

A instituição financeira prevê levantar cerca de mil milhões de euros junto dos actuais obrigacionistas através de um acordo para trocar dívida por capital. O valor é parte dos 5.000 milhões de euros que a instituição tem de encaixar para garantir a sua sobrevivência. De acordo com o plano de recapitalização, dado a conhecer no dia 15 de Novembro, e citado pela Reuters, o Monte dei Paschi oferece em média um prémio de entre 23% e 37% sobre preços de mercado. Os analistas do BNP Paribas vêem o valor de mil milhões como "realista", acreditando que o valor arrecadado, previsivelmente no próximo mês, pode chegar a 1.500 milhões.




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comentários mais recentes
Julio Duarte Há 1 semana

Como havia de estar bem a economia se não quisemos pedir dinheiro à Troika para recapitalizar a Banca que enquanto o Estado tiver muita dívida para pagar não pode ser um motor para a dita. Para crescer já se devia ter feito, ou começado a fazer, (não chega a Caixa) o que fez a Espanha, que pediu dinheiro e recapitalizou os bancos além de lhes tirar o mal parado paro o Bankia que quando entrou em bolsa deu a banhada a muitos, entres os quais o Casillas como se sabe, pois começou cotado muito alto e agora cada ação vale menos de 1 euro, mas está bem, porque quem investe em muitas ações em geral e na grande maioria são os ricos e esses se perderem uns milhões para ajudar o mal parado a dar lucro não faz mal nenhum à economia. E no fundo também é o que a Itália está agora a fazer só que com dinheiro próprio porque o tem e a UE não quer, vai contra as leis deles, mas o M. Renzi tive "tomates" e não é do Bloco, para chegar a Bruxelas e dizer, "não mudo uma virgula neste orçamento". E depois há o eterno problema da fiscalidade que começa e acaba sobretudo na bolsa. A bolsa é a prova provada que os capitalistas em Portugal fazem o que querem com as Finanças/Impostos e assim vão aumentando as heranças deles e das famílias, e as vezes vêem tantas facilidades que aliada a ganância em geral inata nesta gente, se aventuram como a família Salgado até perderem o controle da situação. Porque será que a bolsa portuguesa é a que tem a menor percentagem de ações sem dono das bolsas Europeias pelo menos ("Free float é a quantidade percentual de ações livres à negociação no mercado. São aquelas ações que não pertencem a acionistas estratégicos, como: controladores e diretores da companhia e acionistas que detenham mais de 5% do capital total da empresa. Também se excluem do free float as ações com restrições (que não podem ser negociadas) e aquelas em tesouraria. Na prática, quanto maior o free float de uma companhia, maior sua liquidez no mercado e maior a facilidade com que os investidores minoritários podem adquirir e vender livremente suas ações. Isso é particularmente importante para o pequeno investidor no caso de empresas menores, que possuem muitas ações em poder de poucos acionistas estratégicos. Esse tipo de concentração não é interessante para o acionista minoritário."), tendo em circulação livre apenas cerca de 37-38%, que compara com cerca dos perto de 80% por exemplo da bolsa mais conhecida de Londres -FTSE 100-. Ora se assim é temos de saber onde andam essas ações e porque (note-se que nas empresas cotadas estrangeiras que vi, os cerca de 10-20% que não eram livres eram de fundos de investimento, ou seja no resto da europa, tirando algumas poucas, sobretudo na Espanha e na França, já não há patrões/familías a controlar as empresas cotadas). Cá, ao contrário estão quase todas nas "mãos" de patrões/famílias milionárias - Américo Amorim, Belmiro Azevedo, Jerónimo Martins, Isabel dos Santos, Queiroz Pereira, António Mosquito Mbakassi, António Mota, os 2 sócios da Altice patrões da Pharol (ex-PT), a familía Teixeira Duarte, Manuel de Mello Champalimaud, etc. E porquê? Porque com os milhões de ações que detêm além de não pagarem justamente aos trabalhadores, ganham mais milhões em compra quando estão baratas e venda quando ficam caras, pois só pagam imposto de selo e 28% de IRS (sim 28%). Mas ainda ganham mais de outra maneira, muitas em vez de pagar um dividendo por ano até pagam dois porque os únicos que ganham dinheiro aos milhões e não aos euros, são eles que têm milhões de ações, e ganham mais do que se tivessem altíssimos ordenados ou os lucros em vez de irem quase todos para os dividendos ficassem nas empresas para investimento, pois só pagam 28% de IRS sobre esses lucros dos dividendos. Querem vida mais fácil para enriquecer? Nem precisam de off-shores apesar de ainda assim os usarem. Enquanto isto continuar assim o País jamais vai conseguir deixar de ter um nível elevadíssimo de classe pobre e outro de classe média baixa, que representam cerca de 85% ou mais da população. E o E-fatura porque é que existe ainda, -a minha convicção é que da mais prejuízo que lucro às Finanças - pois os bancos que são quem mais recebem dos portugueses raramente passam faturas, e quando alguém reclama passam algumas mas só com a parte dos juros (isto nos empréstimos), e as do capital abatido, parece que quem o paga é o banco ou algum benfeitor da nossas grandes empresas), e os notários e advogados, e a Rede Expresso e a Brisa, todos passam faturas correctamente com NIF, excepto a Brisa que benefícia dum estatuto especial que nós não conhecemos, não aparecem no sistema porque? Se era e é para evitar fuga fiscal, e obrigar a pedir fatura pela bica, não resultou e os prémios dos sorteios não são de desprezar, por isso não sei se a receita chega para a dívida. Até o Dr. Presidente da República sabe disto, pois no tempo de comentador e das perguntas a Marcelo, à minha pergunta respondeu que tinha razão, e que já tinha falado disso nos comentários ma TVI??? Não sei se falou ou não, mas em princípio acredito que sim. Enfim, agora com Centeno sempre a olhar para Bruxelas e a tremer que até gagueja, e com um secretário de estado amigo do Américo Amorim e da Isabel dos Santos...não será tão cedo que as coisas podem tomar outro rumo.

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