Banca & Finanças Representante do Grupo Violas demite-se da administração do BPI

Representante do Grupo Violas demite-se da administração do BPI

O representante do maior accionista português do BPI, Edgar Alves Ferreira, assume uma "divergência profunda" com a administração. Edgar Ferreira demite-se porque acredita que a venda de 2% do BFA pode levar a acções judiciais.
Representante do Grupo Violas demite-se da administração do BPI
Paulo Duarte/Negócios
Diogo Cavaleiro 13 de Outubro de 2016 às 19:05
O representante do Grupo Violas Ferreira no BPI, Edgar Alves Ferreira, saiu da administração do banco por discordar da posição da equipa de Artur Santos Silva e Fernando Ulrich. 

"Assumindo a minha divergência profunda quanto à deliberação deste conselho de administração considerar oportuna a OPA em curso, e, bem assim, com a legitimidade que me advém do facto de ter sido o único administrador que não votou favoravelmente esta alienação de 2% do BFA pelo ridículo valor de 28 milhões de euros e por considerar, inclusive, que estes actos de gestão no decorrer de uma OPA, são susceptíveis de conduzir à apreciação e responsabilização judicial dos membros deste conselho de administração, informo que formalizarei hoje mesmo por carta ao Banco BPI a minha renúncia ao cargo de membro deste conselho de administração".

A indicação consta da declaração de voto do administrador Edgar Alves Ferreira, depois de votar contra a deliberação em que a OPA do CaixaBank foi considerada "oportuna". Alves Ferreira era o representante na administração da Violas Ferreira Financial, que detém 2,681% do banco, empresa que tem Tiago Violas Ferreira (na foto) como administrador (é ele que tem falado sobre o tema, tendo inclusive dado uma entrevista ao Negócios). 

OPA é "inoportuna" para accionista além de CaixaBank e Santoro

Na declaração de voto, Edgar Ferreira faz duras críticas à postura da equipa de administração de Artur Santos Silva e Fernando Ulrich. A venda de 2% do Banco de Fomento Angola (BFA) à Unitel, abdicando o BPI do seu controlo para cumprir as exigências do Banco Central Europeu, é o principal ponto. A transacção foi por 28 milhões de euros e teve como base a não oposição de Isabel dos Santos à desblindagem dos estatutos do banco português, essencial para o sucesso da OPA do CaixaBank.

 

"Este conselho de administração troca o controlo sobre o maior activo do banco (com uma perda avultadíssima de valor reconhecido pelo conselho de administração) pelo sucesso da OPA lançada pelo seu maior accionista", acusa o ex-administrador, cuja demissão foi já oficializada em comunicado ao regulador do mercado de capitais.  

 

Para Edgar Ferreira, "serão os demais accionistas do Banco BPI que pagarão do seu bolso (com o que deixam injustificadamente de receber) a ausência de prémio de controlo na OPA do CaixaBank e a ausência de prémio de controlo na transacção do BFA". 


É por isso que discorda da ideia de que a OPA é "oportuna". "É demais evidente que para os demais accionistas é manifestamente inoportuna, com uma contrapartida manifestamente insuficiente e não equitativa". A OPA é a 1,134 euros por acção.

 

Aliás, o preço oferecido pelo CaixaBank é outro dos elementos que levaram ao voto contra da "holding" Violas Ferreira Financial, a principal accionista portuguesa do BPI (atrás do CaixaBank, Santoro e Allianz). O ex-administrador relembra que, na primeira OPA de 2015 do grupo catalão, o BPI declarou que o preço justo seria 2,26 euros e, meses depois, afirmou que seria 1,54 euros. Agora, a administração defende que a contrapartida justa seria 1,38 euros. "Falta de coerência", remata Edgar Ferreira.

 

Acusação de inacção

Nas críticas que faz à postura da administração, o ex-administrador do BPI fala igualmente da alegada inacção da administração em relação a várias soluções que foram sendo postas em cima da mesa.

"A seu tempo, a VFF sugeriu que fosse analisada uma possível fusão do BFA com o Caixa Angola", que pertence à CGD. "Não foi explorada a sua exequibilidade nem tão pouco estudados os seus impactos por parte deste conselho de administração", dispara a declaração de voto.

 

A colocação em bolsa de parte do BFA, proposta em Outubro de 2015, também não mereceu atenção da equipa de Santos Silva e Ulrich. "Com justificação de calendário, na minha opinião, não lhe foi dada a devida importância. Entretanto, passou quase um ano completo". 

Edgar Violas votou contra a deliberação que prevê a saída de 1.000 funcionários do BPI com "lay-offs" e reformas antecipadas. Mário Leite da Silva, representante da Santoro de Isabel dos Santos, não participou na votação. Os representantes do CaixaBank no BPI não participaram na reunião em que a administração se pronunciou sobre a oportunidade da OPA. 

  



(Notícia actualizada às 19:36 com mais informações)



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Juca Há 3 semanas

Estes caíram de papo. É que só mamar à custa dos outros e esperar de pachacha aberta dá nisto.

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