Vítor Constâncio defende supervisão da banca por autoridades europeias
26 Abril 2012, 18:49 por Lusa
8
Enviar por email
Reportar erro
0
O sector bancário europeu deve ser alvo de regulação e supervisão por parte das autoridades comunitárias, defendeu hoje o vice-governador do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, salientando que a crise tem impedido a integração financeira na região.
O sector bancário europeu deve ser alvo de regulação e supervisão por parte das autoridades comunitárias, defendeu hoje o vice-governador do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, salientando que a crise tem impedido a integração financeira na região.

"Devemos assegurar que o sector financeiro, em concreto, o sector bancário, seja supervisionado e regulado a nível europeu", afirmou Constâncio, que participou numa conferência conjunta com a Comissão Europeia (CE), em Frankfurt, sobre a integração e a estabilidade financeira na Europa.

Num relatório anual produzido pelo BCE e pela CE, cujas conclusões foram hoje apresentadas, as entidades concordam que a crise financeira, iniciada em 2007, deteriorou o processo de integração financeira europeia, conduzindo a uma nacionalização de alguns segmentos do mercado.

O presidente do BCE, Mario Draghi, defendeu igualmente que se fortaleça a supervisão e a regulação bancária na zona euro: "A intensificação da crise nos mercados europeus de dívida soberana em 2011 afectou fortemente o sistema financeiro da zona euro, cujo grau de integração se deteriorou".

Por seu turno, Constâncio sublinhou que as medidas não convencionais aplicadas recentemente pelo BCE, como as injecções de liquidez a três anos, contribuíram para melhorar a integração financeira.

"Desde 2007, a integração dos serviços financeiros europeus sofreu um claro retrocesso. Face às mudanças, é importante reconhecer os benefícios que resultaram da integração financeira derivada das iniciativas europeias durantes os últimos 25 anos", frisou o responsável.

A entidade monetária europeia pediu que se completem as reformas institucionais atuais, que constituem o primeiro passo para a união orçamental, ao mesmo tempo que defendeu a intensificação da supervisão financeira a nível europeu.

Constâncio acrescentou que alguns bancos da zona euro apenas recebem financiamento privado e que é o Eurosistema, integrado pelo BCE e pelos bancos centrais nacionais, quem financia muitos bancos.

Também a directora-geral do Mercado Interior e Serviços da CE, a espanhola Nadia Calviño, lançou o repto para que haja um reforço da regulação e da supervisão do sector financeiro na zona euro.

Criticando as soluções nacionais, que impliquem fechar os bancos dentro das fronteiras de cada país, a responsável disse que isso faria cair por terra, em parte, os benefícios significativos da integração financeira europeia, colocando em perigo a integração económica.

Por isso, considerou que "se pode ganhar muito se as mudanças forem coordenadas adequadamente e englobadas em novos marcos reguladores e supervisores desenvolvidos na União Europeia".

A reestruturação do sector bancário na Europa tem sido feita, até agora, em esforços de natureza nacional, o que apresenta riscos para o processo de integração europeu, porque são medidas não coordenadas e que se centram apenas nos mercados nacionais, defendeu Nadia Calviño.

E concluiu que as condições do mercado melhoraram desde o final de 2011, mas que aumentou a conexão entre os bancos e os riscos da dívida pública.

8
Enviar por email
Reportar erro
0
pesquisaPor tags:
alertasPor palavra-chave: