Automóvel Volkswagen afinal não exclui falar sobre fusão com a Fiat

Volkswagen afinal não exclui falar sobre fusão com a Fiat

Matthias Mueller, líder do grupo germânico Volkswagen, admite agora que não pode descartar, pelo menos, ter uma “conversa” sobre uma possível fusão com a Fiat. Há poucos dias, o responsável não queria abordar o tema.
Volkswagen afinal não exclui falar sobre fusão com a Fiat
Bloomberg

"Não estamos preparados para falar sobre nada. Não vejo o Marchionne [Sergio Marchionne, CEO da Fiat] há meses", disse Matthias Mueller (na foto), no passado dia 8 de Março. Porém, em menos de uma semana, a postura do líder do grupo Volkswagen mudou. Na conferência de imprensa anual do grupo, que se realizou esta terça-feira, 14 de Março, Mueller admitiu que não pode descartar abordar o tema de uma eventual fusão com a Fiat Chrysler.

"Não descarto uma conversa", afirmou o CEO do grupo Volkswagen aos jornalistas, citado pela Reuters, na conferência de imprensa. Sergio Marchionne, líder da Fiat Chrysler, há muito que defende fusões na indústria automóvel de forma a existir uma partilha de custos na criação de carros mais avançados em termos tecnológicos, de acordo com a mesma fonte.

A 7 de Março, o presidente executivo da Fiat, Sergio Marchionne, afirmou não ter qualquer dúvida que, "no devido momento, a Volkswagen deverá aparecer para ter uma conversa connosco com vista a uma fusão". Na opinião de Marchionne [que em Maio do ano passado assumiu também a liderança da Ferrari], citado pela Bloomberg, a fusão PSA-Opel "ameaça mais a Volkswagen, criando um número 2 mesmo junto aos seus calcanhares".

Hoje, Matthias Mueller argumentou que "seria muito mais útil que o senhor Marchionne comunicasse as suas considerações também a mim e não apenas a vocês", referindo-se ao facto de Marchionne fazer frequentemente declarações à comunicação social onde defende a fusões no sector.


Ainda com o tema de fusões a pairar, Mueller, relata a Reuters, não quis comentar a possibilidade de a fusão entre a Opel e a PSA reforçar a consolidação do sector na Europa. "Estou muito confiante no futuro da Volkswagen, com ou sem Marchionne", apontou.


A 6 de Março, o grupo francês PSA, liderado por Carlos Tavares, anunciou a compra da Opel à norte-americana GM por 2.200 milhões de euros. A compra inclui, além da actividade produtiva da Opel (que se estende à marca Vauxhall presente no Reino Unido), as operações da sucursal financeira da GM na Europa.

Lucros de mais de 5.000 milhões

O ano de 2016 foi positivo para o grupo alemão Volkswagen. Neste período, e de acordo com a informação publicada esta terça-feira, 14 de Março, o grupo automóvel teve lucros atribuídos aos accionistas em torno de 5,14 mil milhões de euros. Um valor que contrasta fortemente com o prejuízo de quase 1,6 mil milhões registado em 2015.

 

As receitas cresceram 1,9% em 2016 para quase 217,3 mil milhões de euros. Nos 12 meses de 2016, o grupo que detém marcas como a Audi, Volkswagen, Porsche e Skoda, vende perto de 10,4 milhões de carros, um valor também acima do registado em 2015 - altura em que foram vendidas 10.009,605 unidades. Apesar das vendas terem ficado abaixo dos 10,4 milhões, o grupo produziu 10.405,092 de viaturas no ano passado.

 




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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Fogo de vista mas alguém vai acabar com marcas como Skoda, Lancia ou outras? A redução de custos vai passar pelo habitual corte nos funcionários e o cliente fica com menos escolha no mercado. Ao invés de 3 passamos a ter 6 carros iguais só diferentes por fora.

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