Desporto Vicente Moura: "Se nada mudar em 2016 teremos menos modalidades, menos atletas e zero medalhas"

Vicente Moura: "Se nada mudar em 2016 teremos menos modalidades, menos atletas e zero medalhas"

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) foi esta terça-feira ouvido no Parlamento, onde disse não ter ficado surpreendido com os resultados nos Jogos Olímpicos de Londres.
Vicente Moura: "Se nada mudar em 2016 teremos menos modalidades, menos atletas e zero medalhas"
Alexandra Machado 08 de janeiro de 2013 às 19:29

"Em 2016 teremos menos modalidades, menos atletas e provavelmente zero medalhas, se nada mudar". A declaração foi feita esta terça-feira, 8 Janeiro, no Parlamento pelo presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Vicente Moura, que sairá do cargo em Março próximo, mas promete, desde já, não ficar calado depois de sair. "Gostava de contribuir para uma solução relativamente aos projectos olímpicos", mas admitiu que possivelmente só conseguirá dar essa ajuda através da comunicação social. "Se alguém pensa que estou reformado, está muito enganado".

 

Foi na Comissão de Educação, Ciência e Cultura que Vicente Moura foi esta terça-feira ouvido, a propósito da missão olímpica portuguesa em Londres de 2012. Portugal conseguiu nos Jogos Olímpicos do ano passado uma medalha, em canoagem. Para Vicente Moura não houve surpresas. No seu entender, foram os resultados "suficientes e sofríveis", mas "não foi uma surpresa. Sabia exactamente o nível de atletas que iríamos levar aos Jogos Olímpicos". Estava "convencidíssimo que a obtenção de medalhas era difícil".

 

Lembrou, aliás, que para os Jogos Olímpicos de 2012 Portugal só levava uma campeã da Europa. Em jogos anteriores chegou a levar 12 atletas que tinham sido campões europeus ou do mundo. "Não vale a pena pensarmos que um atleta que está na centésima posição do ranking tem hipótese de ganhar medalha, não tem a mínima hipótese", argumentou.

 

Para este responsável, "é irrelevante para os atletas e treinadores se a bolsa é paga pelo COP ou pelo Institudo Português do Desporto desde que recebam mensalmente a importância". O problema, acrescentou, é que o Instituto não conseguiu pagar a tempo nem consegue. Isto a propósito da missão olímpica ser gerida pelo COP.

 

Na missão Londres 2012 houve um orçamento de 10,4 milhões de euros. Vicente Moura lembrou que o valor para a preparação da missão Sidney foi de nove milhões, valor que em Atenas passou para 11,469 milhões de euros e que baixou para Pequim 2008 para 10,2 milhões.

 

Estes são os valores gastos em cada quatro anos que dura a missão olímpica. A Londres, a missão portuguesa levou 77 atletas em 13 modalidades (num total de 28 modalidades existentes nos Jogos). "Portugal, com 77 atletas, não participou sequer em 30% das provas olímpicas", por isso, acrescenta, não pode ser um candidato a medalhas como países como a Alemanha ou Estados Unidos, candidatos às 930 medalhas em disputa. "Quanto muito Portugal é candidato a 30% dessas medalhas". E lembrou que, mais uma vez, não levou a Londres qualquer atleta no desporto colectivo. É um factor a seu ver negativo. "A única modalidade que tem mais facilidade em participar, o futebol, não tem querido, os que têm querido não podem porque não conseguem as qualificações". E por isso acredita que devia haver um programa específico para o desporto colectivo pensado a 15-20 anos.

 

Para Vicente Moura, o desporto olímpico é a expressão da prática desportiva em Portugal. E, por isso, sugere que seja pensado a 10-15 anos, incentivando-se a prática desportiva, começando nas escolas. A canoagem em Portugal tem 2.500 participantes, em Espanha tem 125 mil. "Sem desporto escolar digno desse nome, sem política integrada de desenvolvimento desportivo, sem detecção de talentos, sem captação de valores, sem massificação da prática desportiva em Portugal, queremos medalhas?", concluiu.




A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Saraiva14 08.01.2013

E qual é o problema!?

comentários mais recentes
Até que enfim! 08.01.2013

Mas até 2016 muita coisa vai mudar, e a mudança começa já em Março com a saída do "nunca mais se vai embora" presidente do COP...

Napo£eão 08.01.2013

Este "eterno" homem do Comité Olímpico muito gosta ele de botar faladura e "dar palpites" ! Um verdadeiro "artista" !

Saraiva14 08.01.2013

E qual é o problema!?

mcss 08.01.2013

Êste "tachista" se tivesse vergonha, estava calado. Deve estar a fazer-se para continuar a "obra" que fez até agora. Já devia ter sido "corrido" há muito tempo.

pub
pub
pub
pub