Banca & Finanças UTAO vai avaliar revisão no empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução

UTAO vai avaliar revisão no empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução

A comissão de Orçamento e Finanças aprovou esta quarta-feira um requerimento do PCP que vai permitir perceber o impacto das alterações nas condições do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução. Em causa está o empréstimo feito em 2014 aquando da resolução do BES.
UTAO vai avaliar revisão no empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução
Bruno Simão/Negócios
Marta Moitinho Oliveira 13 de abril de 2017 às 12:45
A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) vai fazer contas à alteração das condições do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução e que serviu para capitalizar o Novo Banco em 2014. O trabalho dos peritos do Parlamento vai ser feito por iniciativa do PCP e foi aprovado pelos deputados da comissão de Orçamento e Finanças.

Os comunistas justificam este pedido de trabalho extra aos peritos do Parlamento em resultado da recente revisão das condições do empréstimo que dá mais tempo aos bancos para pagar este empréstimo.

"Entende o grupo parlamentar do Partido Comunista Português que as condições de pagamento do empréstimo, iniciais e actuais, devem ser objecto de profundo escrutínio", explica o requerimento. 

Assim, os comunistas propõem-se a esclarecer as seguintes questões: o cálculo do valor actual do fluxo de pagamento decorrente das novas condições do empréstimo (após 21 de Março de 2017, data do anúncio do Governo da revisão das condições); o cálculo do valor actual do fluxo resultantes das condições vigentes antes desta renegociação; a comparação entre ambos os valores actuais; e, simultaneamente, a avaliação das condições do pagamento do empréstimo e a análise da viabilidade do seu pagamento, nos vários cenários.

A revisão das condições do empréstimo tem suscitado dúvidas no Parlamento, entre os partidos. O PSD tem falado em "perdão parcial da dívida" dos bancos para com o Estado. "Serão centenas de milhões de euros de perda para os contribuintes que é causada por este perdão e esta renegociação que o Governo fez. Queremos pedir à UTAO, para que não haja dúvidas e falemos todos de dados objectivos, que faça as contas", explicou o vice-presidente da bancada do PSD António Leitão Amaro, em declarações à agência Lusa.

A 21 de Março, o Ministério das Finanças anunciou que as condições do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução foram revistas e o prazo de pagamento dos reembolsos alargado para Dezembro de 2046, relativos à injecção de 3.900 milhões de euros pelo Tesouro para a resolução do BES e capitalização do Novo Banco em Agosto de 2014 e de 489 milhões de euros na intervenção no Banif, dos quais 136 milhões de euros já foram reembolsados.





A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 1 semana

A economia não são contas de contabilista. As contas de contabilista podem-se aldrabar, manipular e martelar de diversas maneiras de modo a apresentar valores dentro dos parâmetros que bem se quiser e desejar. O que interessa e conta em economia não são estas operações meramente contabilísticas mas sim os modelos de várias variáveis que resultam em criação sustentável de valor ou em extracção insustentável do mesmo e que pesarão sempre sobre os níveis futuros de sustentabilidade de um Estado, competitividade de uma economia e equidade de uma sociedade. Contas de merceeiro favoráveis e escrituração self-service muito bonitinha até os maiores esquemas Ponzi ou as maiores burlas na história das fraudes económico-financeiras da humanidade souberam produzir. Muitas vezes sem sequer violar qualquer regra ou norma contabilística que seja.

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Muita gente, por pura ignorância na matéria ou por pura desonestidade intelectual, nem questiona a ordem de grandeza dos custos de oportunidade associados a estes gastos. A indignação é a mais elementar reacção que se pode ter perante esta realidade e estes factos, a menos que a abjecta iniquidade e insustentabilidade reinante faça parte integrante do nosso modo de viver, ser e pensar...

Anónimo Há 1 semana

O PSD devia ter deixado os bancos já sem solução alguma entrar em processo de falência e liquidação. Os bancos com alguma solução ou alguma esperança, como o BCP, deviam ter sido nacionalizados, reestruturados e consolidados com a CGD. Isso só não foi possível porque a legislação laboral e a máfia sindical nunca permitiriam despedir os milhares de excedentários dai resultantes. Temos a leis e a cultura de gestão que temos. Não digam agora que isso não acarreta custos enormes para o Estado e para a economia, porque seria uma rotunda mentira dizê-lo.

Anónimo Há 1 semana

Vocês bancários subsidiados, tal como as legiões de excedentários de carreira da função pública a quem vocês concederam créditos avultados, já nos deram imenso prejuízo pois têm sido os grandes beneficiários da extorsão e pilhagem perpetrada ao Estado e à economia portuguesa desde há várias décadas. Os custos de oportunidade de ter que vos subsidiar são elevadíssimos e de muito difícil e remoto ressarcimento.

Anónimo Há 1 semana

Do ponto de vista de um tradicional banco de retalho, que risco existe em emprestar a 200 ou 300 mil excedentários blindados face à real procura e oferta de mercado motivada pelos avanços tecnológicos, a globalização e as alterações nos hábitos, gostos, necessidades e expectativas de todos os agentes económicos? E aos muitos milhares de pensionistas que anteriormente passaram incólumes por essa mesma situação de excedentarismo protegido e principescamente remunerado? A banca de retalho fomenta e vive do excedentarismo a par com o capitalismo de compadrio subsidio dependente e os políticos eleitoralistas irresponsáveis. Se a jurisdição em causa, por acréscimo, não tem mercado laboral flexível nem mercado de capitais, o melhor talento e investimento perde-se na íntegra. Sobram os resgates cíclicos, as bolsas perfeitamente evitáveis de pobreza endémica, o atraso, a irrelevância e dependência extremas enquanto povo, cultura e sociedade no contexto do mundo desenvolvido.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub