Mercados Vivendi lança OPA de 3,9 mil milhões sobre a Havas

Vivendi lança OPA de 3,9 mil milhões sobre a Havas

A francesa Vivendi quer comprar a empresa gaulesa de publicidade Havas por 3,9 mil milhões de euros, num plano orquestrado pelo multimilionário Vincent Bolloré, que compra ambas as empresas.
Vivendi lança OPA de 3,9 mil milhões sobre a Havas
Reuters
Carla Pedro 11 de maio de 2017 às 21:10

O império de media Vivendi lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Havas, no valor total de 3,9 mil milhões de euros, avançou a Bloomberg. O negócio está a ser delineado por Vincent Bolloré, que é presidente do conselho de administração da Vivendi e que é também pai do CEO e "chairman" da Havas - Yannick Bolloré.

 

Vincent controla ambas as empresas e quer capitalizar as oportunidades comuns em matéria de conteúdos e grandes volumes de dados da Vivendi – cujos activos vão da televisão à música – e da Havas [direccionada para o marketing e publicidade].

 

A Vivendi ofereceu 2,3 mil milhões de euros, ou 9,25 euros por acção, pela posição de 60% do Groupe Bolloré na Havas, anunciou a empresa em comunicado ao mercado, no mesmo dia em que reportou as suas contas trimestrais.

 

Esta oferta é assim 11% superior ao preço de fecho da Havas na sessão de quarta-feira, 10 de Maio. Se a Vivendi e Bolloré chegarem a bom porto com a Havas e concluírem o negócio, a Vivendi lançará depois uma oferta sobre o restante capital accionista, ao mesmo preço – e sem ter em vista a retirada de bolsa da Havas, segundo a mesma fonte. O que totalizará 3,9 mil milhões de euros.

 

Este negócio "adequa-se na perfeição num sector que está a converger entre conteúdos, distribuição e comunicação", declarou o CEO da Vivendi, Arnaud de Puyfontaine, numa conferência com analistas. "Conhecemo-nos todos muito bem, gostamos de trabalhar em conjunto e o nosso ambiente é totalmente amigável", acrescentou, citado pela Bloomberg.

 

A conjugação de ambos os negócios aumenta o potencial de conflitos de interesse, dado que a Havas compra publicidade nas plataformas de media em nome de anunciantes, e a Vivendi detém algumas dessas plataformas, sublinham os analistas. A título de exemplo, a Vivendi detém uma posição na italiana Mediaset SpA.

 

Yannick Bolloré, recorde-se, comprometeu-se a transformar a Vivendi numa gigante capaz de competir com a Time Warner.

A Vivendi apresentou esta quinta-feira os seus resultados do primeiro trimestre, tendo reportado lucros ajustados de 149 milhões de euros, o que correspondeu a uma queda de 30% face ao período homólogo de 2016. A média projectada pelos analistas inquiridos pela Bloomberg era de 180 milhões de euros.

Este recuo deveu-se sobretudo pela queda de 66% nos lucros da sua unidade de TV paga Canal Plus.

A Vivendi reiterou, contudo, a sua estimativa de aumento das receitas este ano, em mais de 5%, e de um crescimento de cerca de 25% dos lucros.

Vincent Bolloré, além de "chairman" da Vivendi, detém 21% na empresa. E no ano passado, recorda a Bloomberg, fez disparar a especulação quando disse ao jornal francês Les Echos que "obviamente, um dia haverá algo entre a Vivendi e a Havas".

A Havas, com 20.000 trabalhadores repartidos por 100 países, registou receitas de 2,3 mil milhões de euros em 2016, não tendo ainda divulgado as contas do primeiro trimestre deste ano. 


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