Banca & Finanças Venda da CGD na África do Sul revela que Portugal "só se interessa pelas remessas"

Venda da CGD na África do Sul revela que Portugal "só se interessa pelas remessas"

A comunidade portuguesa na África do Sul está preocupada com a venda pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) do banco que tem naquele país africano e considera que revela o interesse de Portugal somente nas remessas dos emigrantes.
Venda da CGD na África do Sul revela que Portugal "só se interessa pelas remessas"
Lusa 11 de março de 2017 às 17:39

"A sensação com que ficamos é que pouco interessamos para Portugal. Quando as nossas remessas baixam, aí é que é mau para o país", disse à Lusa Vasco Abreu, conselheiro da comunidade por Joanesburgo.

 

O representante da comunidade recordou que a CGD está presente na África do Sul há cerca de 50 anos - inicialmente com o nome Banco de Lisboa -, e disse que ainda hoje é importante para a comunidade portuguesa e também lusófona (de Angola e Moçambique), até por ainda haver funcionários de balcão que falam português.

 

O presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, anunciou esta sexta-feira que no âmbito do plano de reestruturação do banco - acordado com a Comissão Europeia a propósito da recapitalização - será dada "prioridade" à saída de Espanha e da África do Sul. Neste país a CGD tem o Mercantile Bank.

 

Silvério Silva, conselheiro-chefe da comunidade durante 12 anos até ao ano passado, disse à Lusa que esta sexta-feira, mal saiu a notícia, teve vários telefonemas de pessoas preocupadas com o fecho do banco. "É uma tristeza para nós, continuamos a não ter nada ligado a Portugal, que sentimos que seja nosso, português", afirmou, considerando que é preocupante para clientes particulares mas também para empresas.

 

O português disse ainda que a comunidade já sofre desde que, em 2011, a TAP deixou de voar para a África do Sul e que a saída da CGD representa a saída de mais uma "empresa de bandeira". "Vão tirar-nos a última bandeira que temos aqui, qualquer dia tiram a embaixada e o consulado e não fica mais nada", acrescentou Silvério Silva.

 

Na África do Sul vivem cerca de 400 mil portugueses e luso-descendentes.

 

O Mercantile Bank (África do Sul) deu lucros de 10,8 milhões de euros em 2016, semelhante aos 10,3 milhões de 2015. Já o Grupo CGD teve prejuízos históricos de 1.859 milhões de euros o ano passado.


A sua opinião5
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Que saudades de Passos Coelho de PSD, de CDS, era ver o desemprego sempre a subir, subir, subir, os cortes nos direitos sociais sempre a subir, Subir, SUBIR, que saudades daquele tempo que se via o Telejornal a Tremer, tremer, TREMER.
Este ano voltamos a ter subsídios de Férias e de Natal, certa ?

Sul Africano 17.03.2017

O que é interessante ver é que se desvinculam de uma parceria que dá lucro de 10,8 milhões para continuar caminho com o prejuízo de 1859 milhões de euros...
Honestamente, não fazem cá falta, o meu país abandonou-me quando emigrei.

Skizy 11.03.2017

É obvio que só interessa as remessas, não fossem os emigrantes, com a gestão das contas publicas até 2011 o ressgate teria acontecido mesmo em 2009!

Conselheiro de Trump 11.03.2017

Devemos de estar lembrados da discucao acesa sobre as escolas que abriam para dar aulas em aldeias isoladas a um aluno apenas.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub