Media Wall Street Journal reduz secções e abre porta a despedimentos

Wall Street Journal reduz secções e abre porta a despedimentos

O periódico vai fundir secções na sua edição escrita a partir de 14 de Novembro, uma decisão que deverá motivar cortes de postos de trabalho. Ontem a Reuters anunciou cortes de dois mil empregos e hoje foi a vez do New York Times ter anunciado uma queda de mais de 95% nos lucros.
Wall Street Journal reduz secções e abre porta a despedimentos
Paulo Zacarias Gomes 02 de Novembro de 2016 às 17:37

O jornal financeiro Wall Street Journal, detido pela News Corp, está a preparar o lançamento de um novo formato com menos secções, numa tentativa de assegurar a sustentabilidade da empresa. A redução deverá também conduzir a despedimentos.


Um memorando interno citado pela Reuters indica que as mudanças avançam a 14 de Novembro, dentro de menos de duas semanas, materializando os cortes já anunciados pela Dow Jones & Co, a empresa que gere o título.


"Temos de evoluir para uma edição impressa que assente numa base financeira sólida num futuro previsível enquanto os nossos horizontes no digital continuam a expandir-se," escreve no memorando o director da publicação, Gerald Baker.


"Tal como referi anteriormente, haverá infelizmente necessidade de eliminar algumas posições durante este processo," acrescenta.


O novo formato terá a secção "Negócios&Finanças", que fundirá as actuais Negócios e Tecnologias e Dinheiro e Investimento. A secção "Vida & Artes" combinará as actuais "Diário Pessoal" e "Arena", enquanto a "Grande Nova Iorque" será reduzida e integrada na secção principal do jornal.


Em Outubro a Dow Jones apresentou um plano de redução de custos a três anos para responder à queda na publicidade impressa no âmbito do qual propôs aos actuais funcionários a compra de acções da empresa.

Ainda ontem a agência noticiosa Thomson Reuters anunciou que vai eliminar 2.000 postos de trabalho a nível global, como parte do plano de reestruturação que a empresa de media vai implementar em 39 países e vai abranger, sobretudo, os departamentos financeiros e de operações e tecnologia do grupo. As redacções da Reuters ficarão de fora do plano de cortes.

Lucros do New York Times quase eliminados no terceiro trimestre

O panorama de queda de receitas publicitárias no suporte tradicional é transversal ao sector da imprensa escrita e mesmo o crescimento nos suportes digitais não tem dado o contributo suficiente para equilibrar as quedas.


Ainda esta quarta-feira a dona do jornal New York Times reportou uma queda de 95,7% nos lucros no terceiro trimestre, para os 406 mil dólares. Um ano antes, o resultado líquido atribuível a accionistas tinha sido de 9,4 milhões de dólares.


As receitas recuaram ligeiramente de 367,4 milhões de dólares para os 363,6 milhões. O crescimento das receitas de anúncios online (de 21,5%, representando mais de um terço das receitas publicitárias totais) foi no entanto incapaz de compensar o recuo de 18,5% nas receitas de publicidade em papel.


A pesar nos resultados estiveram custos extraordinários de 2,9 milhões de dólares pelo fecho da operação em Paris e 13 milhões de dólares em custos com rescisões.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub