Banca & Finanças Unidade do HNA Group teve contas congeladas devido a disputa com banco

Unidade do HNA Group teve contas congeladas devido a disputa com banco

Uma unidade do conglomerado chinês HNA, accionista da TAP, teve as suas contas bancárias temporariamente congeladas devido a uma disputa com uma instituição financeira chinesa, noticia o Financial Times.
Unidade do HNA Group teve contas congeladas devido a disputa com banco
Reuters
Negócios 25 de janeiro de 2018 às 07:55

Segundo a publicação, a Tianjin Tianhai Investment, a unidade do HNA que detém a distribuidora de software Ingram Micro, viu as suas contas congeladas a 12 de Janeiro após uma disputa com o Ningbo Commerce Bank. A negociação desta unidade foi suspensa nesse dia, com a empresa a citar uma possível reestruturação de activos, mas não as contas bancárias congeladas.

A Bloomberg adianta que a decisão foi tomada pelo banco depois de este ter descoberto que o colateral apresentado pela empresa como garantia de pagamento de um empréstimo de 450 milhões de yuan (cerca de 57 milhões de euros) estava a ser usado em vários outros empréstimos com outros credores. 

A unidade esclareceu que as contas foram descongeladas no dia 15 de Janeiro depois de "negociações amigáveis" com o banco.  

Esta não é a primeira vez que o conglomerado chinês é notícia devido a disputas com bancos. Já no início de mês, a Bloomberg noticiava que várias unidades do grupo falharam pagamentos a instituições financeiras e viram as suas linhas de crédito congeladas.

Há precisamente uma semana, o próprio chairman da empresa admitiu problemas de liquidez que, segundo ele,  "existem porque fizemos um grande número de fusões", numa altura em que a economia do país passou "de um crescimento rápido a moderado", penalizando o acesso do grupo a financiamento.

"A subida dos juros por parte da Reserva Federal e a desalavancagem na China provocaram problemas de liquidez no final do ano passado a muitas empresas chinesas", afirmou Chen Feng, citado pela agência noticiosa, acrescentando, porém, estar "confiante que vamos superar as dificuldades e manter um desenvolvimento sustentável, saudável e estável".

 

Como sublinhou a Reuters, foi um raro reconhecimento por parte de um responsável do HNA de que o grupo enfrenta problemas financeiros, depois de, nas últimas semanas, vários bancos locais terem demonstrado preocupações devido à falta de pagamentos, e de os custos de financiamento da empresa terem disparado. O Financial Times noticiou recentemente que o grupo enfrenta taxas entre 11 e 12% para se financiar a um ano.

 

A dívida da empresa, que tem feito soar os alarmes, cresceu mais de um terço nos primeiros 11 meses de 2017 para um total de 637,6 mil milhões de yuan (cerca de 81 mil milhões de euros), enquanto os activos atingiram 1,2 biliões de yuan em Junho.

 

Em meados de Dezembro, o conglomerado colocou à venda cerca de 20 imóveis comerciais no valor de 6 mil milhões de dólares - incluindo edifícios em Nova Iorque, Londres e outras grandes cidades mundiais – para gerar liquidez e ajudar a pagar a dívida, que financiou mais de 80 negócios anunciados nos últimos dois anos, incluindo grandes participações no Deutsche Bank e na cadeia de hotéis Hilton. 




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