Desporto Volvo Ocean Race quer ficar em Lisboa 10 anos pelo potencial de "excelência" náutica

Volvo Ocean Race quer ficar em Lisboa 10 anos pelo potencial de "excelência" náutica

O director da Volvo Ocean Race anunciou na quarta-feira equacionar a possibilidade de manter o estaleiro da prova "10 anos ou mais" em Lisboa, por reconhecer à cidade o potencial para se tornar um "centro de excelência" náutica.
Volvo Ocean Race quer ficar em Lisboa 10 anos pelo potencial de "excelência" náutica
Lusa 08 de dezembro de 2016 às 12:32

Em causa está a estrutura criada em maio deste ano na Doca de Pedrouços para montagem final dos barcos, que, entre Outubro de 2017 e Junho de 2018, irão participar naquela que é apontada como a mais longa prova náutica do mundo, percorrendo em nove etapas um circuito oceânico superior a 80.000 quilómetros.

 

A 11 meses de distância do arranque oficial do evento, nesse 'boatyard' já vêm trabalhando mais de 80 pessoas por semana e, considerando toda a logística da construção naval e necessidades daí decorrentes ao nível de alojamento, restauração e outros serviços, a organização estima em mais de seis milhões de euros o impacto que a prova gerou na economia local, só entre Maio e Dezembro.

 

"Cascos e 'decks' já estão prontos, mas tudo o resto é montado em Lisboa (...) e o nível de qualidade que aí temos é um bom catalisador para o futuro", declarou o britânico Mark Turner na sede da Volvo Ocean Race, na cidade espanhola de Alicante, que antes acolhia o referido estaleiro.

 

Turner frisou que o objectivo é permanecer em Lisboa "por um período consistente", já que "a cidade tornar-se-á a longo prazo muito atractiva para outros sectores envolvidos no desenvolvimento de barcos (...) e terá oportunidade de ser um centro de excelência em termos de investigação", admitindo ainda que o assunto já foi discutido com a Câmara Municipal.

 

Ex-oficial da Marinha Britânica, fundador da empresa OC Sports (que promove o circuito Extreme Sailing Series) e ex-participante da própria Volvo Ocean Race, quando essa ainda se designava Whitbread Round-the-World, Mark Turner reconhece à capital portuguesa "escala operacional e solidez económica".

 

O seu objectivo é, por isso, transformar a Doca de Pedrouços na "base técnica da prova ao longo da próxima década ou mais", com o que Lisboa sairia ainda mais beneficiada, uma vez que, apenas com duas edições no currículo, já é a localização "com mais retorno por dólar" em todo o circuito da competição.

 

Tendo em conta que a organização da Volvo Ocean Race está por esta altura a definir a sua estratégia de longo prazo e equaciona a possibilidade de o evento deixar de ter periodicidade trienal, Mark Turner acredita que a cidade terá capacidade para vir a "'incubar' uma série de novas empresas relacionadas com a náutica".

 

"Lisboa merece ter o 'boatyard' por 10 anos", defende.

 

"Partindo do princípio de que temos condições para isso, podemos vir a organizar uma prova a cada ciclo de dois anos (...) e isso dará um novo impulso à cidade, que é o único local do circuito onde as equipas podem testar os barcos durante os meses que antecedem a regata", realça.

 

Feitas as contas ao impacto económico motivado por essa eventual nova calendarização, Mark Turner antecipa: "Se Lisboa se tornar a nossa base predefinida, muitos mais milhões [de euros] se seguirão".

 

Mas, enquanto isso, há questões que continuam por resolver em Lisboa relativas à regata de 2015, nomeadamente no que concerne a dívidas assumidas pela empresa Urban Winds, então parceira da Volvo Ocean Race na organização da etapa portuguesa.

 

Antonio Bolaños Lopez, director-gerente da prova, admitiu o problema à agência Lusa, mas realçou: "Qualquer aspecto financeiro relativo à última 'stopover' em Lisboa é da responsabilidade do nosso parceiro local na edição de 2014-2015. Mal fomos informados do que se passava por algumas das empresas afectadas, solicitámos-lhe que as contactasse para lhes explicar a situação e resolver qualquer questão pendente o mais rápido possível".

 

O processo poderá agora ter influência na escolha do parceiro para a etapa de 2017, que, segundo Bolaños Lopez, "irá ser designado nas próximas semanas".




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comentários mais recentes
pertinaz 08.12.2016

CAMBADA DE TRAMBIQUEIROS ........

ESTÃO A QUERER SACAR MAIS UMAS MASSAS AOS ESTUPORES DO COSTA E DO MEDINA......

E NO FIM PAGAMOS NÓS

Luís Serpa 08.12.2016

Algo me diz que não é só a excelência náutica. Deve haver por ali excelência carcanholística à mistura.

Jorge Alves 08.12.2016

Falta saber quem paga...passaram por Alicante...deixaram marca....falta massa agora poderá tocar outra...

Pedro Pereira 08.12.2016

Sem dúvida Lindíssimo.

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